Crítica | Rom, o Cavaleiro do Espaço #1 a 75 e Anual #1 a 4

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estrelas 4

Quem, como eu, colecionava as publicações Marvel em formatinho da Editora Abril lá pelos idos dos anos 80 fatalmente se deparou com Rom, o Cavaleiro do Espaço, figura galante que combatia os Espectros na Terra como parte de sua missão para eliminar esses seres da galáxia, depois de salvar seu planeta natal, Gálador. E, quem não viveu essa época e gosta de quadrinhos cósmicos da Marvel, talvez devesse dar uma chance ao personagem, ainda que seja bastante difícil encontrar as publicações tanto em português quanto no original em inglês.

E a razão para essa dificuldade – ou para o fato de quase ninguém hoje em dia conhecer Rom – é que ele surgiu, nos quadrinhos, como uma estratégia de vendas de um brinquedo, algo que se tornaria popular com G.I. Joe, Transformers, mas que, no final da década de 70 ainda era relativamente raro, com outro exemplo sendo Os Micronautas (também da Marvel, também de 1979 e também por Bill Mantlo). Esse brinquedo era o Cobol (a velha linguagem de programação), um robô da Parker Brothers (empresa depois comprada pela Hasbro), criado por Scott Dankman, Richard C. Levy e Bryan L. McCoy.

Confiram o brinquedo que deu origem aos quadrinhos

(1) A caixa original de Rom, the Space Knight e (2) Rom foram da caixa com seus acessórios: o Analisador, o Neutralizador e o Tradutor Universal, cada um com seu próprio som. Rom também fazia barulho de respiração (não por coincidência parecido com o de Darth Vader) e de jato, para simular voo.

(1) A caixa original de Rom, the Space Knight e (2) Rom foram da caixa com seus acessórios: o Analisador, o Neutralizador e o Tradutor Universal, cada um com seu próprio som. Rom também fazia barulho de respiração (não por coincidência parecido com o de Darth Vader) e de jato, para simular voo.

Peças publicitárias do brinquedo.

Peças publicitárias do brinquedo.

Rom, o brinquedo, apareceu na capa da prestigiosa Time Magazine, apontando seu Neutralizador para o Xá deposto do Irã. Eis, aqui, minha tradução da destruidora crítica do produto contida na revisa: Rom é um homem espacial cuja memória de computador lhe dá uma amplitude de comportamento desapontadoramente restritiva. Ele respira forte (um de seus melhores efeitos), buzina, tuita, acende seus olhos e toca gongos sinistros, um para o bem e dois para o mal. O problema com o homúnculo da Parker Bros. é que ele parece que deveria usar seus braços e pernas como um verdadeiro robô, mas ele não pode. Rom terminará entre as bolas de poeira do sofá do quarto de brinquedos.

Rom, o brinquedo, apareceu na capa da prestigiosa Time Magazine, apontando seu Neutralizador para o Xá deposto do Irã. Eis, aqui, minha tradução da destruidora crítica do produto contida na revisa: Rom é um homem espacial cuja memória de computador lhe dá uma amplitude de comportamento desapontadoramente restritiva. Ele respira forte (um de seus melhores efeitos), buzina, tuita, acende seus olhos e toca gongos sinistros, um para o bem e dois para o mal. O problema com o homúnculo da Parker Bros. é que ele parece que deveria usar seus braços e pernas como um verdadeiro robô, mas ele não pode. Rom terminará entre as bolas de poeira do sofá do quarto de brinquedos.

Como estratégia de marketing, a Parker Brothers licenciou a Marvel para criar histórias em quadrinhos do personagem, o que ficou originalmente ao encargo de Bill Mantlo nos roteiros e de Sal Buscema nos desenhos e a primeira medida, em conjunto com a fabricante de brinquedos, foi trocar o nome para Rom, proveniente de ROM, ou read-only memory. Ironicamente, o brinquedo em si foi um retumbante fracasso de vendas, mas a HQ foi um grande sucesso, sendo publicada de dezembro de 1979 até fevereiro de 1986, com 75 números e quatro Anuais. A saga de Rom somente chegou ao fim com a expiração da licença para a Marvel que nunca, mesmo até hoje, foi renovada, deixando muitos fãs completamente órfãos, ainda que os personagens coadjuvantes tenham aparecido repetidas vezes em diversas histórias diferentes, até mesmo na recente saga Infinito, já que os direitos deles ficaram com a Marvel, pois foram criados especificamente para a HQ.

