Crítica | Rogue One: Uma História Star Wars (Adaptação em Quadrinhos)

As adaptações em quadrinhos dos filmes da franquia Star Wars marcaram época. Começaram de forma excepcional, sem rédeas, na própria Marvel Comics nos anos 70 que nos trouxe toda a Trilogia Original, depois foi para a Dark Horse Comics, perdendo sua liberdade e, consequentemente, qualidade, passando por incríveis versões em mangá, até a recente versão de O Despertar da Força,novamente pela Marvel, que não é muito mais do que um pouco acima de mediana.

Com o lançamento de Rogue One nos cinemas, filme que teve uma produção conturbada, com seu diretor Gareth Edwards “delicadamente” afastado de suas funções, roteiro reescrito e um longo processo de refilmagens, era de se esperar que material novo, que não viu a luz do dia nas telonas, fosse inserido na adaptação em quadrinhos. Na verdade, até mesmo Edwards, no prefácio da minissérie em seis edições, prometeu exatamente isso, Lógico que era simplesmente impossível que o final originalmente planejado para o filme viesse à lume, mas algumas cenas aqui e ali tinham que surgir. E é exatamente isso que acontece na HQ, com roteiro de Jody Houser.

Houser sabe perfeitamente que o controle da Lucasfilm sobre suas propriedades é extremamente rígido hoje em dia (e já era a partir dos anos 90), pelo que haveria pouco espaço para desvios do que foi mostrado nos cinemas. No entanto, a roteirista mostra que soube driblar essas restrições, apresentando um trabalho que empolga por não ser didático e cansativo, repisando exatamente os mesmos passos de Jyn Erso, Cassian Andor e os demais na tentativa desesperada de roubar os planos que revelariam o ponto fraco da Estrela da Morte. Sim, a história inteira está lá, mas a roteirista criou seu próprio ritmo, por vezes até mesmo inconstante, dando-se ao luxo de inserir material inédito que não altera nada de substância, mas que dá mais estofo a diversos personagens.

Antes, porém, de chegarmos ao material novo, é importante abordar a inconstância de Houser. No primeiro número, por exemplo, que estabelece as bases para tudo que vem a seguir, ela corre contra o tempo para, em pouco mais de 20 páginas, lidar com o prólogo de uma jovem Jyn vendo sua mãe ser morta e seu pai levado pelo Diretor Krennic para lugar incerto e não sabido, além de Cassian dando o pontapé inicial para o plano que os levaria até o clímax em Scarif. A velocidade é vertiginosa, mas funcional, pelo que o ritmo mais “normal” das cinco edições seguintes até causam estranhamento e revelam que, talvez, Houser pudesse ter equilibrado melhor as edições, sem necessidade da corrida de 100 metros rasos que faz no começo.

Por outro lado, ela sabe como ninguém inserir as sequências inéditas, notadamente aquelas que lidam com o passado dos mais diversos personagens. Há mais de Saw Gerrera e uma Jyn ainda adolescente, de Galen com Krennic com Jyn ainda bebê e assim por diante. São momentos que não interferem com a progressão da história, mas emprestam mais densidade aos personagens, tornando mais fácil simpatizarmos com todos eles pela HQ do que acontece no filme e até mesmo na estupenda adaptação literária por Alexander Freed. No entanto, mais do que os flashbacks, há alguns breves momentos no presente que são verdadeiras preciosidades: a improvável interação entre Bodhi Rook e K-2S0, ambos ex-Império reprogramados, de maneiras diferentes, por Rebeldes, o tocante momento em que Mon Mothma, depois da morte de Galen, diz que não esquecerá o que a Aliança Rebelde tirou de Jyn e os preparativos do enfezado e corajoso Almirante Raddus, que não hesita em ajudar no ataque suicida do Rogue One a Scarif. Novamente, são momentos que não interferem no arco narrativo, mas que ajudam no aprofundamento dos personagens e que, muito sinceramente, gostaria muito de ter visto no filme.

A arte, predominantemente de Emilio Laiso (ele só não desenhou a terceira edição), é muito eficiente ao lidar com ação, com corpos – robóticos e humanos – com muita agilidade e ao também não se prender às feições dos atores, algo que costuma atrapalhar o estilo dos artistas. O único problema é que, por vezes, seu trabalho deixa de retratar a sujeira dos mundos e das pessoas que vemos no filme, parecendo muitas vezes assépticos demais. Isso não acontece, por exemplo, na arte de Paolo Villanelli, que desenhou sozinho a edição #3, ainda que ele tenha mais problemas em lidar com a necessidade de inserção de muitas informações diferentes por página.

A adaptação em quadrinhos de Rogue One é uma mais do que ótima adição à galeria de adaptações de Star Wars pela Marvel. Não chega ao nível das histórias clássicas setentistas, mas fica bem próximo.

Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story, EUA – 2017)
Contendo: Rogue One: A Star Wars Story #1 a 6
Roteiro: Jody Houser
Arte: Emilio Laiso (#1, #2, #4 e #5), Oscar Bazaldua (#1 e #2), Paolo Villanelli (#3)
Cores: Rachelle Rosenberg
Letras: Clayton Cowles
Capas: Phil Noto
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: junho a novembro de 2017
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: ainda não publicado
Páginas: 152

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.