Crítica | Savage Wolverine # 1 – Marvel NOW!

Conversa entreouvida nos escritórios da Marvel Comics:

Joe Quesada (cacique da Marvel): Bom, Axel, você sabe que precisamos zerar a numeração do Wolverine também, talvez pela 20ª vez [faz olhos com cifrões como no desenho do Pica Pau]. Ideias?

Axel Alonso (editor chefe): Tenho uma ideia brilhante, vamos chamar de Selvagem Wolverine! Ele não é selvagem? Então…

JQ: Sensacional! Mas tem que ter algo mais. Alguma coisa chamativa.

AA: Eu leio e assisto qualquer coisa que tem dinossauro no meio, até aquela maravilhosa série do Spielberg que foi absurdamente cancelada!

JQ: Fechado então. Wolverine contra dinossauros! Perfeito. Vamos jogá-lo em uma arena e, a cada número, ele luta contra um bicharoco.

AA: Já temos Avengers Arena. Vai dar muito na cara…

JQ: Raios e bugalhos! Se vira aí então.

AA: Hummm, deixa eu ver [o cenho se cerra e ele começa a suar]… Onde é que tem dinossauros no universo Marvel? Na Terra Selvagem, claro. Vamos jogar Wolverine lá. Fica sendo nossa arena, mas discretamente. E ainda podemos enfiá-lo em uma ilha misteriosa, tipo Lost.

JQ: Uau! Que coisa brilhante. Wolverine, ilha de Lost e dinossauros. Cara, você é demais.

AA: [todo prosa] E me surgiu uma coisa agora, algo nunca tentado antes. Já que ele está na Terra Selvagem, podemos usar a gostosa Shanna como coadjuvante.

[Quesada para e um balão de pensamento do Pica Pau – sim, de novo – surge: “Dinheiro, Mulheres, Iates”]

JQ: Mas então tem que ser boazuda mesmo, tipo Playboy.

AA: Fácil: chamamos o Frank Cho para desenhar.

JQ: Putz, maravilha. Bota o cara escrevendo para escrever também.

AA: Mas ele não sabe escrever bem.

JQ: Se temos Wolverine, dinossauros e mulher gostosa, escrever bem é detalhe. Ninguém vai perceber.

savage wolverine cover 1

Bom, prezados leitores, acho que vocês já perceberam em que direção vai minha crítica de Savage Wolveine # 1. Não me levem a mal. Eu adoro o personagem. E é relativamente fácil escrever algo interessante para ele.

Mas aí, alguém vem com essas ideias idiotas como a conversa fictícia acima deixa clara e pronto: temos, basicamente, desperdício de personagem e papel.

E não é que Savage Wolverine seja imprestável. Mas aquilo que sempre vimos e esperamos de Wolverine está lá, como narração em off dele próprio, sangue, mortes violentas e regenerações impossíveis. Acontece que isso é o básico. O rasteiro. O fácil de fazer. Oferecer uma linha narrativa interessante para Wolverine é uma barreira que Frank Cho precisa ultrapassar para tirar sua publicação do flatline.

Capa variante por Milo Manara

É verdade que Cho tentou dar um ar diferente ao tipo de história contada ao enquadrar a revistas como se fosse uma daquelas publicações pulp dos anos 40, com heróis exagerados, mulheres curvilíneas e ação absurda. Acontece que isso só funciona até certo ponto. Wolverine chega em uma ilha misteriosa dentro da Terra Selvagem e encontra neandertais sanguinários, uma agente da S.H.I.E.L.D. moribundo e, claro, Shanna com um biquíni minúsculo. É, literalmente, uma junção de clichês tão pouco inspirada que dá câimbra nos olhos de tanto revirá-los.

O desenho de Cho é bom como sempre, mas não excepcional e fica evidente que ele só está lá para fazer desenhos tipo pin up de Shanna. O uniforme de Wolverine está estranho, espalhafatoso demais, com cores muito alegres. Uma péssima escolha tanto do design de Cho quanto das cores de Jason Keith.

Em resumo: nem se você gostar cegamente de Wolverine, dinossauros e de mulheres gostosas você apreciará irrestritamente Savage Wolverine # 1. Só que, como a revista tem Wolver, dinossauros e mulheres gostosas, podem esperar a crítica do número 2 muito em breve, pois eu não resistirei…

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.