Crítica | “Rock Or Bust” – AC/DC

estrelas 2,5

Após tanto tempo, sexo, drogas e rock’n roll, uma das bandas mais famosas do gênero continua com sua carreira e lançando um novo álbum. Interessante perceber como velhas bandas, mesmo com seus vocalistas quase usando bengalas, conseguem atrair mais atenção que muita banda jovem roqueira atual. O AC/DC é uma delas. Ainda que os vovôs do rock ofereçam um bom hardrock, qualquer pessoa que conheça o passado recente da banda sabe que não dá pra esperar nem inovação e nem decepção por parte de novos álbuns. Rock Or Bust, o novo álbum, ainda que chute o traseiro de muitas bandas mostrando o que é rock de verdade, pode ser chamado de “mais do mesmo”.

Um fato: quando se espera um novo álbum de uma banda bem antiga – salvo algumas exceções – estes discos não serão aguardados como possíveis álbuns surpreendentes, mas apenas por serem de artistas importantes. AC/DC entra nesse caso. Você quer ouvir só porque é AC/DC. E os caras não desapontam, sempre entregam o que o público quer: rock’n roll. No entanto, a previsibilidade é bem grande. A banda usa a mesma essência de sempre, basta escutar os primeiros riffs do single Rock Or Bust e ver que alí está a mesma fórmula, como das antigas Back In Black e Shoot To Thrill.

A produção ainda faz questão de dar aquele ar bem clean, animado e um tom quase “pop” (preste muita atenção nessas aspas) com um excesso de refrões bem melódicos,  característica que parece vir dominando qualquer obra recente de um velho artista. A criatividade também parece ser um problema para tais bandas. Rock Or Bust, assim como o derradeiro Sting In The Tail do Scorpions, por exemplo, possui uma metalinguagem extrema: a quantidade de músicas com letras genéricas, falando do próprio rock é incrível (Rock or Bust, Rock The Blues Away, Got Some Rock N’ Roll, Rock The House). Sim, esse é um tema recorrente nas letras do estilo, no entanto, aqui elas parecem pouco inspiradas, sem propósito e, diferentemente de simples, simplórias demais.

Se você não se importa com isso, então ainda pode se divertir bastante. É impressionante ver como, mesmo com a idade avançada, os membros ainda conseguem se destacar. Angus Young parece um jovem na guitarra, improvisando e tirando melodias invejáveis a todo momento (destaque para Emission Control). Sem contar a voz excelente de Brian Johnson que continua afinado sem precisar recorrer aos “Auto-Tunes” da vida. Ao menos o álbum soa como uma ótima propaganda para uma nova turnê.

Em um cenário onde qualquer mudança no estilo de um artista já é motivo para que pedras sejam lançadas, o AC/DC prefere continuar na mesma dinâmica, sem arriscar e, ainda por cima, trazendo o menos possível (o álbum tem apenas 35 minutos). Isso faz com que discos como Rock Or Bust sejam executados somente algumas vezes e nunca mais. Afinal, quem vai querer ouvir ele se pode ouvir clássicos como Highway To Hell?

Rock Or Bust
Artista: AC/DC
País: Austrália
Lançamento: 2 de dezembro de 2014
Gravadora: Albert, Columbia
Estilo: Hard Rock, Heavy Metal

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.