Crítica | Samurai Jack – 5X07: XCVIII

estrelas 5,0

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas das demais temporadas.

Jack percorreu um longo caminho desde a estreia da quinta temporada, em XCII até o seu sétimo episódio, XCVIII. Vimos o samurai batalhando assassinos de Aku, besouros robóticos, as Filhas de Aku, convencendo Ashi de que ela passara por uma lavagem cerebral e mais. Chegou a hora, portanto, do herói retornar a ser quem ele era e, para isso, precisa de sua espada. A katana, herdada de seu pai, contudo, não é uma qualquer, é uma espada mágica forjada pelos deuses utilizando o próprio sentimento de Justiça e, por isso, é a única capaz de derrotar o demônio que pode alterar sua própria forma.

Com isso em mente, Jack e Ashi partem para o local onde o guerreiro perdera a katana há tantos anos: no topo de uma montanha. Iniciamos o episódio com um flashback, no qual vemos o velho samurai, com sua roupa de sempre e sem a espessa barba que agora toma conta de seu rosto. Descobrimos, pois, como ele viera a perder a lâmina e logo cedo o protagonista enxerga que ele não perdera a sua espada e sim o seu caminho – graças a isso, ela se distanciou dele, retornando para o além. XCVIII é um capítulo sobre o herói se reencontrando, voltando a ser quem ele era quando iniciou sua jornada no futuro, é um mergulho na mente de Jack, que deve abandonar sua ira e frustração.

Seguindo o estilo dos capítulos anteriores, esse conta com mais diálogos, mas isso não quer dizer que Genndy Tartakovsky não tenha espaço para criar sua arte. Vemos isso claramente na meditação de Jack, com dias e dias se passando enquanto um exército de Aku se aproxima. A sequência, desde já, define a mudança pela qual o protagonista passará. Aquilo que fez ele perder seu caminho fora a falta de possibilidade de voltar ao passado, foi ficar preso fora de seu tempo, sem envelhecer. Ao meditar e ter os dias passando à sua volta, portanto, enxergamos que ele, agora, aceita sua condição e fará o que for necessário para alcançar seu objetivo.

Aqui entramos um ponto importante: o objetivo final não é o que importa e sim a maneira como o herói percorre o caminho até ele. Jack vê isso ao perceber como sua ira tomara conta de si, enchendo-o de desesperança, algo que quase o levou à morte no capítulo anterior. Ao se livrar dessa parte de si, portanto, o protagonista consegue superar todas as derrotas que sofrera nas mãos de Aku, todas as vezes que ele destruíra o portal quando o samurai estava prestes a retornar para seu tempo. Além disso, temos, aqui, o herói realmente conseguindo se livrar da culpa que ele carregou por todo esse tempo, por não ter salvado sua família e, claro, por ter matado seres inocentes e, aqui, mesmo as filhas de Aku se entregam, já que elas passaram por lavagem cerebral.

XCVIII, porém, não é somente sobre Jack, é igualmente sobre Ashi, que, também, deve enfrentar o seu passado, a parte sombria de si mesma. De início vemos a guerreira sendo tomada pela euforia da batalha, o que é utilizado para criar excelentes gags através do contraste com Jack fazendo o chã na maior calma do mundo. Essa determinação em não deixar o samurai morrer revela perfeitamente a sua atual disposição, sendo capaz de fazer absolutamente tudo para protegê-lo. É certo dizer, portanto, que sua personalidade não se alterou tanto quando foi para o lado dos “bonzinhos”, ela apenas trocou suas alianças. O que merece mais destaque, contudo, é a morte da Alta Sacerdotisa, que representa, claro, o que Ashi era antes de se encontrar com o samurai.

O sétimo episódio da quinta temporada de Samurai Jack nos mostra o herói cruzando grandes distâncias para encontrar sua lendária espada e descobre que, o tempo todo, ela estivera ao seu lado. Enfim vemos o retorno daquele personagem que conhecemos há tanto tempo na primeira temporada, com direito a uma mudança “express” de visual que se encaixa como uma luva na proposta do capítulo – ainda que seria interessante ver a transformação gradual, com Jack se barbeando lentamente e cortando seu cabelo. Diante do que enxergamos aqui, porém, não há como reclamar, afinal, não é sempre que vemos, em um desenho de vinte e poucos minutos, um personagem calmamente fazendo chá.

Samurai Jack – 5X07: XCVIII — EUA, 29 de abril de 2017
Direção:
 Genndy Tartakovsky
Roteiro: Bryan Andrews
Elenco: Phil LaMarr, Greg Baldwin, Tara Strong, Keone Young, Daran Norris, Aaron LaPlante, Grey DeLisle
Duração: 22 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.