Crítica | Runaways – 1X04: Fifteen

– Contém spoilers.

Seguindo um desastroso início para a mais nova série da Marvel, primeira em parceria com o HuluRunaways, enfim, apresenta sinais de melhoria, mostrando de forma bastante clara o quanto do potencial do seriado foi desperdiçado nos três capítulos inaugurais. Enquanto na tríada anterior acompanhamos narrativas inchadas, repletas da mais pura enrolação, aqui tivemos eventos, de fato, importantes para o desenvolvimento da trama e dos personagens em si – ainda que o foco esteja na relação entre eles, não necessariamente em cada um singularmente.

Fifteen dá prosseguimento de maneira considerável aos diversos lados da história. Divididos entre acreditar que seus pais são assassinos e em tentar provar que foi tudo um mal-entendido, cada um dos personagens centrais procura investigar mais a fundo a fim de inocentar ou ter certeza do que viram na fatídica noite na casa de Alex. Enquanto isso, os membros da PRIDE buscam alguém que possa substituir a vítima já selecionada, já que ela desaparecera da van de Victor Stein. Do outro lado, temos os pais de Gert procurando o dinossauro que escapara de sua casa.

Enquanto os três primeiros episódios focaram quase que exclusivamente no relacionamento dos amigos, esse quarto notavelmente deu mais importância ao elemento fantasia/ ficção científica da série, além, é claro, de explorar todo o suspense envolvendo os pais dos adolescentes. Há uma maior sensação de aventura aqui, que estava, em partes, ausente anteriormente, com o roteiro de Tamara Becher-Wilkinson sabendo dosar bem as doses de drama com os tons aventurescos. Curiosamente, seja pela imersão ou pela própria forma como os problemas pessoais de cada personagem é levantado, passamos a conhecer mais desses indivíduos, de forma bem mais significativa do que vimos antes.

Importante notar, também, como a personalidade dos pais começa a fugir do preto no branco – sim, eles ainda tinham o lado paternal, mas esconder seu lado sombrio não é o mesmo que profundidade. Bom exemplo disso é Stein, que permanecia como o estereótipo do péssimo pai, mas que começa a ganhar novas cores aqui. O mesmo, infelizmente, não pode ser dito de Tina, que é a representação do vilão de colarinho-branco, com atuação extremamente teatralizada de  Brittany Ishibashi.

Ainda que todo a direção de arte esteja longe de chamar a atenção – mais sobre isso na crítica dos três primeiros episódios – não posso deixar de tecer elogios à representação do poder de Karolina (ainda que esse pareça, por enquanto, de uma inutilidade gigantesca) e ao dinossauro, que foge do básico e tenebroso CGI, misturando o digital com efeitos práticos. Claro que o design da criatura não chega aos pés do que vemos em Jurassic Park, mas seria um tanto quanto injusto realizar essa comparação, por inúmeras e óbvias razões.

O que ainda incomoda no roteiro da série são os pares formados em cada episódio. Tudo segue da maneira mais previsível e burocrática possível, sempre favorecendo as paixonites dos adolescentes, na tentativa evidente de criar arcos românticos para os personagens. Dentro desses, impossível não notar a completa ausência de química entre Karolina e Chase, ambos ainda não totalmente à vontade nos papéis. Felizmente o mesmo não ocorre em relação a Alex e Nico, que soam, de fato, “parceiros no crime”.

Mesmo com tais pontos levantados, Fifteen demonstra ser substancialmente superior ao que veio antes em Runaways, podendo significar que os episódios inaugurais são apenas o elo mais fraco dessa primeira temporada, não representando, necessariamente, tudo o que a série pode oferecer. Resta torcer para que os outros episódios melhorem a fórmula.

Runaways – 1X04: Fifteen — EUA, 28 de outubro de 2017
Criação: 
Josh Schwartz, Stephanie Savage
Showrunner: Josh Schwartz, Stephanie Savage
Direção: Ramsey Nickell
Roteiro: Tamara Becher-Wilkinson
Elenco: Rhenzy Feliz, Lyrica Okano, Ariela Barer, Cris D’Annunzio, Cody Mayo, Virginia Gardner, Gregg Sulkin, Allegra Acosta, Angel Parker, Ryan Sands, Annie Wersching, Kip Pardue
Duração:45 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.