Crítica | Scream – 2ª Temporada

estrelas 3

Obs: contém possíveis spoilers da temporada.

A primeira temporada de Scream, apesar de nos trazer uma narrativa tropeçante, com um ritmo um tanto quanto arrastado em alguns episódios, se provou uma divertida experiência que respeita os filmes de Wes Craven, sem ficar à sua sombra. Com elementos de metalinguagem, trazidos, em geral, através de Noah (John Karna), certamente um dos melhores personagens da série, nos sentimos como se efetivamente estivéssemos diante de um spin-off da famosa franquia e não somente uma tentativa de lucrar em cima da criação de Craven. Esse segundo ano, contudo, nos trouxe uma temporada com uma atmosfera bastante diferente, a incerteza e a desconfiança atingem outro nível, enquanto os assassinatos diminuem em relação ao ano anterior.

Após alguns meses fora, se recuperando do trauma passado nas mãos de Piper Shaw, Emma Duval (Willa Fitzgerald) retorna para Lakewood a fim de retomar seus estudos. É recebida, todavia, à exceção de seus amigos, como um elemento estranho àquele lugar, visto que a onda de assassinatos afetara, naturalmente, não somente ela (embora ela faça um irritante esforço para acreditar que ela é o centro do universo). Logo nas cenas iniciais já vemos a predisposição de outros personagens acerca dos sobreviventes, o Lakewood’s Six, em uma evidente homenagem ao início de Pânico 2.

Sobre o que vem a seguir na trama não há segredo: um novo assassino dá as caras e começa a torturar psicologicamente e fisicamente os personagens. Curiosamente ele permanece oculto pelos primeiros episódios, somente declarando sua existência ao final do quarto, Happy Birthday to Me, aliás, os títulos dos capítulos utilizam nomes de famosos filmes de terror ou suspense, uma jogada divertida da MTV e que ainda se encaixa com a trama específica de cada um. Naturalmente a ocultação do assassino até esse ponto intencionava causar uma crescente loucura em Emma, além dos constantes jogos com Audrey (Bex Taylor-Klaus), que é tachada de cúmplice de Piper. O que recebemos, porém, é uma dilatação narrativa que se traduz em pura enrolação, tornando difícil nos interessarmos por essa primeira parcela de episódios, algo que começa a mudar somente na ocasião da festa na qual todos ficam drogados.

A fim de tornar a identidade do novo assassino um mistério ainda maior e para ter mais indivíduos prontos para o abate, é claro, novos personagens são introduzidos. Esses, todavia, demonstram personalidade e se diferenciam das massas – se algo pode ser dito de Scream é que a série se esforça para construir seus jogadores, o problema é que, em muitas das ocasiões isso acaba trazendo uma lentidão à progressão do enredo geral. Felizmente, através desses focos singulares aprendemos mais daqueles que conhecemos no primeiro ano, além de alguns mistérios serem resolvidos, enquanto outros são abertos a fim de deixar um material a ser trabalhado no especial de Halloween e em uma possível terceira temporada. Dessas novas figuras apresentadas os mais interessantes certamente são Stavo (Santiago Segura) e Eli (Sean Grandillo), que não só se enquadram como suspeitos, como demonstram personalidades únicas à série, aumentando, ao mesmo tempo, a tensão e a profundidade da narrativa.

Não que Scream seja um poço de qualidade, muitas vezes caímos no velho drama adolescente, o problema desses é quando envolvem a protagonista, que, curiosamente, é a pior personagem da série – não há construção de Emma ao longo da temporada, quem ela é no início permanece ao fim, basta compará-la com Brooke, por exemplo, que demonstra um verdadeiro arco evolutivo desde os primeiros capítulos. A personalidade da personagem principal ainda quase impossibilita uma relação com o espectador, visto que não conta com a força de sua contraparte nos filmes, Sidney e nos afasta ainda mais através de seus dramas superficiais. Isso sem falar que Willa Fitzgerald poderia estar na próxima temporada de Malhação.

A revelação final, a descoberta da identidade do assassino, não surpreende, mas se encaixa dentro do cenário estabelecido ao longo desse ano. Naturalmente não irei revelar quem é o culpado, mas a questão resolve uma certa evidente falta de química entre certos personagens e explica certos desaparecimentos ao longo da trama.

A segunda temporada de Scream, portanto, como a primeira, é lotada de altos e baixos. Aqui vemos um assassino que se diverte mais com uma tortura psicológica e que lentamente constrói seus cenários visando um mórbido espetáculo. Ao longo de seus doze episódios, aprendemos a não confiar em ninguém e, de fato, a incerteza é um elemento constante nesse segundo ano, que consegue deixar material o suficiente para ser trabalhado em episódios vindouros.

Scream – 2ª Temporada (Scream – Season Two)
Criadores: Jill E. Blotevogel, Jay Beattie, Dan Dworkin
Direção: Vários
Roteiro: Vários
Elenco: Willa Fitzgerald, Bex Taylor-Klaus, John Karna, Amadeus Serafini, Kiana Ledé, Santiago Segura,  Tracy Middendorf, Bryan Batt, Sean Grandillo, Austin Highsmith, Karina Logue, Anthony Ruivivar
Duração: 12 episódios de aprox. 43 min cada.


Você pode querer

Com saudades dos filmes originais de Wes Craven? Talvez seja uma boa ideia dar uma conferida nos box de DVDs e Blu-rays, contendo todos os filmes, então. Se tiverem interesse basta clicar nos links ou nas imagens abaixo.

Blu-ray

111566710_1GG

DVD

111566699_1GG

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.