Crítica | Samurai Jack – 4ª Temporada

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estrelas 5,0

  • Leiam, aqui, as críticas das demais temporadas.

A quarta temporada de Samurai Jack representava, até o revival da série em 2017, uma grande tristeza para os fãs. Embora o padrão de qualidade estabelecido no episódio The Beginning se mantivesse inabalável até aqui, os fãs jamais viram o efetivo fim da jornada de Jack, com esse quarto e último (até então) ano do desenho mantendo a sua natureza procedural, não oferecendo qualquer esperança de presenciarmos a derrota de Aku ou a volta do samurai ao seu tempo de origem. Isso não quer dizer, contudo, que a série deixou a desejar, visto que sua proposta era justamente nos contar as diferentes aventuras do guerreiro nessa sua interminável missão.

Já tendo ganhado prêmios Emmy e Annie anteriormente, através dos capítulos The Beginning, Jack and the Spartans The Birth of Evil, era difícil de imaginar que a animação conseguiria superar a qualidade apresentada até aqui. Seasons of Death vem para mudar isso, nos entregando um dos melhores episódios da série, garantindo ainda mais prêmios de destaque ao desenho. Mais uma vez a marca da criatividade de Genndy Tartakovsky e sua equipe se apresenta com todas as forças, nos proporcionando com uma narrativa simples, mas tão visualmente expressiva que não podemos deixar de nos apaixonar por ela.

De fato, como já apontado em críticas das temporadas anteriores, Samurai Jack é, antes e mais nada, uma odisseia visual, o tipo de obra que não deve nada ao cinema e que deve ser aproveitada com a maior calma. Evidente que alguns capítulos assumem uma postura mais cômica, como Jack versus Aku e justamente a intenção de seu criador era criar algo que misturasse ação, comédia e arte mais autoral – mesmo esses alívios cômicos da série, porém, não devem ser descartados, visto que apresentam evidente coragem ao criar planos e sequências que dificilmente vemos em qualquer outro desenho feito para a televisão. Em todos os capítulos enxergamos a preocupação com a forma como a história é contada e não somente com a trama em si.

Se a série animada deixou um legado foi esse. Claro que dezenas de outros conseguem se destacar pelo seus traços ou excelentes roteiros, mas Samurai Jack redefine o que podemos esperar de um desenho para televisão, abrindo caminho para produções mais autorais que viriam nos anos posteriores, como Steven Universe. Estamos falando de algo cuja maior preocupação é a experiência proporcionada ao espectador e nisso  podemos dizer, sem medo, que a criação de Tartakovsky é única, sem qualquer outro precedente que se assemelhe, salvo, é claro, seus influenciadores em outras mídias, como O Lobo Solitário.

É digna de nota, também, nessa temporada, a aparição do Escocês, que não dera as caras no ano anterior. Seu retorno aqui é importante para trazer aquela sensação de que a jornada de Jack é longa e que melhor maneira de proporcionar isso que através de um dos mais icônicos personagens do desenho? O Escocês também é uma marca do poder de expressividade dos traços característicos do desenho, que utiliza muito o olhar para passar mensagens que nem sempre são efetivamente faladas. Claro que o protagonista e Aku são bons exemplos disso, ainda que o vilão seja mais verbal que sua contraparte samurai.

A quarta e, até então, última temporada de Samurai Jack nos proporciona mais uma experiência sensorial que, por muitos anos, deixaria saudades nos fãs que acompanharam a saga do guerreiro fora de seu tempo no Cartoon Network. A ausência de um desfecho propriamente dito não deve ser visto como um fator a desmotivar qualquer um de assistir esse desenho, estamos falando de uma verdadeira obra-prima que resistiu e continuará resistindo o teste do tempo. Isso sem falar que, agora, finalmente veremos um desfecho da longa jornada de Jack, através da quinta temporada a ser televisionada pelo Adult Swim.

Samurai Jack – 4ª Temporada — EUA, 2002
Criação:
Genndy Tartakovsky
Direção:
Genndy Tartakovsky, Randy Myers, Robert Alvarez, Chris Savino
Roteiro:
Chris Reccardi, Aaron Springer, Chris Mitchell, Erik Wiese, Paul Rudish, Charlie Bean, Bryan Andrews, Brian Larsen, Don Shank, Genndy Tartakovsky
Duração:
13 episódios de aprox. 23 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.