Crítica | Samurai Jack – 5X05: XCVI

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estrelas 5,0

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas das demais temporadas.

O episódio anterior de Samurai Jack claramente deu início a um arco específico dentro dessa quinta temporada, envolvendo a redenção de Ashi, que passara por uma extensa lavagem cerebral desde pequena. Mantendo a estrutura não procedural apresentada desde os primeiros capítulos desse ano, XCVI traz alguns velhos e saudosos elementos do desenho original a fim de construir, peça por peça, o desfecho da animação (se é que a emissora não mudar de ideia e estender o seriado por mais alguns anos). Embora se apoie no característico humor do desenho, o tom mais adulto se mantém aqui.

Similarmente aos dois primeiros episódios, que contaram com pequenos prólogos antes de nos levar ao samurai, XCVI tem início com um ataque ao covil de Aku, que nos traz de volta, enfim, um dos personagens mais icônicos do desenho: o Escocês. Dublado novamente por John DiMaggio, que emprestara sua voz ao querido personagem nas temporadas anteriores, não há como não ser pego de surpresa por uma forte nostalgia, especialmente quando a gaita de foles começa a entoar sua melodia, que nos remete, imediatamente, ao clássico capítulo da ponte, lá na primeira temporada, que retratou o primeiro encontro de Jack com esse seu amigo.

O roteiro de Genndy Tartakovsky e Bryan Andrews respeita tudo o que fora construído até esse ponto ao manter a personalidade do Escocês exatamente a mesma, especialmente sua verborragia, que, inclusive, somente é interrompida pelo raio laser lançado pelo olho do vilão. Sua morte mantém o humor inerente a esse personagem, sendo retratada de forma cômica, o que cria um interessante paralelo com as mortes do lado da história de Jack. Aqui a vemos sendo retratada sem grandes floreios, como se nada fora do comum estivesse acontecendo, simbolizando perfeitamente a crueldade do ser, que não valoriza nem um pouco a vida.

O restante do capítulo, por sua vez, foca na relação entre o protagonista e a ex-Filha de Aku, com Jack mostrando a verdade em relação ao Mal que ele tem combatido há cinquenta anos. Chega a ser impressionante como, em apenas vinte e dois minutos, a narrativa consegue construir essa mudança de perspectiva na personagem, mascarando a curta duração do episódio com inúmeras sequências, intercaladas por elipses que nos levam de lugar em lugar marcado pelas vilanias do demônio. Aos poucos Ashi vai se tornando outra pessoa, aproveitando aquela visão da garota nos mostrada no première, ainda durante seu treinamento.

Em virtude desse foco e, é claro, a presença do Escocês nos minutos iniciais, era bastante previsível que XCVI seria mais um capítulo com mais diálogos quando comparado ao três primeiros da temporada. Isso, contudo, não nos afasta nem um pouco da qualidade apresentada até aqui, já que o aumento de falas é diretamente proporcional à sensação de urgência transmitida pelo desenho. De início tínhamos o herói perdido e agora sua jornada para se reencontrar é iniciada, ainda que ele próprio não saiba disso.

Definitivamente o que irá motivar o retorno às suas origens é o grande trauma passado no final do episódio em questão, que demonstra o horror de Jack de forma bastante clara através de um desconfortável close no rosto do protagonista. Já suspeitávamos antes e a teoria de que a figura misteriosa no cavalo simboliza a morte apenas se torna mais forte, especialmente agora que o samurai acredita ter feito algo pelo qual ele jamais se perdoaria: provocar a morte de crianças. Vale ressaltar que a cor verde é constantemente utilizada a fim de simbolizar a doença, a morte e outras enfermidades. Retomamos à questão sobre o peso da morte nos dois lados da moeda – enquanto Aku destrói sem piedade, Jack é profundamente abalado somente por acreditar que matou inocentes.

XCVI, mesmo demonstrando o início da redenção de Ashi e contando com algumas pinceladas de humor, ligadas à figura do Escocês, demonstra ser um episódio com um gigantesco peso não somente para a narrativa central da série em si, como para o emocional de seu protagonista. Vemos, enfim, Jack “quebrando” de uma vez por todas e será preciso que alguém o traga de volta da morte, mesmo que essa seja espiritual e não física. Dito isso, se não chegamos, estamos bem perto de um grande ponto de virada da temporada, que certamente trará, consigo, inúmeras mudanças daqui para a frente.

Samurai Jack – 5X05: XCVI — EUA, 2017
Direção:
 Genndy Tartakovsky
Roteiro: Genndy Tartakovsky, Bryan Andrews
Elenco: Phil LaMarr, Tara Strong, John DiMaggio, Greg Baldwin,  Grey DeLisle, Aaron LaPlante, Chris Parnell
Duração: 22 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.