(1) Rom nas versões ciborgue e humana; (2) Brandy Clark e (3) Brandy Clark como Starshine.

(1) Rom nas versões ciborgue e humana; (2) Brandy Clark e (3) Brandy Clark como Starshine.

De toda maneira, a história de Rom tem começo, meio e fim e literalmente envolveu todos os heróis Marvel, transformando o herói de Gálador parte indelével no cânone marveliano ainda que a editora, hoje em dia, não possa mais usar o nome Rom (suas características visuais foram transportadas para o personagem Ikon, do sexo feminino, porém). E, mais interessante ainda que isso, é que, diferente de Micronautas, G.I. Joe e Transformers, Rom não era uma linha de brinquedos, com um grupo de heróis de um lado e um grupo de vilões de outro. Rom era só Rom, mais nada. E um boneco, diga-se de passagem, muito feio, mesmo para os padrões da época. Com isso, Bill Mantlo tinha uma tábula rasa sobre a qual criar e criar ele criou!

Há 200 anos, o planeta Gálador foi atacado pelos malignos Espectros, alienígenas da Nebulosa Negra com poderes de alteração de forma obtidos por intermédio de seu sol negro (vale notar que, mais tarde, em um inteligente retcon, a Marvel determinou que essa raça era uma espécie de raça derivada dos Skrulls, que basicamente têm o mesmo poder). A única escapatória para o planeta foi arregimentar um exército de mil voluntários que seriam fundidos a espetaculares armaduras capazes de voo, superforça e invulnerabilidade, além de armas que se materializavam do Limbo quando eles desejavam: um Analisador para identificar os Espectros e um Neutralizador para bani-los para o Limbo, além de um tradutor universal. O primeiro candidato ao sacrifício foi o jovem Rom, logo seguido por centenas de outros valentes jovens, cada um ganhando uma armadura diferente e uma vida – radicalmente aumentada por ela, diga-se de passagem – prisioneiros à pele de metal. Dois séculos depois, Rom se tornara líder dos Cavaleiros do Espaço e, derrotando os Espectros em Gálador, ele os segue para o planeta nata dos monstros e, depois de ser enganado, acaba permitindo que eles fujam pela galáxia. Rom, então, no lugar de voltar para Gálador para tornar-se completamente humano novamente, sente-se culpado pelos Espectros agora terem se espalhado pelo universo e passa a persegui-los, jurando que só voltaria à humanidade depois que acabasse completamente com eles.

(1) Um Espectro; (2) O Híbrido; (3) Cães do Inferno e (4) Asa da Morte.

(1) Um Espectro; (2) O Híbrido; (3) Cães do Inferno e (4) Asa da Morte.

Assim, sozinho, Rom vem para a Terra com o objetivo de limpar nosso planeta da ameaça dos terríveis Espectros. Acontece que, convenientemente para a narrativa, Rom não procura avisar às autoridades terráqueas que a Terra havia sido secretamente invadida (essa foi a primeira Invasão Secreta da Marvel, aliás!) e passa a agir com um justiceiro, mandando as criaturas para o inferno, o que, para os olhos humanos, parece que ele está chacinando pessoas. Evidentemente, ele passa logo a ser perseguido pelos humanos em geral que são também manipulados pelos Espectros inseridos nas mais diversas capacidades, inclusive no meio científico e no exército.

A cruzada solitária do herói logo ganha a companhia de uma humana, Brandy Clark, a primeira a acreditar nele, na cidadezinha de Clairton. Relutantemente, seu namorado Steve depois também passa a ajudar. Em um primeiro momento confinado, por questões narrativas à cidade onde caiu, Rom logo expande sua ação para toda a Terra, mas com evidente foco nos EUA, novamente por conveniência narrativa.

Rom usando seu Neutralizador: não é à toa que os humanos acham que ele é um serial killer metálico...

