Crítica | Scream 1X08 e 9: Ghosts e The Dance

estrelas 3Os eventos desses dois últimos episódios de Scream dividem a série em dois momentos bem diferentes em termos de abordagem. Enquanto Ghosts mostrou um drama mais ou menos aceitável para as semi-revelações que faz, The Dance fez jus ao posto de penúltimo episódio da temporada e colocou em pauta uma série de questões importantes, algumas bastante chocantes, algo que a roteirista e uma das criadoras da série, Jill E. Blotevogel, pretende entregar de uma vez por todas no episódio da próxima semana, Revelations.

A trama de Ghosts não foge muito ao que a série veio mostrando nas semanas anteriores, em episódios como Betrayed e In The Trenches, ou seja, enredos fracos e sem muito impacto narrativo para o andamento da temporada. A diferença deste em relação aos outros capítulos é que de sua metade para o final, uma sequência (infelizmente, rápida demais) eletrizante de eventos mudou a cara da história, fazendo de Ghosts um episódio bipolar, com uma primeira parte dispensável e medíocre e uma segunda parte bastante relevante.

Muito das minhas reclamações quanto ao trabalho pouco interessante dos técnicos e até de ingredientes do próprio cânone da série (e do Universo de Pânico) em favor das tramas foram parcialmente solucionados ao final de Ghosts e bem colocados em The Dance, um episódio que é bom no andamento — mais por conta de um roteiro azeitado — do que da direção de Til West, que não consegue tirar dos atores nada de impactante. Todas as expressões de isopor, o revirar de olhos, os suspiros de tédio e as tentativas de mostrar alguma emoção são incorporadas de maneira solta e com toda a canastrice possível.

Mas à parte essas já conhecidas derrapadas que nos acompanham desde Red Roses, podemos dizer que estamos em um território interessante. Torço para que o finale da temporada ultrapasse a fronteira em que a série chegou aqui. The Dance, apesar de não ser completamente livre de problemas, acaba valendo muito a pena porque não se fixa em um único lugar e fica cavando situações de onde mais nada poderia sair. Lembremos da infame perda de tempo que foi aquela trama com o corpo que levou o prefeito para trás das grades ou todo o bromance Jake-Will ou todas as tentativas de romance que a série tentou fazer, seja com casais adolescentes, seja com casais adultos. Todas essas pequenas histórias serviram apenas de empecilho para que as coisas avançassem, pois as consequências de seus núcleos dramáticos foram ínfimas, nada que histórias melhores não pudessem ter feito. E com um produto final muito melhor.

O destaque aqui vai para a forma intricada como a figura de Seth Brenson (enfim, Bobby Campo atuando satisfatoriamente!) é trabalhada; como Brandon James é trazido à tona e como todo mundo começa a desconfiar de todo mundo. Isso deveria ter sido o mote da temporada desde o segundo episódio, mas tudo bem… Contanto que essa mesma base seja utilizada no desfecho e seja levada para a segunda temporada (seja lá que história eles pretendem fazer nesse ano 2), tudo ficará bem.

Como citei anteriormente, o texto de Jill E. Blotevogel deixa algumas coisas já em andamento e corta a ação no momento certo. Apesar da fraca incursão do Halloween no episódio — que oportunidade perdida, que desperdício de tema! –, o horror como configuração de atmosfera dramática volta à série. E isso é muito bom. Que venha o último episódio!

Palpite da semana: Ghostface é Piper Shaw.

Pânico/Scream: 1X08 e 9: Ghosts e The Dance (EUA, 18 e 25 de agosto de 2015)
Direção: Rodman Flender e Ti West
Roteiro: Kay Reindl, Erin Maher e Jill E. Blotevogel
Elenco: Willa Fitzgerald, Bex Taylor-Klaus, John Karna, Amadeus Serafini, Connor Weil, Carlson Young, Jason Wiles, Tracy Middendorf, Bryan Batt, Amelia Rose Blaire, Tom Maden, Shona Gastian
Duração: 40 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.