Crítica | Rocky III: O Desafio Supremo

estrelas 3,5

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O sucesso comercial da inesperada continuação de Rocky já tornava impossível que um terceiro filme não acabasse surgindo no horizonte. A fórmula de um filme esportivo é difícil de se manter envolvente e divertida, o que aumentava o trabalho para Sylvester Stallone, que voltava para a cadeira de roteirista e diretor em Rocky III – O Desafio Supremo.

Não, Rocky Balboa não vai lutar contra Apollo Creed novamente. Pelo menos essa não é a trama central… Aqui, vemos Rocky tornando-se um campeão invicto nas disputas de pesos pesados mundiais. Quando ele é pego de surpreso pelo brutal desafiante Clubber Lang (estreia de ninguém menos do que Mr. T!), perde o cinturão e o apoio de seu treinador Mickey (Burgess Meredith), que acaba falecendo tragicamente. Derrubado profissional e emocionalmente, Rocky encontra o apoio de seu antigo oponente, Apollo, para um intenso treinamento para recuperar seu título de campeão.

Stallone foi muito inteligente aqui. O simples fato de trazer Apollo como um dos companheiros do protagonista já cria uma dinâmica muito mais interessante, já que provocações entre os dois ocorrem constantemente ao longo da projeção. É também a crescente amizade da dupla que sustenta Rocky III, que parece bem mais interessado em divertir o espectador do que realizar um drama forte como o primeiro filme.

Basta observar o bizarro momento no qual Rocky aceita enfrentar um campeão de luta livre (vivido por Hulk Hogan) em um evento de caridade, uma cena que poderia provocar pavor se estivesse no primeiro filme; estamos falando de dois lutadores de esportes diferentes se enfrentando em um vale-tudo. Mas, sob a direção de Stallone, é um dos momentos mais divertidos da franquia, e é agradável ver o monstruoso Hogan terminando a luta de forma amigável, até parando para tirar uma foto com Rocky e sua família.

Não que Stallone não saiba lidar com os momentos dramáticos. A derrota de Rocky em sua primeira luta contra Lang, por exemplo, é memorável por tratar-se de um dos únicos momentos da saga em que vemos um plano plongée no ringue, exacerbando a caída do protagonista na lona. E sua cena final com Mickey, desenrolada toda em um plano fixo revela a maturidade de Stallone como diretor, assim como seu eficiente talento para cenas dramáticas.

Mas, novamente, é a criação de um vínculo entre Rocky e Apollo que torna Rocky III tão especial. Um dos grandes bromances de todos os tempos, a montagem de treinamento que trouxe ao mundo a inesquecível “Eye of the Tiger” é tão divertida quanto a do primeiro filme. E um dos grandes mistérios da franquia é estabelecido na icônica cena final, onde um terceiro duelo entre os dois é travado. Nunca soubemos a resposta…

Rocky III: O Desafio Supremo (Rocky III, EUA – 1982)

Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Talia Shire, Burt Young, Burgess Meredith, Mr. T, Carl Weathers, Tony Burton, Hulk Hogan
Duração: 99 min

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.