Crítica | Rio Sangrento

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estrelas 1

Tal como o slasher na contemporaneidade, os filmes oriundos do jawsplotation conseguem chamuscar pequenas faíscas narrativas, mas dificilmente arrebatam plateias, haja a vista a insistência em repetir as fórmulas de um subgênero desgastado. In The Deep e Águas Rasas conseguiram esta façanha em 2016: agradaram ao público e aos críticos por capitalizarem em torno de algumas boas ideias, inserindo outros ingredientes dramáticos ao conteúdo.

Rio Sangrento, lançado diretamente para a televisão em 2003, entretanto, não é um desses casos de sucesso. A trama é formulaica, insossa e em alguns pontos risível. Há 12 anos as pessoas que estiveram diante deste filme devem ter se perguntando até onde os produtores abusariam da boa vontade das feras marinhas para destroçar carne humana em alto-mar e à beira da praia, mas Shakrnado chegou para revitalizar o conceito de bizarrice e estranheza dentro deste subgênero. Desta forma, ao compará-lo, Rio Sangrento apresenta-se bastante inofensivo.

Com roteiro assinado por dois profissionais (pasmem, pois é algo comum no jawsplotation), J. D. Feigelson e Chris Mack, a narrativa inicia-se nas volumosas e misteriosas águas do Mississipi: um grupo de criminosos começa a buscar drogas e dinheiro no fundo do rio. Ao sequestrar um grupo de petroleiros, o herói John Sanderson (Lou Diamonds Phillips), comandante da ação, obriga os envolvidos a mergulhar atrás deste tesouro perdido.

O que eles não esperavam era a presença de um feroz tubarão de água doce (hein?) que deixa um enorme rastro de sangue ao passo que inicia uma matança desenfreada pelo rio. Sem cenas interessantes e estrutura imaginativa demais (no que tange ao argumento), a história é contada de maneira pouco atraente no plano das imagens. No final das contas Rio Sangrento é um daqueles filmes esquecíveis que pouca gente conhece e quase ninguém quer ver.

Ao longo dos seus 92 minutos, o desenvolvimento visual é comum, sem nenhum grande momento. A trilha sonora conduzida por Louis Febre e Dominic Messinger não busca sugar todos os elementos de John Williams e aplicá-los (de forma equivocada, como geralmente acontece), mas preguiçosos, criaram motivos sonoros sonolentos e pouco atraentes. A câmera, subserviente dos profissionais razoáveis não chega a incomodar, mas poderia ter caprichado mais em algumas tomadas, fazendo bom uso do espaço fílmico, afinal, quando se possui parcos recursos na seara dos efeitos especiais, os envolvidos precisam ser mais criativos.

Em homenagem ao precursor do gênero temos a morte do tubarão nos momentos finais, tal como Do Fundo do Mar fez num ritmo muito mais divertido em 1999. Ao término da sessão, a vontade que se tem é a de ligar para os roteiristas e perguntar porque é preciso reforçar os estereótipos acerca dos filmes de ação ao longo de todo o filme: leia-se diálogos estéreis e cenas de ação descerebradas. Um pouco de bom senso não faz mal a ninguém.

Rio Sangrento – ( Red Water) – EUA, 2003
Direção: Charles Robert Carner.
Roteiro: Chris Mack e J. D. Feigelson.
Elenco: Louis Diamond Phillips, Charles Dumas, Clive Scott, Nicholas Andrews, Coolio, Dennis Haskins, Garth Collins, Kristy Swanson.
Duração: 92 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.