Crítica | Samurai Jack – 2ª Temporada

estrelas 5,0

A primeira temporada de Samurai Jack rapidamente captou a atenção de todos, através de sua arte e narrativa fora do comum para os desenhos animados para televisão. Tendo concorrido a inúmeros prêmios, ganhando, inclusive, três Annie Awards, era natural que a série seria renovada para a segunda temporada, um grande alívio para os fãs, já que o samurai ainda estava longe de conseguir voltar para seu tempo (o que jamais chegamos a ver, a menos que a quinta temporada nos salve). Dito isso, esse segundo ano do seriado continua a eterna jornada de Jack, aproveitando cada centelha da loucura desse mundo dominado por Aku.

Seguindo os moldes da temporada anterior, temos aqui novamente treze episódios que funcionam como obras fechadas em si próprias. Cada um nos conta uma história diferente, como pequenos contos que exploram as aventuras do samurai nesse futuro. O ano já começa muito bem, deixando claro qual o objetivo principal do protagonista, através de Jack Learns to Jump Good, certamente um dos melhores episódios da série até aqui, que explora mais o lado cômico do desenho com o carismático menino criado por macacos roubando a cena – mais uma das inúmeras referências realizadas pela animação. Em apenas vinte minutos, (re)aprendemos que Jack procura voltar ao passado, que Aku é o vilão e sobre a essência benevolente do personagem principal.

Evidente que a natureza procedural do desenho pode acabar desestimulando alguns a continuarem assistindo. Samurai Jack não chega a avançar verdadeiramente em sua história principal, existindo a velha repetição de Jack chegando perto de alguma forma de voltar a seu tempo, apenas para ter ela arrancada diante de seus olhos. Não coloco isso, porém, como um defeito do desenho, visto que cada um de seus capítulos consegue mais do que nos manter vidrados em sua narrativa, abordando diferentes culturas e citando dezenas de outras obras, sejam quadrinhos, filmes ou livros. A importância da animação não está em seu fim e sim em cada passo de seu desenvolvimento.

Não irei comentar a fundo sobre a animação em si, visto que o estilo da primeira temporada se mantém e já falei sobre ela na crítica anterior (basta clicar aqui para conferir), o que efetivamente diferencia esse segundo ano do primeiro é uma ênfase maior em cenários naturais, escapando das caóticas cidades que vimos em alguns capítulos do anterior. A presença de Aku também é reduzida, mas suas aparições são mais que bem vindas, especialmente considerando o excelente trabalho de dublagem realizado por Mako, que aliado das hilárias expressões faciais do vilão o tornam uma peça rara.

Já que falamos da dublagem, acho importante ressaltar a qualidade das vozes originais do desenho. Embora a brasileira também seja ótima, muito acaba se perdendo, especialmente quando tratamos de personagens com sotaque, como o próprio Jack e o escocês, cuja voz é um dos aspectos mais marcantes. Cada um dos indivíduos apresentados conta com vozes que realmente se encaixam com eles, chegando ao ponto que não conseguimos imaginar Jack ou Aku com outra a não ser dos dubladores originais. Evidente que não desmereço a brasileira, que conta com Guilherme Briggs como o samurai, mas aqui faço um apelo para que conheçam ambas as versões.

Ainda no som, a trilha sonora segue por um caminho levemente diferenciado da primeira. Enquanto no ano anterior tivemos uma mistura maior de sons techno com a música orquestrada, aqui as faixas assumem uma postura mais épica, se apoiando menos no eletrônico, o que perfeitamente condiz com o afastamento das cidades mencionado anteriormente. A identidade sonora, contudo, ainda se mantém, com as melodias refletindo o foco da narrativa de cada episódio, um bom exemplo disso é o episódio com o escocês, cujo espaço sonoro é preenchido por gaitas de foles.

A segunda temporada de Samurai Jack, portanto, não deixa a desejar e mantém o padrão de qualidade apresentado no ano anterior. Estamos falando de um desenho que consegue se diferenciar de qualquer outro que já tenhamos visto e que mantém um padrão tão alto que parece que essas duas temporadas foram feitas ao mesmo tempo. Genndy Tartakovsky, junto de toda sua equipe, está de parabéns por nos ter trazido uma animação verdadeiramente inesquecível, merecedora de todos os prêmios que ganhou.

Samurai Jack – 2ª Temporada — EUA, 2002
Criação:
Genndy Tartakovsky
Direção:
Genndy Tartakovsky, Randy Myers, Rob Renzetti, Robert Alvarez
Roteiro:
Bryan Andrews, Brian Larsen, Erik Wiese, Chris Mitchell, Chris Reccardi, Mark Andrews, Charlie Bean, Aaron Springer, Genndy Tartakovsky, Paul Rudish
Duração:
13 episódios de aprox. 23 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.