Rom usando seu Neutralizador: não é à toa que os humanos acham que ele é um serial killer metálico…

É difícil analisar profundamente, em uma crítica só, uma série tão longeva. A leitura de todas as revistas novamente – o que fiz para a presente crítica – deixa claramente a entrever a gordura enxertada por Bill Mantlo para manter viva a série. Os Espectros não são páreo para Rom e isso acaba exigindo criatividade por parte dos monstros, que criam mais e mais inimigos mortais para o herói, como O Híbrido, uma horrenda mistura de Espectro com humano, Asas da Morte e Incandescente, além de diversas outras ameaças, culminando com a chegada dos Espectros fêmeas, ainda mais poderosas – como verdadeiras bruxas espaciais – que suas contrapartidas masculinas. Mas, como Mantlo também tinha à sua disposição o elenco do Universo Marvel como um todo, ameaças não extra-terrestres também foram usadas, como os vilões o Pensador Louco e até mesmo Galactus e seu arauto Terrax, a Irmandade de Mutantes (ainda com Vampira), Doutor Dredd, Tribunal Vivo (não exatamente um vilão, mas…), Quasímodo, Cabeça de Diamante, Cometa e muitos e muitos outros.

Além disso, um sem-número de parcerias com heróis de menor e maior importância no Universo Marvel foram sendo estabelecidas. A primeira delas se dá com o hoje falecido Valete de Copas, em Rom #12, mas é notável a quantidade de outros. Alguns exemplos: os X-Men (Rom #17 e 18), Punho de Ferro e Luke Cage (Rom #23), Nova (Rom #24), Namor (Rom #34 e 35), Shang-Chi (Rom #38 e 39), Doutor Estranho (Rom #41), os Super-Soldados Sovietes (Rom #45), Tropa Alfa (Rom #56 e 57) e Homem-Formiga, versão Scott Lang (Rom #58).

Vejam uma galeria de capas de Rom, o Cavaleiro do Espaço

No sentido horário: (1) Rom #1; (2) Rom e Valete de Copas; (3) Rom e os X-Men; (4) Rom sendo atacado pela primeira versão de Starshine e pelo Exterminador; (5) Rom e Galactus e (6) Rom e O Híbrido (além da Irmandade de Mutantes.

No sentido horário: (1) Rom #1; (2) Rom e Valete de Copas; (3) Rom e os X-Men; (4) Rom sendo atacado pela primeira versão de Starshine e pelo Exterminador; (5) Rom e Galactus e (6) Rom e O Híbrido (além da Irmandade de Mutantes.

No sentido horário: (1) Rom e Shang-Chi; (2) Espectro fêmea; (3) Starshine na versão Brandy Clark; (4) Rom #65, onde acontece a batalha final na Terra contra os Espectros e o momento em que a série deveria ter acabado; (5) Brandy Clark sendo atacada pela nova geração de Cavaleiros do Espaço e (6) Rom #75, número final.

No sentido horário: (1) Rom e Shang-Chi; (2) Espectro fêmea; (3) Starshine na versão Brandy Clark; (4) Rom #65, onde acontece a batalha final na Terra contra os Espectros e o momento em que a série deveria ter acabado; (5) Brandy Clark sendo atacada pela nova geração de Cavaleiros do Espaço e (6) Rom #75, número final.

As capas dos quatro Rom: Annual.

As capas dos quatro Rom: Annual.

E Mantlo também trouxe outros Cavaleiros do Espaço, como Starshine e Exterminador, que vêm para Terra em determinado ponto, somente para encontrar suas respectivas mortes. E, quase que de maneira inevitável – e previsível – Brandy Clark é fundida à armadura de Starshine em Rom #40, passando a ser sua parceira de combate também (e, claro, os dois já haviam se apaixonado). O herói obscuro Torpedo também tem presença recorrente com parceiro de Rom, além de, mais para a frente, o eterno sidekick Rick Jones.

Mas o clímax do trabalho de Mantlo vem mesmo na Guerra dos Espectros, contada em Rom #64 a 66, quando literalmente todos os heróis do Universo Marvel se juntam ao Cavaleiro do Espaço para livrar a Terra, de uma vez por todas, dessa a ameaça. É uma espécie de Saga Marvel inserida dentro do contexto de um relativamente desconhecido título da editora, algo inusitado e, a bem da verdade, muito bem vindo, pois mostra algo que sempre caracterizou a Marvel: uma coesão editorial que impede que ameaças desse naipe sejam tratadas de maneira estanque, sem envolvimento de outros heróis.

O momento decisivo da Guerra dos Espectros, com literalmente todo o Universo Marvel chegando para ajudar Rom e Starshine.

O momento decisivo da Guerra dos Espectros, com literalmente todo o Universo Marvel chegando para ajudar Rom e Starshine.

