Crítica | Scream 1X05: Exposed

estrelas 2,5

Por um momento eu acreditei que em Exposed entraríamos ainda mais na mente ou no mundo do assassino (ou assassinos, nunca se sabe…), mas o episódio revelou-se uma pequena cratera de “expressões de peixe morto” em alguns atores, trazendo o velho, batido e insuportável clichê de elencar A Letra Escarlate como exemplo de “critica social” para algum tipo de exposição — nesse caso, da vida sexual e Emma e Will (vulgo Três Minutos) — e dispersões desnecessárias justamente quando não precisávamos delas. E o pior de tudo isso é que estamos bem no meio da temporada.

Após o final de Aftermath, estava claro que a tal “exposição” de Emma estaria em pauta na série, mas não imaginávamos que demoraria um episódio inteiro para o roteiro digerir esse tipo de trama! E vejam que não é nada complicado, a tal “exposição” poderia servir de trampolim para outros eventos dramáticos mesmo que voltasse um pouco nos capítulos seguintes, como aconteceu com Audrey em Red Roses. No entanto, o que tivemos nesse episódio foi uma quase estagnação da história dentro da pior formatação narrativa possível, com a criação de subtramas sem importância. Sejam honestos: quem se importa com a mãe de Brooke? Quem se importa com o pai de Brooke? Que mania é essa de querer fazer mímica de Twin Peaks?

Se cortarmos o cyber-bullying, a chantagem, a pornografia adolescente, toda a participação de Kieran no episódio (era melhor que continuasse viajando) e o nonsense de uma nova Detetive na cidade, pouco sobra de incentivo dramático no capítulo. Mas não era para ser assim. A essa altura do campeonato o show tem história e força o bastante para criar eventos marcantes a cada semana sem precisar explodir o espectador com dezenas de reviravoltas, mas eu confesso que preferiria este cenário ao estágio morno e insosso de Exposed.

Parece-me que cada vez mais o assassino se contenta em apenas assustar Emma, mas não dá um passo para machucá-la, de fato. Pensem bem nisso. Quem na verdade sofre na mão de Ghostface são as pessoas ao redor de Emma, mas não ela. E a despeito disso, parece-nos que os roteiristas encontraram material suficiente para gerar uma Emma 2.0, que é uma cópia mal feita da Emma 1.0, só que agora com carinha voluptuosa e uma postura um pouco mais… impaciente em relação aos telefonemas que recebe. Quem sabe no próximo episódio ela não tenha que pagar por isso de uma forma mais incisiva. Vamos torcer.

É inacreditável que um episódio como Exposed tenha sido dirigido pela mesma pessoa que assinou Aftermath. A estrutura técnica do capítulo anterior era segura em inúmeros pontos, desde angulação e organização dos planos até a dinâmica dos atores no quadro, na montagem (embora tenha apresentado falhas grandes, mas não tanto quanto aqui) e especialmente na trilha sonora, que em Exposed é relegada a algumas poucas pontes sem nenhum impacto real para a narrativa, assim como todo o resto da equipe técnica, que funciona no automático. Não existe uma única cena digna de destaque nesse episódio.

Tomara que tudo isso tenha sido apenas uma enganação antes da reta final da temporada começar. Por que, se o padrão de Exposed for o mesmo adotado para os episódios seguintes, Scream já era.

Palpite da semana: Ghostface é Xuxa, após dizer que “fazer o bem é melhor do que plástica“.

Pânico/Scream: 1X05: Exposed (EUA, 28 de julho de 2015)
Direção: Brian Dannelly
Roteiro: David Coggeshall, Meredith Glynn, David Coggeshall, Jay Beattie, Dan Dworkin, Jill E. Blotevogel
Elenco: Willa Fitzgerald, Bex Taylor-Klaus, John Karna, Amadeus Serafini, Connor Weil, Carlson Young, Jason Wiles, Tracy Middendorf, Bryan Batt, Amelia Rose Blaire, Sophina Brown, Bobby Campo, Tom Maden
Duração: 45 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.