Crítica | Salvo

Salvo (Saleh Bakri) é um assassino da Mafia Italiana que ao invadir a casa de seu alvo, durante uma de suas missões, entra em contato com Rita (Sara Serraiocco), a irmã do homem que deve matar. A menina é cega e demora a perceber a presença do intruso na casa e quando o faz já é tarde. Salvo cumpre seu dever de assassinato e, sem um motivo aparente, sequestra a garota, levando-a para um armazém abandonado. A máfia acredita que a garota está morta e não deve descobrir a verdade.

O desenrolar do filme oscila entre a relação entre Salvo e Rita – o estranho cuidado do assassino pela menina como um animal de estimação – e o cuidado do matador para que seus chefes não descubram sobre a garota. O longa, porém, nos conta essa história de maneira confusa, sempre deixando o espectador no escuro, causando diversos estranhamentos e até desconforto – como uma história mal contada, cheia de buracos.

O relacionamento entre Salvo e Rita, embora seja o foco principal da película, se constrói de maneira artificial. Em uma óbvia tentativa de ilustrar uma Síndrome de Estocolmo na menina encarcerada, a crescente afeição da garota pelo seu sequestrador é inexplicável. O filme se passa em um período de, no máximo, uma semana.

Os problemas do roteiro, contudo, não se limitam a esse. Em um determinado ponto do filme, inacreditavelmente, a menina aparentemente deixa de ser cega, passando a andar e agir como uma pessoa de visão normal. A mudança é repentina e sem motivo, o filme passa a demonstrar a menina como se ela nunca fosse cega, mesmo tendo mostrado planos ponto de vista da menina nos quais sua visão é totalmente branca.

Somado a esses fatores, Salvo ainda apresenta uma desconfortável iluminação. O filme todo é muito escuro, mal iluminado, e em grande parte do longa não conseguimos ver as expressões dos personagens e até parte de suas ações. Isso acaba por desvalorizar a atuação dos atores e a própria fotografia que apresenta ótimos enquadramentos.

Salvo é um filme que tenta explorar o emocional de seus personagens e mal consegue arranhar a superfície. É um filme confuso e incômodo de se assistir que vai fazer com que muitos implorem por uma cena à luz do dia.

Salvo  Itália, 2013
Direção: Fabio Grassadonia, Antonio Piazza
Roteiro: Fabio Grassadonia, Antonio Piazza
Elenco: Saleh Bakri, Luigi Lo Cascio, Sara Serraiocco, Giuditta Perriera, Mario Pupella
Duração: 104 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.