Crítica | Riverdale – 1X05: Heart of Darkness

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estrelas 3,5

Obs: contém spoilers.

Após vários episódios centrados nos típicos dramas adolescentes, compreensíveis, claro, afinal estamos falando de CW, Riverdale, nesse seu quinto episódio, começa a investir na expansão de sua mitologia que, assim como a trama, também se solidifica, mesmo que tardiamente. Fica claro que, e isso desde o início, a produção apostou em um tipo bem diferente de drama, com atmosfera e tema variados. Aos poucos o seriado dá um passo além e procura se tornar mais complexo do que a maior parte da produção de sua própria casa, mesmo que reutilizando vários de seus diretores, como no caso desse episódio.

Dirigido por Jesse Warn, quem fez muitos episódios de The Flash – inclusive o famigerado Flashpoint, e roteirizado por Ross Maxwell, de Glee, mas que há muito não escrevia nada. Decididamente essa dupla foi melhor que a do episódio quatro, muito disso pela experiência anterior de ambos artistas. O uso dos elementos cênicos estão bem melhores colocados – como na belíssima cena da neblina, e mesmo a construção da mansão Blossom. Artisticamente a série mantém um nível absurdo, méritos da incrível Simone Gore, e se destaca da maior parte dos seriados comuns.

Esse episódio inicia-se distante do anterior, o centro da trama passa a ser espalhado pelos personagens, em vez de se centrar em apenas um deles. Archie, por exemplo, continua na sua desconstrução do estilo de típico protagonista que as propagandas tanto parecem querer mostrar, estando muito mais para alguém que está se descobrindo, que somente o capitão do time de futebol, posto esse que ele passou para frente, pelo desejo de se dedicar à música, aproximando-se de Josie, muito menos arisca e raivosa. Quem acaba ganhando mais importância de modo geral e parece alçar posto de interesse amoroso do protagonista.

Porém o grande ônus da tama centra-se no velório de Jason, aliás bastante demorado. Conhecemos pela primeira vez os Blossom e sua casa, não só mais ampla como mais perigosa do que se imaginava, uma das fundadoras da cidade não deixa quieto seus mortos – nem a família dos Cooper, com a tensão entre Polly e o filho assasinado da família. Através de uma estranha amizade entre Vanesa e uma fragilizada Cheryl, esse núcleo, mesmo tardio, se mostra um dos mais interessantes e promissores, da mesma forma que o de Betty. Sua relação com o passado da irmã se transformou em um mistério interessante e relevante à trama em geral, nada de spoilers mais fortes, porém finalmente parece que a história em geral avança!

Nem tudo, contudo, funcionou. Os mesmos motivos que afligiam a série anteriormente, a falta de mudança e excesso de marasmo, persistem, alguns pontos são bem desinteressantes como os já reclamados dramas adolescentes. A serie tem noção de onde quer chegar e isso ficou claro aqui mas parece duvidosa em sua execução. Parece que por menos erros que possa ter, o seriado precisa, como já dito, investir mais em histórias interessantes e relevantes.

Ainda assim é difícil destacar um ponto realmente negativo em Riverdale, parece que as coisas estão pegando forma, e de modo geral é um dos melhores programas de seu gênero, contando com direções procedurais mas eficazes, roteiros que se arriscam no óbvio mais inovam. E em seu quinto episódio parece que começa a sair do já esperado, rumo a tramas mais complexas e emocionalmente envolventes, algo que a CW vem fazendo ha um tempo e que, espera-se, que aqui chegue logo.

Riverdale – 1X05: Heart of Darkness – EUA, 2017
Showrunner: Greg Berlanti
Diretor: Jesse Warn
Roteiro: Ross Maxwell
Elenco: K.J. Apa, Lili Reinhart, Camila Mendes, Cole Sprouse, Marisol Nichols, Medelaine Petsch, Ashleigh Murray, Madchen Amick, Luke Perry
Duração: 45 min.

PEDRO ROMA . . . Antes de tudo, cinéfilo inveterado e amante de todo tipo de filme, mesmo que eu prefira um pouco mais russos e tchecos, em geral. Aspirante a cineasta, atualmente curso cinema e espero poder ganhar um longo podcast sobre mim um dia, haha. Para além das brincadeiras, quero contribuir de forma ativa com o pensamento cinematográfico, começando pela critica é claro, podendo colocar em palavras toda a emoção que sinto nesse prazeroso e ao mesmo tempo intrigante ato de simplesmente sentar e ver um filme.