Crítica | Santos Justiceiros II – O Retorno

Nove anos depois do cultuado Santos Justiceiros, o diretor e roteirista do primeiro, Troy Duffy, conseguiu reunir a dupla novamente para fazer uma continuação. Infelizmente, apesar de todo o potencial que ele demonstrou no original, no segundo ele não fez mais do que uma espécie de remake só que sem aquelas pequenas, mas geniais cenas (como a do confessionário e a do gato) que marcaram o primeiro filme e, principalmente, sem Willem Dafoe e David Della Rocco, cujas atuações emprestaram o verdadeiro sabor do filme. Santos Justiceiros II – O Retorno soou, apenas, como um fraco eco do primeiro, uma repetição com menos alma e efetividade, mas com mais explosões.

Aviso que há spoilers leves apenas do primeiro filme a seguir.

Em Santo Justiceiros, encontramos os irmãos Connor e Murphy McManus (Sean Patrick Flanery e Norman Reedus, reprisando seus marcantes papéis) vivendo pacatamente na Irlanda, cuidando de ovelhas, juntamente com seu Poppa (o ótimo Billy Connolly também reprisando seu sensacional papel), até que um assassino usa o modus operandi dos irmãos para matar um padre em Boston. É claro que tudo é uma maneira de atrair os verdadeiros irmãos McManus de volta aos EUA de forma que os mafiosos locais possam acabar com eles. Sem pestanejar, os irmãos mordem a isca, voltam às armas, unem-se ao chatíssimo mexicano Romeo (Clifton Collins Jr.) e, novamente, vão estourar os miolos dos bandidos.

O problema é que Troy Duffy não se esforçou nem um pouco para criar algo minimamente original, como fez no primeiro filme. Romeo é a versão porca de Rocco (que morre no primeiro filme) e Paul Smecker (o fantástico personagem vivido por Willem Dafoe) é substituído por uma agente do FBI chamada Eunice (Julie Benz, de Dexter) que é uma espécie de herdeira de Smecker e que, por isso, convenientemente segue exatamente as mesmas técnicas de seu mestre. Duffy não tem vergonha alguma de usar o mesmo artifício de flashbacks do primeiro filme, em que Smecker – agora Eunice – caminha pelos locais de crime e recria, como se estivesse no momento dos eventos, tudo que aconteceu, em seus mínimos detalhes. É algo sensacional em Santos Justiceiros, mas que, na parte II, torna-se repetitivo e até sem graça.

Primeiro, apesar do enorme charme e beleza de Julie Benz (ela está especialmente bonita nesse filme), ela não se compara ao feioso, mas carismático Willem Dafoe. Segundo, se lembrarmos o que faz o personagem de Dafoe ao final do primeiro filme, aí sim a comparação torna-se ainda mais injusta para Benz. A única coisa boa dessa história toda é que Duffy não teve a desfaçatez de impor a Benz a transformação por que passa Dafoe. Seria patético demais.

E os planos infalíveis dos irmãos McManus são fac símiles dos planos da obra original. Até mesmo a entrada triunfal de Poppa é “chupada” da fita original de Duffy, mas sem qualquer impacto. Nem mesmo a participação especialíssima de Peter Fonda traz alguma coisa nova para essa obra que não seja a indagação de como Fonda aceitou fazer esse papel depois de ler o roteiro (se é que leu…).

Mas, felizmente, o filme continua sendo minimamente divertido. No entanto, como praticamente todas as continuações hollywoodianas, aquilo que era bacana, cool, original e também divertido no primeiro filme, tornou-se, apenas, “divertido” nesse segundo. Em Santos Justiceiros II, essa diversão, em particular, tornou-se completamente caricata, escrachada e, em última análise, quase sem graça. Ou seja, Troy Duffy requenta sua criação e serve uma sopa morna, quase sem gosto, que apenas lembra lá no fundo a receita original. Nem mesmo o interessante final – que, lógico, abre as portas para uma continuação potencialmente diferente –  ajuda muito aqui.

Como continuação, Santos Justiceiros II – O Retorno é apenas um remake não mais do que passável. É certamente mais sadio ficar apenas com o primeiro.

Santos Justiceiros II – O Retorno (The Boondock Saints II: All Saints Day, EUA – 2009)
Direção: Troy Duffy
Roteiro: Troy Duffy
Elenco: Sean Patrick Flanery, Norman Reedus, Billy Connolly, Clifton Collins Jr., Julie Benz, Bob Marley, Brian Mahoney, David Ferry, David Della Rocco, Peter Fonda, Daniel DeSanto, Gerard Parkes, Matthew Lemche, Robert Mauriell, Judd Nelson, Robb Wells
Duração: 118 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.