Crítica | Samurai Jack – 5X10: CI

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Episódio e temporada:

estrelas 5,0
Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas das demais temporadas.

Foi uma longa jornada para Samurai Jack, tanto na trama quanto para a série em si, que, depois de treze anos ganhou uma nova temporada, com o objetivo e nos mostrar o fim das aventuras do samurai no futuro. CI nos entrega justamente isso em um episódio focado quase que exclusivamente na história e não nos personagens (como foram muitos desse quinto ano). Digo quase pois, nos minutos finais Genndy Tartakovsky e Bryan Andrews nos lembram de que estamos nessa segunda e última fase da jornada, resgatando, subitamente, um de seus principais temas: a paz espiritual.

Derrotado por Aku, que dominara Ashi, Jack se vê preso na fortaleza do vilão, que faz um livestream para todo o mundo cantando sua vitória, mostrando a clássica abertura narrada por ele próprio, uma clara homenagem a Mako, dublador do vilão, que falecera há alguns anos. Nesse momento, todos aqueles que Jack ajudara ao longo dos anos assistem a tragédia do samurai e correm para o seu resgate. Do Escocês até os Woolies, todos atacam o mestre da escuridão, enquanto o próprio protagonista tenta conseguir sua espada de volta. Entre ele e sua lendária arma, porém, se encontra Ashi, que luta para se livrar do domínio do demônio.

CI certamente é um capítulo recheado de fan-service, mas estamos falando do series finale, não trazer elementos do passado de volta seria praticamente um erro, ignorando toda a jornada de Jack. A presença desses aliados de Jack mostra, de uma vez por todas, que todos aqueles episódios nos quais ele salvara e ajudara indivíduos aleatórios não foram meramente fillers, tudo aquilo levou a esse ponto, possibilitando que o guerreiro retornasse ao passado para destruir Aku. Com uma jogada de mestre, Tartakovsky e Andrews valorizam tudo o que veio antes, sem se esquecer do futuro da série, criando uma mistura homogênea de tudo o que assistimos ao longo desses anos.

De início fiquei verdadeiramente preocupado em relação à duração do capítulo – afinal, o samurai precisaria, ainda, retornar ao passado para derrotar seu arqui-inimigo. Dito isso, CI, em alguns pontos, soa ágil, mas não ao ponto de estragar sua narrativa. Os roteiristas sabiam que esse era o único caminho possível e não perdem tempo com questões desnecessárias e, em muitos pontos, todo o episódio soa como uma despedida aos diversos personagens que conhecemos no seriado, seja o Escocês, com sua gaita de fole mágica ou a própria Ashi, que nos entrega um triste final, que se encaixa perfeitamente com o que vimos durante essa temporada.

Mesmo a batalha final, que se resolve em poucos instantes, não poderia ser diferente. Vale lembrar que Aku, de fato, jamais tivera qualquer chance contra Jack e sua espada, ele trapaceava, fugia e, claro, chegou a mandar o guerreiro para o futuro a fim de fugir da morte. Com Ashi utilizando os poderes de Aku contra ele, ao criar o portal do tempo, vemos a cartada final contra o vilão, simbolizando sua derrota absoluta, com sua própria magia o vencendo. O retorno para o passado se transforma, portanto, em quase um epílogo e o demônio já estava derrotado, em todos os sentidos, nesse momento, só restava a Jack empregar o golpe final e Tartakovsky torna esse momento inesquecível não só pelo que ele representa em si, como pela divisão da tela que tanto marcara a série desde o seu princípio.

Depois de tudo isso, tamanhas foram as tragédias vividas por Jack que, na sequência de seu casamento, até estranhamos que tudo está dando certo. A direção de Tartakovsky brinca com isso, empregando planos longos, que atrasam o esperado final feliz, o qual, de fato, não vem da maneira como esperávamos. Ao ver sua amada desaparecer, Jack inicia uma solitária meditação abaixo de uma árvore e seu ânimo é levantado por uma joaninha que pousa sobre o seu dedo, lembrando-o de Ashi, mas, também, o lembrando que o mal que se alastrava sobre o mundo fora derrotado. As cores que se espalham pela tela refletem a aceitação do protagonista, sua paz de espírito. Ele enxerga a beleza sem se esquecer daqueles que o ajudaram a conquistar isso.

É nessa paz que somos deixados no finale de Samurai Jack, com apenas Jack e a natureza em tela, se contrapondo ao futuro tecnológico no qual ele ficara preso por tanto tempo. O guerreiro, finalmente, pode descansar, sabendo que salvara o mundo, ainda que à custa de sua amada e preciosos amigos, que jamais existirão. Nos créditos finais, enfim, não escutamos a clássica melodia dizeno “got to get back, back to the past”, mostrando, de uma vez por todas, que ele cumprira sua missão. Simples e conciso, CI prova ser mais uma obra de arte de Genndy Tartakovsky e Bryan Andrews, que nos entregaram uma temporada irretocável, o final digno dessa série, que certamente permanecerá em nossas memórias como uma das melhores animações já feitas.

Samurai Jack – 5X10: CI — EUA, 20 de maio de 2017
Direção:
 Genndy Tartakovsky
Roteiro: Genndy Tartakovsky, Bryan Andrews
Elenco: Phil LaMarr, Tara Strong,  Greg Baldwin, John DiMaggio, Rob Paulsen, Mako, Jeff Bennett, Daran Norris, Grey DeLisle, Tom Kenny
Duração: 22 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.