Crítica | Scream 1X04: Aftermath

estrelas 3,5

Apesar de ter me decepcionado um pouco com este episódio — porque esperava mais dele –, devo concordar que Aftermath cumpriu relativamente bem o que a série prometeu. Ponto. Abordarei mais adiante as falhas centrais do capítulo, porém é necessário olhar para o que tivemos aqui e a ideia central de Scream até esse ponto de seu desenvolvimento. A continuação da linha investigativa abordada em Wanna Play a Game? tem o seu primeiro e melhor impacto na tela, o que já valeria a semana, mostrando de forma divertida e densa a “busca pela verdade” realizada no hospital onde supostamente as máscaras (sim, no plural!) de Brandon James foram feitas.

O mistério é bom, não é? Perceba a mudança do olhar mais genérico sobre a cidade, a escola e outros cenários-contexto para um zoom nos assassinatos, nas suspeitas, nas pistas e processo de investigação. Apesar de falhar na organização desses elementos entre si e insistir no descartável bromance “vai-não-vai” entre Jake e Will, o roteiro dessa semana logrou elencar bons pontos de horror/thriller (com referências a Psicose, Hannibal — a série — e Seven), humor negro, sentimento e drama de relações humanas em vários níveis, do campo amoroso ao superficial e hipócrita. Não é um Margaret Mitchell mas cai como uma luva na proposta do show.

Brian Dannelly assume a direção desse episódio e consegue fazer um trabalho extremamente dinâmico, compondo cenas inspiradas e sequências que nos lembram os melhores momentos de Red Roses e Hello, Emma. É claro que seu maior feito está na sequência do hospital — que também recebe o melhor tratamento fotográfico da série até o momento, empatado com o da sequência da morte de Riley — mas todo o episódio possui uma composição técnica notável, acompanhada igualmente… surpresa, surpresa… pela trilha sonora original!

Eu havia reclamado do uso da música na artificial aula de inglês e em todas as vezes que Noah tinha uma definição ou declaração detalhada sobre casos policiais obscuros e assassinatos, o que descaracterizava um pouco a fala do personagem tornando-a meio boba ao invés de dar-lhe identidade, a óbvia intenção dos criadores. Aqui, porém, a mesma trilha — e duas EXCELENTES variações dela, tocadas ao final e com arranjos para sopros e cordas — aparece em uma quantidade correta, em momentos que lhe eram propícios e com uso dramático diretamente ligado ao desenvolvimento da trama, diga-se de passagem, o primeiro uso verdadeiro (nesse sentido) que tivemos da trilha original até agora.

Com um começo manco, diante de todas as emoções falsas e indignações nada convincentes; um ótimo desenvolvimento e um final regular — estamos diante de um assassino sexista e moralista? É isso mesmo, produção? — Aftermath entrou na onda de investigações com o pé direito e fazendo regularmente bem o que a série prometeu fazer. A cada semana fico um pouco mais animado e esperançoso de que a linha narrativa tenderá a melhorar bastante, se seguir por esse caminho. Vamos ver.

Palpite da semana: Ghostface é Eduardo Cunha, numa tentativa desesperada de “limpar o governo”.

Pânico/Scream: 1X04: Aftermath (EUA, 21 de julho de 2015)
Direção: Brian Dannelly
Roteiro: Erin Maher, Kay Reindl, Jay Beattie, Dan Dworkin, Jill E. Blotevogel
Elenco: Willa Fitzgerald, Bex Taylor-Klaus, John Karna, Connor Weil, Carlson Young, Jason Wiles, Tracy Middendorf, Bryan Batt, Amelia Rose Blaire, Tom Maden
Duração: 45 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.