Crítica | Rock Dog: No Faro do Sucesso

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estrelas 1

Todos conhecemos o velho ditado de não julgar o livro pela capa, mas é inegável que existem alguns filmes os quais, só de assistir o trailer, já podemos contemplar toda a sua tragédia – é claro que podemos acabar nos surpreendendo quando o longa em questão chega às telonas, afinal, nem sempre o material promocional faz jus à obra, lembram dos terríveis pôsteres de X-Men: Primeira ClasseRock Dog: No Faro do Sucesso é um desses filmes cujo trailer nos fez contorcer na cadeira do cinema e, infelizmente, o desenho em si foi bem representado por essa prévia.

A trama gira em torno de Bodi (Luke Wilson) um mastiff tibetano que já tem seu caminho traçado pelo seu pai: ele deve se tornar um dos guardiões de uma pequena vila, protegendo as ovelhas (humanoides) do local dos lobos ferozes, que podem atacar a qualquer momento. O problema é que Bodi sonha em ser um músico, desde que um rádio, tocando rock, caiu de um avião que passava por ali. Acompanhamos, portanto, essa jornada do cão, que deve correr atrás de seus sonhos, tentando traçar seu próprio destino.

Os problemas de Rock Dog já podem ser identificados só de olharmos a ficha técnica da obra. Com nove pessoas assinando o roteiro, era apenas natural que o longa-metragem seria uma verdadeira bagunça e, de fato, a obra conta com alguns trechos que simplesmente não fazem sentido, forçando muito a barra para que a narrativa seja movimentada. Apesar disso, uma história consegue ser contada, o grande problema é que se trata mais do mesmo, o velho clichê do jovem tentando perseguir seus sonhos contra a vontade dos pais. O espectador que seja minimamente exigente, pois, irá achar dificuldade em não revirar os olhos só de contemplar essa mesmice estampada em outro roteiro.

Não bastasse isso, o desenho conta com um humor tão forçado, com gags sendo jogadas em nossa cara a cada sequência, que chega a parecer que os nove roteiristas simplesmente criaram piadas separadamente e, depois, as uniram em um texto só. Se ao menos o humor acertasse no tom poderíamos dar algumas boas risadas, mas nem isso acontece. A sensação de apatia que nos toma quando a trama nos é apresentada persevera até os créditos finais, a tal ponto que não conseguimos nos envolver em momento algum. Evidente que um dos maiores fatores contribuintes para isso é o protagonista genérico, que definitivamente não captura a essência de um astro do rock.

Piorando esse cenário mais do que achamos que seria possível está todo o trabalho de animação, que faz com que a obra pareça um desenho animado de baixo orçamento feito por canais de televisão menores. As texturas são praticamente inexistentes, como se o filme tivesse sido produzido há mais de dez anos, o que apenas nos distancia de qualquer possibilidade de imersão. Ironicamente, a projeção é iniciada com um belo trecho de animação tradicional, fazendo uma alusão, para não dizer cópia descarada, de Kung Fu Panda, com direito até a uma narração em off de Sam Elliott, com sua sempre marcante voz. Podemos enxergar claramente o quão melhor seria o filme como um todo se ele tivesse seguido por esse caminho, ao invés de trabalhar com o péssimo CGI utilizado.

Rock Dog: No Faro do Sucesso, portanto, como o trailer já deixara bem claro, é uma verdadeira tragédia. Mais uma tentativa de co-produção entre Estados Unidos e China fadada ao fracasso (recentemente tivemos, também, A Grande Muralha). Contando com um trabalho de animação muito aquém dos padrões atuais, um roteiro cliché repleto de gags que não nos fazem rir e um protagonista completamente esquecível, temos aqui um filme que somente há de agradar crianças bem pequenas, enquanto o espectador minimamente exigente há de se contorcer na cadeira assim como fora quando vimos a prévia do filme nos cinemas.

Rock Dog: No Faro do Sucesso (Rock Dog) — China/ EUA, 2016
Direção:
 Ash Brannon
Roteiro: Denise Bradley, Ash Brannon, Vincente DiSanti, Will Finn, Carolyn Gair, Zheng Jun, Nicole McMath, Kurt Voelker, Josh Zinman
Elenco: Luke Wilson, Eddie Izzard, J.K. Simmons, Lewis Black,  Kenan Thompson, Mae Whitman, Jorge Garcia,  Matt Dillon, Sam Elliott
Duração: 90 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.