Crítica | Saco de Ossos (Bag of Bones)

estrelas 3

O anúncio de série baseada em um romance escrito por Stephen King não pode deixar de causar frenesi nos apreciadores de boas construções de suspense e terror. Há sempre alguma incerteza em relação às adaptações das obras de King. Algumas tendem alcançam níveis até mais elevados que o próprio livro, a exemplo de Carrie, a estranha (1976), O Iluminado (1980) e Louca Obsessão (1990). Outras, como A Janela Secreta (2004), além de serem terrivelmente previsíveis, são grandes decepções ao espectador.

Saco de Ossos (2011) divide opiniões. Enquanto boa parte do público afirma que essa já foi a pior adaptação às obras de King já feita, uma parcela mais otimista defende a série e não subestima seu potencial. Eu normalmente tendo a ser pessimista, mas confesso ser complacente em relação a produções de terror, principalmente quando baseadas em obras de escritores geniais como Stephen King.

A minissérie de terror conta a história de Mike Noonan (Pierce Brosnan), um escritor que busca inspiração em sua casa do lago, após perder a mulher Jo Noonan (Annabeth Gish), esperando o primeiro filho do casal. Lá, Mike passa por um processo turbulento e nostálgico, envolvendo sua esposa falecida e alguns eventos sobrenaturais que passaram a acontecer ali. O escritor decide então investigar a história da casa de modo a compreender os episódios paranormais que acontecem no lugar e descobre que o espírito de Jo não é o único a rondar o lago.

Sem entrar nos pormenores do enredo, o que com certeza pode ser dito sobre Saco de Ossos é que a produção não foi feita com desleixo. A minissérie se mostra bem preocupada desde a escolha do elenco, muito bom por sinal, até os cenários, enquadramentos e posicionamento de iluminação que tornam possível a ambientação ao clima de terror.

A narrativa da série é outro ponto alto. Saco de Ossos consegue se manter linear e concreta, ainda que seja constante a presença de flashes da memória e sonhos de Mike. Talvez o problema esteja na dinâmica com a qual os episódios se desenvolvem. Enquanto o primeiro episódio, ainda que intrigante e bastante maduro, corra lento sem grandes momentos, tudo na segunda parte parece se desenvolver rápido demais, sem tempo suficiente para que aquilo impressione quem está assistindo.

Saco de Ossos não é uma minissérie necessariamente ruim, mas talvez não tenha sido pensada como tal. A impressão que temos ao assistir Saco de Ossos é um grande problema de catalogação. Não se pode dizer que a produção é um filme, tampouco deve-se afirmar a presença da linguagem de minissérie a Saco de Ossos. O que temos é um formato sem encaixe e pouco aplicável na televisão. Longe de ser memorável e sem muitas novidades a contribuir para o gênero, a adaptação não é ruim, mas tende a cair no esquecimento (se é que já não caiu) em muito pouco tempo.

Saco de Ossos (Bag of Bones, EUA, 2011)
Direção: Mick Garris
Roteiro: Matt Venne
Elenco: Pierce Brosnan, Melissa George, Anabeth Gish
Duração: 157 min.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.