Crítica | Sarah Jane Smith: Comeback e The TAO Connection

A Série Sarah Jane Smith foi produzida pela Big Finish entre 2002 e 2006 e teve como foco principal histórias que abordavam a vida de Sarah Jane logo após a sua partida como companion do Doutor. Em termos espaço-temporais, podemos afirmar que a série teve lugar nos dias atuais e, evidentemente, após os acontecimentos de A Girl’s Best Friend. A despeito disso, K-9 Mark III não aparece nessas histórias.

O último episódio da série, Dreamland, foi lançado apenas algumas semanas antes do retorno de Elisabeth Sladen a Doctor Who, no episódio School Reunion. No ano seguinte, a atriz ganharia sua própria série, um spin-off de DW direcionado para o público infanto-juvenil: The Sarah Jane Adventures.

Os dois textos da presente publicação correspondem aos episódios 1 e 2 da 1ª Temporada de Sarah Jane Smith.

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Comeback

1X01 – Series Premiere
estrelas 4

Equipe: Sarah Jane Smith, Josh Townsend, Natalie Redfern
Espaço-tempo: Vila Cloots Coombe (Reino Unido), 2002

Sarah Jane Smith está de volta e em grande estilo.

Após sua luta contra o Culto de Hécate em A Girl’s Best Friend (1981), a personagem passou um tempo fora de grandes projetos do Universo Who, mas isso mudou com o surgimento dessa série em áudio criada pela Big Finish em 2002.

Nessa aventura de estreia, Sarah trabalha como agente disfarçada em um banco. E sua vida não é nem de perto um paraíso.

A aventura começa com Sarah Jane chorando por sua tia Lavinia, que falecera. Nesse momento da história ela é uma personalidade importante, uma jornalista investigativa de uma rede de TV chamada Planet 3. Sua especialidade é disfarçar-se e se infiltrar em corporações para denunciar os mais diversos crimes e é evidente que ela passa a ser visada por quem se sente ameaçado pelas suas denúncias. Nem nós e nem Sarah Jane sabe, mas o prólogo de luto que abre Comeback é o último momento de ‘glória’ da personagem. Aquela noite seria a última vez que seu programa iria ao ar.

Na cena seguinte estamos em um banco, onde Sarah Jane trabalha como atendente de caixa. O local é assaltado e ela é salva da morte por um jovem chamado Josh Townsend. É evidente que algum tempo cronológico se passou desde a abertura do episódio. Mais adiante saberemos que Sarah denunciou uma empresa de pesca escocesa chamada HalterCorp e que de algum modo a corporação conseguiu fazer com que suas declarações fossem dadas como falsas. Ela foi processada e acusada de ter forjado as informações e por isso mesmo teve sua licença de trabalho e passaporte revogados, sendo obrigada a viver sob identidade falsa por algum tempo.

É nesse turbilhão de acontecimentos desastrosos que acompanhamos mais um início para Sarah Jane. Na busca por ter novamente o seu lugar na sociedade, ela se arrisca e aposta em situações suspeitas (trabalhar sob disfarce em um caixa de banco é um exemplo), embora não faça ideia, ao menos no início, de que as forças por trás de seus infortúnios são realmente muito grandes…

Esse episódio de abertura tem um elenco maravilhoso, com destaque para Elisabeth Sladen (Sarah Jane) e Jeremy James (Josh). Os dois são divertidíssimos juntos.

O ponto mais fraco da aventura está na reta final, não porque os elementos técnicos são ruins, mas porque o enredo dessa parte da trama destoa bastante de todo o resto. Isso é concertado pelo desfecho espirituoso e de ótimo relacionamento entre Sarah Jane e Josh, mas a má impressão anterior não sai de todo da mente do ouvinte. Todavia, o clima de investigação e ampla abertura para aprofundamento da história nos episódios vindouros pairam no ar: o que será dos criminosos parcialmente derrotados por Sarah no primeiro passo das investigações? Como ela vai conseguir ter ‘sua vida’ de volta? Qual o próximo passo?

Sarah Jane Smith – 1ª Temporada (2002)
Roteiro:
 Terrance Dicks
Direção: Gary Russell
Elenco: Elisabeth Sladen, Robin Bowerman, Alistair Lock, Jeremy James, Matthew Brenher, David John, Nicholas Briggs, Sadie Miller, David Jackson, Peter Sowerbutts, Juliet Warner
Duração: 1 episódio de 75 min.
Distribuidora: Big Finish Productions

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The TAO Connection

1X02

estrelas 2

Equipe: Sarah Jane Smith, Josh Townsend, Natalie Redfern
Espaço-tempo: Clínica Huan Ti, Yorkshire (Reino Unido), 2002

A despeito do ótimo retorno de Sarah Jane em Comebak, esta segunda aventura de sua série não faz jus nem à personagem nem ao excelente elenco escalado para realizar o audiodrama em questão. Escrito por Barry Letts, The TAO Connection aborda o mistério da longevidade de um certo bilionário, uma estrutura textual que me lembrou, de alguma forma, o Lama Padmasambhava, possuído pela Grande Inteligência em The Abominable Snowmen.

O problema é que não existe uma conexão imediata ou mesmo uma citação mais incisiva em relação à aventura anterior, o que dá uma aparência de crônicas separadas e individuais — o famoso “caso da semana” — entre um ponto e outro. As conexões são feitas por nós mesmos após raciocinarmos muito a respeito.

O que permanece intacta é a excelente relação de Sarah Jane com Josh e a participação menor de Natalie, uma companion que parece mais uma consultora à distância.

Quando lemos a sinopse da história e vemos o seu título, achamos que a aventura vai para um caminho diferente, talvez ainda mais místico — e mais interessante — do que o apresentado de fato nesse roteiro, mas não funciona bem assim. Porém nem tudo é são lágrimas. O espectador aproveita bem todo o processo de busca empreendido principalmente por Sarah Jane e Josh, os disfarces com direito a mudanças de roupa, cabelo e tudo mais; além de piadas com a cultura pop e referências à época em que Sarah fora companion do Doutor, quando ela, num reflexo, chama Josh de Harry [Sullivan] em dado momento da trama; e o fato de ela usar a habilidade de uma luta chamada Aikido Venusiano. É para fazer qualquer whovian morrer de felicidade, mesmo não tendo um bom episódio em pauta desta vez.

Sarah Jane Smith – 1ª Temporada (2002)
Roteiro:
 Barry Letts
Direção: Gary Russell
Elenco: Elisabeth Sladen, Jeremy James, Sadie Miller, Caroline Burns-Cook, Juliet Warner, Mark Donovan, Alistair Lock, Moray Treadwell, Steven Wickham, Jane McFarlane, Robert Curbishley
Duração: 1 episódio de 73 min.
Distribuidora: Big Finish Productions

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.