Crítica | Retorno ao Planeta dos Macacos – A Série Animada Completa (1975)

estrelas 1

Com cinco filmes de razoável sucesso que oscilam bastante em qualidade e uma série de TV live action muito boa, mas que foi cancelada na metade da primeira temporada, a Fox partiu para o que ainda não havia tentado: uma série em animação sobre o Planeta dos Macacos. Sem perder tempo, o estúdio lançou, em 1975, ano seguinte do encerramento da primeira série de TV, uma nova série, que também só sobreviveu por 13 episódios e que seria, até 2001, a última vez que os símios falantes apareceriam em alguma tela que não fosse em reprises.

Os filmes dos símios do final da década de 60 até a metade da década de 70 nunca primaram por grandes orçamentos e uma direção de arte muito detalhada. Na verdade, o conceito original do filme de 1968 era mais próximo ao livro do francês Pierre Boulle, que deu origem a tudo, em que a sociedade símia era tão desenvolvida quanto a nossa. Como isso ficaria caro, a Fox decidiu rever o roteiro, transformando a sociedade símia moderna em uma sociedade subdesenvolvida. Daí o nascedouro do Planeta dos Macacos que nós conhecemos. Mas essas rédeas curtas no orçamento são ainda mais evidentes – por incrível que pareça – na série animada.

Apesar de ter sido desenhada pelo veterano Doug Wildey, que criou o famoso desenho Johnny Quest, em 1964, Retorno ao Planeta dos Macacos é, pela falta de uma palavra melhor, muito tosca. Imaginem vocês uma escala de “tosquidão” em que o grau máximo é representado por aquelas “desanimações” da Marvel da década de 60, que nada mais eram do que literalmente os quadrinhos das revistas filmados. Retorno ao Planeta dos Macacos estaria, diria, em uma situação apenas um pouco melhor, certamente muito abaixo das clássicas animações da Hanna-Barbera e outros estúdios da mesma época. Os personagens quase não se movimentam. Há constante reaproveitamento das mesmas sequências, as cores são sempre as mesmas, os símios são mal desenhados, um se parecendo com o outro mesmo quando de espécies diferentes e alguns deles nem mesmo parecem ser símios. E olha que não estou falando dos símios que aparecem ao fundo como “extras”, e sim dos personagens principais. Nem mesmo o sol é redondo! É, realmente, difícil de aturar e (re)assistir aos 13 episódios foi um suplício.

Sobre a história, para variar, vemos três astronautas (Bill, Judy e Jeff) em missão espacial cuja nave acaba caindo na Terra no ano de 3.979 d.C., quando ela, depois de um cataclismo atômico, foi dominada por símios evoluídos e onde os humanos não falam e são caçados pela raça dominante. A diferença do desenho para os filmes é que, mais próximo ao livro de Boulle nesse quesito como mencionei, os símios vivem em uma sociedade evoluída como a nossa, com carros, televisão, prédios e tudo mais.

Bill é capturado e faz amizade com Cornelius e Zira, dois chimpanzés cientistas que, obviamente, acabam ajudando os humanos. O General Urko, um gorila, quer dizimar todo os humanos de vez, mas o Dr. Zaius, um orangotango, somente autorizaria essa medida se algum humano falasse, pois um humano falante poderia levar à derrocada dos símios que, há milênios, eram dominados pelos humanos, como diz a lenda. Estabelece-se, assim, o problema e a premissa do desenho que ainda conta com os mutantes similares aos que aparecem no segundo filme e com Nova dos dois primeiros filmes. Há também um mistério extra, em que Nova, ao encontrar-se com Bill e Jeff, está usando um colar de identificação de um astronauta americano chamado Brent, que nascera um século depois de Bill e Jeff.

Apesar de as histórias não serem de todo imprestáveis, como é um desenho, algumas liberdades podem ser tomadas e os roteiristas não resistiram e criaram monstros para nossos heróis lutarem, como um lagarto submarino e um gorila gigante das neves. São aquelas coisas nonsense típicas de desenhos da época e que acabam tornando-os bem mais bobos e infantis que os filmes ou que a série de TV anterior. Mas os episódios mantém uma certa continuidade e contam efetivamente uma história maior em forma de arco, pelo menos até ser interrompida abruptamente no 13º capítulo.

Esse é a segunda obra audiovisual sobre o Planeta dos Macacos em que o saudoso Roddy McDowall não participaria (a outra é De Volta ao Planeta dos Macacos, o segundo filme). Parece que o ator tinha um bom faro para perceber projetos malfadados, pois são as duas piores obras desse universo símio.

A não ser que você seja maluco como este crítico pela mitologia do Planeta dos Macacos, a animação pode ser facilmente ignorada.

*Crítica publicada pela primeira vez em 2011 fora do Plano Crítico. Publicada no site pela primeira vez em 19 de julho de 2014.

Retorno ao Planeta dos Macacos (Return to the Planet of the Apes, EUA – 1975)
Criação: David H. DePatie, Friz Freleng
Direção: vários
Roteiro: vários
Elenco: Richard Blackburn, Tom Williams, Henry Corden, Edwin Mills, Philippa Harris, Claudette Nevins, Austin Stoker
Duração: 312 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.