Crítica | Risco Imediato

estrelas 2,5

Muitas vezes, a credibilidade dos atores faz com que nos metamos em enrascadas. “Um suspense com James Franco, Kate Hudson e Tom Wilkinson? Por que não embarcar?” É aí, meu amigo, que mora o perigo. O diretor dinamarquês Henrik Ruben Genz parece saber da qualidade de seu material, e por isso, resolveu escalar atores com crédito na praça para chamar a atenção de possíveis espectadores desatentos.

Risco Imediato conta a história de Tom e Anna, um casal americano que se muda para a Inglaterra e passa por grandes problemas financeiros. A solução para esses problemas parece cair do céu quando eles encontram seu inquilino, que mora na casa embaixo da deles, morto com uma maleta com nada mais nada menos que 220 mil libras. Mamãe ensinou que não se deve mexer no que não é nosso, mas Tom e Anna não receberam esse tipo de conselho e decidem ficar com o dinheiro, sem saber que há toda uma rede de crime e bandidos perigosíssimos que também estão atrás dele.

Com essa trama que você já viu pelo menos um bilhão de vezes, Risco Imediato constrói sua tensão rapidamente, mas isso não significa que seja feita corretamente. Genz até acerta na parte técnica (a ação é competente e a trilha sonora ajuda na imersão), mas deixa muito a desejar na condução dos atores, ou seja, na “parte humana” – mesmo que para um filme pipoca. James Franco e Kate Hudson são atores muito competentes e talentosos, mas se encontram apáticos dando vida a esse casal que parece não ter noção – ou não se importar – com a situação perigosa na qual está metido. Genz quer nos convencer, nas primeiras cenas do filme, que os criminosos que estão atrás do dinheiro são extremamente impiediosos e violentos (eles enfiam bolas de sinuca e tacos nas gargantas das pessoas), porém, falta muita verossimilhança a Tom e Anna, que desfilam durante todo o filme como se não tivessem um pingo de medo de quem os persegue e ameaça. Confesso que não me surpreenderia se houvesse um plot twist que revelasse que os dois são agentes secretos, porque eles passam longe de agir como um casal comum que enfrenta uma situação de vida ou morte.

Em menos de 90 agéis minutos, a história se desenrola sem surpresas, mas não chega a irritar – o que hoje em dia, infelizmente, é um mérito no mercado de filmes de ação. Risco Imediato pode ser prazeroso para aqueles que só querem assistir um thriller no tempo livre do fim de semana, mas é dever deste que vos escreve lamentar que esse bom elenco seja desperdiçado em um filme tão vazio quanto a ideia de risco que tenta vender ao espectador.

Risco Imediato (Good People) – EUA, 2014
Direção: Henrik Ruben Genz
Roteiro: Henrik Ruben Genz (baseado no livro de Marcus Sakey)
Elenco: James Franco, Kate Hudson, Tom Wilkinson, Omar Sy.
Duração: 90 min.

ANDRÉ DE OLIVEIRA . . . . Estudante de Letras e aspirante a jornalista. Ainda se impressiona com o fato de curtir, na mesma intensidade, do cult ao pop; do clássico ao contemporâneo; do canônico ao best-seller. Usa camisa do Arctic Monkeys — sua banda favorita —, mas nada impede que esteja tocando Nicki Minaj no fone de ouvido. Termina de ler Harry Potter e começa um Dostoévski. Assiste Psicose e depois dá play em Transformers. Não tente entender. @andreoliveeira