Crítica | Saga – Vol. 2

estrelas 5

Algum produtor precisa prestar atenção em Saga. Não é possível que não haja ainda discussões para adaptar essa maravilha dos quadrinhos de fantasia/ficção científica para o cinema ou, talvez, uma série de TV. Temos zumbis e vampiros para todo lado. Super-heróis saindo pelo ladrão, mas uma boa saga espacial no estilo Star Wars ninguém pensa em fazer? Hollywood, atenção, por favor!

Não sabe o que é Saga? Sugiro a leitura da minha crítica ao primeiro volume, para você entender o contexto dessa aventura épica. E, se você saber ler em inglês e gosta do gênero, não deixe de catar essa publicação de qualquer jeito. É uma pena que a Panini ou alguma outra editora ainda também não tenha acordado para essa série mensal da Image Comics.

Passada em outra galáxia, Saga, muito resumidamente, é Romeu e Julieta no espaço, com um casal de facções guerreiras opostas se apaixonando e tendo uma filha no processo. Ela – Alana – é um ser alado que usa tecnologia e ele – Marko – é um ser chifrudo que usa magia. Reunindo muito bem elementos de ficção científica e fantasia, o autor, Brian K. Vaughan, nos conta uma “ópera espacial” extremamente imaginativa e original, diferente de muito coisa que vem sendo oferecida por aí. Mas não é uma história para crianças. Muito ao contrário, aliás. Há muita violência e sexo, tendo um dos números sido banido da App Store da Apple, por mostrar sexo explícito homossexual.  A censura não se justifica, mas, considerando que as imagens, apesar de pequenas, era bem gráficas, no estilo filme pornográfico, e considerando que tem muita criança acessando e comprando pela App Store, não dá para condenar completamente a Apple.

saga 2Mas fica o aviso. Quem, porém, não se importar com cenas fortes, terá servido um banquete visual que vai explodir sua mente. A saga de Saga (não resisti, he, he) é gigantesca, abarcando mundos e galáxias, mas também é muito intimista, focada no seio familiar formado por Alana, Marko, a filhinha deles e, nesse segundo volume, o pai e a mão de Marko. Os dois aparecem, literalmente como um passe de mágica, na nave-árvore do casal (sim, uma nave árvore mesmo) para demonstrarem seu desgosto pela união do filho com alguém de Landfall, inimigo mortal da raça deles e revolucionam a vida dos dois. A mãe acompanha Marko até um planeta próximo para resgatar Izabel, a babá fantasma de sua filhinha e dá de cara com um troll absurdamente gigante com o “saco” à mostra, em uma cena ao mesmo tempo grotesca e hilária. O pai, por sua vez, fica para trás com Alana e uma relação muito bonita começa a se formar entre eles dois e a menininha ainda bebê (a história é narrada pela criança já mais velha).

Do outro lado, temos The Will, um caçador de recompensas contratado pela ex-noiva de Marko, Gwendolyn, para caçar os dois. Acontece que Gwendolyn não se dá por satisfeita com o fiasco da primeira missão de The Will no primeiro volume e parte ela mesmo para se encontrar com ele, de forma a evitar novos problemas. Uma improvável aliança se forma e outra bastante intrigante relação começa.

E o melhor é que Vaughan oferece muito em termos da vida pregressa dos personagens. Vemos um pouco da guerra entre Landfall e Wreath (lua de Landfall e onde o povo de Marko vive) e aprendemos como Alana e Marko se conheceram e começaram a namorar. O universo também é expandido quando entramos um pouco mais no passado de The Will e seu estranho relacionamento com The Stalk, uma caçadora de recompensas que parece uma aranha.

Mas o mais estranho eu deixei para o final: na mitologia criada por Vaughan, existe uma raça bio-cibernética (não sei nem se esse termo existe) de seres humanoides com cabeça de televisão, mas não uma televisão de tela plana e sim daquelas antigas, com tubo de imagem. E essa raça é organizada como uma monarquia, sendo que o foco é em Príncipe Robô IV. Aprendemos muito pouco sobre ela, mas o tal Príncipe também quer colocar as mãos no casal de pombinhos e na filhinha deles.

É fascinante a viagem que Vaughan nos permite fazer. E tudo melhora com os lindos traços de Fiona Staples. Como disse na crítica anterior, ela não trabalha os detalhes, mas seus traços firmes e fisionomias marcantes, além de uma imaginação aparentemente sem fim para criar seres estranhos faz de Saga uma HQ imperdível.  Fico só imaginando como seria isso no cinema…

Saga, Vol. 2 (EUA, reunindo Saga # 7 a 12)
Roteiro: Brian K. Vaugh
Arte: Fiona Staples
Editora: Image Comics (novembro a abril de 2013)
Páginas: 152

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.