Esse clímax era para ter encerrado a carreira editoral de Rom, mas não. A Marvel queria mais. Assim, Bill Mantlo esticou a corda e mandou Rom para o espaço novamente, lidando com novas ameaças até retornar ao seu planeta natal somente para encontrá-lo devastado por uma guerra civil encabeçada por uma nova e ambiciosa geração de Cavaleiros do Espaço. Com seu planeta destruído e sem esperança de retornar à humanidade, Rom, em um último esforço, arregimenta a ajuda dos primeiros Cavaleiros restantes e consegue livrar Gálador de mais essa ameaça. Enquanto isso, na Terra, em um patético crossover como um das piores sagas da Marvel, Guerras Secretas II, Brandy Clark, que havia voltado a ser humana, pede ao Beyonder para transformá-la novamente em Starshine para que possa singrar o espaço ao encalço de seu amor (e, diga-se de passagem, Rick Jones também pede ao Beyonder para transformá-lo em um herói, o que acaba sendo um tenebroso híbrido de Hulk com Capitão Marvel – sem comentários…).

Finalmente reunidos e milagrosamente na forma humana em Gálador, Rom e Brandy têm, agora, a missão de repopular Gálador, cuja população fora dizimada pela segunda geração de Cavaleiros do Espaço, em um final “Adão e Eva” para lá de brega, muito aquém de todo o material que veio antes. Novamente, fica dolorosamente evidente o enxerto de ideias para perenizar a série e dar um final redondo, ainda que exageradamente positivo, ao trágico e nobre personagem.

O tenebroso final exageradamente feliz de Rom...

O tenebroso final exageradamente feliz de Rom…

Justiça seja feita, porém, Bill Mantlo nunca foi um grande escritor. No entanto, ele criou sim icônicos personagens, dentre eles Rocket Rackoon, hoje uma celebridade absoluta graças ao sucesso cinematográfico de Guardiões da Galáxia e os já citados Micronautas, também um franquia de sucesso baseada em quadrinhos. Sua estrutura narrativa é simples ao extremo: Rom chega em algum lugar, todos ficam contra ele, somente para, ao final, ficarem ao lado dele e o ajudarem em sua caçada aos Espectros.

No entanto, uma coisa é evidente ao longa da trágica carreira de Mantlo: ele sabe, quase como ninguém, fazer de um limão uma limonada. Transformar um boneco feio como Rom, criado do nada e vendido sem qualquer mitologia por trás, em um Cavaleiro do Espaço em uma cruzada heroica contra seres que muda de aparência e, nesse imbróglio, envolver literalmente todo o Universo Marvel ao longo de gloriosos sete anos, não é, definitivamente, para qualquer um. E isso porque eu nem mesmo estou abordando os demais trabalhos que ele carregou nas costas simultaneamente a Rom, como a celebrada série de cinco ininterruptos anos de publicações do Incrível Hulk a partir de 1980, suas histórias do Homem de Ferro e da Tropa Alfa e sua co-criação, com Ed Hannigan, da dupla Manto e Adaga.

Conheça um pouco mais da prolífica, mas tragicamente curta carreira de Bill Mantlo

William Timothy Mantlo, conhecido apenas como Bill Mantlo, é americano nascido em Brooklyn, Nova Iorque, em 09 de novembro de 1951. Ele sempre foi um fã de quadrinhos e, com isso, estudou na High School of Art & Design de Manhattan e, depois, na Cooper Union School of Art. Em 1974, depois de alguns empregos sem relação com a arte que desenvolveria, ele acabou conseguindo emprego como assistente do gerente de produção John Verpoorten, da Marvel Comics.

Seus primeiros trabalhos foram na capacidade de colorista, mas, em 1975, ele conseguiu espaço para escrever o roteiro de uma história dos Sons of the Tiger na revista Deadly Hands of Kung Fu, do selo Curtis da Marvel. Seu eficiente trabalho lhe garantiu o posto fixo de roteirista dessa publicação. Quando o então editor-chefe da Marvel, Marv Wolfman, determinou que prazos não mais seriam perdidos, Mantlo logo se estabeleceu com a reputação que carregaria até o final de carreira, ou seja, a de um escritor rápido, imaginativo e que nunca perdia prazos.

Com isso, ele se tornou um dos mais prolíficos roteiristas da Marvel nas décadas de 70 e 80. Ele era reconhecidamente alguém capaz de entregar resultados sempre dentro do prazo e acumular trabalhos sem perder o ritmo. Sua primeira grande criação foi a história dos Micronautas, baseada em brinquedos também, no ano de 1979, depois que seu filho Adam ganhou de presente os bonecos. Ele convenceu Wolfman a obter a licença e trabalhou na revista, com grande sucesso, até 1986 (exatamente o mesmo período em que trabalhou com Rom e, entre 1980 e 1985, também com a revista mensal do Hulk – UFA!), literalmente seis anos depois dos próprios brinquedos terem sido cancelados pela fabricante Mego.

(1) Deadly Hands of Kung Fu, primeira revista fixa de Mantlo; (2) Micronautas #1, sua primeira grande criação, também com base em brinquedos; (3) Contest of Champios, a primeira minissérie da Marvel - considerada o primeiro grande "evento" do mercado editorial de super-heróis e co-escrito por Mantlo e (4) Manto e Adaga, em sua primeira aparição, também criados por Mantlo.

(1) Deadly Hands of Kung Fu, primeira revista fixa de Mantlo; (2) Micronautas #1, sua primeira grande criação, também com base em brinquedos; (3) Contest of Champios, a primeira minissérie da Marvel – considerada o primeiro grande “evento” do mercado editorial de super-heróis e co-escrito por Mantlo e (4) Manto e Adaga, em sua primeira aparição, também criados por Mantlo.

Aparentemente hiper-ativo, Mantlo não se fez de rogado e, em meados dos anos 80, iniciou faculdade de Direito e acabou se formando e conseguindo emprego como Defensor Público no Bronx, em Nova Iorque. Seus trabalhos na Marvel já haviam diminuído por desentendimentos internos e ele apenas teve um breve momento na DC Comics.

Fã da prática de rollerblade, ele ia e voltava do trabalho todo dia dessa forma em pelo trânsito nova iorquino. Em 17 de julho de 1992, a quatro quadras de sua casa, um automóvel o atingiu, fazendo com que ele batesse com a cabeça no para-brisas. O motorista, que não prestou socorro e fugiu, jamais foi identificado.

O acidente, porém, não matou Mantlo. Talvez seu destino tenha sido pior do que a morte, pois ele sofreu danos cerebrais irreversíveis, que o impedem de raciocinar corretamente e exigem que ele fique constantemente sob supervisão médica em um clínica. Várias campanhas foram feitas por fãs e colegas para juntar dinheiro para o pagamento de suas altas despesas e, pelo que consta, a própria Marvel ajuda financeiramente a família, tendo até levado Guardiões da Galáxia para ele assistir em seu quarto ainda antes do lançamento nos cinemas (uma de suas mais famosas criações é Rocket Raccoon, como mencionado). Sua página de Facebook, mantida por seu irmão Michael, pode ser vista aqui:  https://www.facebook.com/groups/bill.mantlo.fans/?fref=ts.

(1) Bill Mantlo no auge de sua carreira; (2) Mantlo em quadrinhos, cercado de seus personagens e (3) Mantlo hoje, tragicamente preso a uma cama de hospital.

(1) Bill Mantlo no auge de sua carreira; (2) Mantlo em quadrinhos, cercado de seus personagens e (3) Mantlo hoje, tragicamente preso a uma cama de hospital.

Rom, o Cavaleiro do Espaço é, talvez, sua maior criança. A mais ousada, a mais expansiva, a mais intrigante e, infelizmente, a menos lembrada. Mas Rom merece toda a chance de ser (re)descoberto por leitores ávidos de aventuras nostálgicas, com texto simplista, mas bonito, sobre um herói de nobre intenções e completamente altruísta, algo raro de se ver hoje em dia. Enfronhar-se nos detalhes da rica mitologia que literalmente saiu da mente de Mantlo é um grande prazer que todos os leitores de quadrinhos deveriam perseguir.

*Artigo originalmente publicado em 14 de dezembro de 2014.

Rom, o Cavaleiro do Espaço (Rom: Spaceknight, EUA – 1979 a 1986)
Contendo: Rom, o Cavaleiro do Espaço #1 a 75 e Rom: Anual #1 a 4
Roteiro: Bill Mantlo (e outros)
Arte: Sal Buscema (e outros)
Editora (nos EUA): Marvel Comics (de dezembro de 1979 a fevereiro de 1986)
Editora (no Brasil): Editora Abril
Páginas: 1.826 (aprox.)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.