Crítica | Se Beber, Não Case! Parte II

estrelas 2,5

Em certo ponto do filme (aliás, vários), um dos personagens melancolicamente pronuncia: “Não acredito que está acontecendo de novo”. Sinceramente, quando fiquei sabendo de que seria feita a sequência para a brilhante comédia de 2009, não esperava que tudo acontecesse de novo e sim uma estrutura narrativa diferente.

O filme traz de volta os amigos Phill (Bradley Cooper), Stu (Ed Helms), Alan (Zach Galifianakis) e Doug (Justin Bartha), que agora viajam para a Tailândia, onde o dentista Stu vai se casar com a bela Lauren (Jamie Chung). No entanto, as coisas dão errado durante a despedida de solteiro e o irmão da noiva agora é o desaparecido da vez. Os três tentam relembrar o que fizeram na noite passada, dessa vez na exótica Bangcoc.

Pois é, exatamente igual ao primeiro não? Troque Las Vegas por Bangcoc e você tem Se Beber, Não Case! Parte II, que repete a mesma fórmula e estrutura do original. Há o prólogo da ligação desesperada (que eu acho brilhante em ambos os filmes), os créditos de abertura, flashback para os planos de casamento, bebedeira, acordando de uma ressaca sem memória alguma em um quarto destruído… Faltou originalidade dos roteiristas, que apostam grande parte de seu humor em piadas preconceituosas, apelativas e… macacos. Eu não sei quanto a vocês, mas não vejo a menor graça em um macaco traficante que é viciado em cigarros.

O diretor Todd Phillips até repete alguns ângulos e enquadramentos do primeiro filme (como a sequência do elevador e o plano final das fotos), provavelmente tentando “homenagear” o primeiro filme, mas acaba transformando-se em uma espécie de remake internacional. No entanto, a fotografia de Lawrence Sher acerta ao retratar Bangcoc como um lugar perigoso e mortal, usando-se de cores acizentadas e luzes fortes, o que contribui para a sensação de perigo.

Ainda que o elenco permaneça divertido e a química seja perceptível, os roteiristas Craig Mazin, Scot Armstrong e o próprio Phillips parecem não ter entendido bem os personagens – que foram criados por Scott Moore e Jon Lucas, que sabiamente evitaram retornar. Bradley Cooper continua na direção certa com Phil, novamente o cérebro da equipe, mas o trabalho com Stu e Alan é completamente desvirtuado. Ed Helms eleva o histérico de Stu a um nível caricato demais, mas o que Zach Galifianakis faz com seu Alan é o fator mais imperdoável. No original, o personagem era um excêntrico com comportamento bizarro, onde aqui ele é transformado em literalmente uma criança presa no corpo de um homem adulto e barbudo. Ter que ver o personagem chorando como bebê é a prova absoluta de que os realizadores não entenderam o motivo de ele ter funcionado tão bem no original.

Mesmo com essa quantidade enorme de defeitos, confesso que não foi uma viagem tão ruim. Um dos elementos do primeiro filme que, felizmente, está de volta é a sensação de perigo. Tirando todas as piadas, tanto o primeiro Se Beber, Não Case! quanto a continuação resultariam em um eficiente thriller e em Bangcoc o perigo é muito maior; senti verdadeiro remorso de algumas situações enfrentadas pelos personagens (a pior delas envolvendo um travesti) e esse talvez seja o grande trunfo da continuação: o medo e preocupação do espectador pelo grupo.

Se Beber, Não Case! Parte II repete exatamente a mesma estrutura do original, apostando em piadas pouco inspiradas e crueis, perdendo o elemento de surpresa presente no primeiro filme.

Se Beber, Não Case! Parte II (The Hangover Part II, EUA – 2011)

Direção: Todd Phillips
Roteiro: Todd Phillips, Craig Mazin e Scot Armstrong
Elenco: Bradley Cooper, Zach Galifianakis, Ed Helms, Justin Bartha, Ken Jeong, Paul Giamatti, Jeffrey Tambor, Sasha Barrese, Jamie Chung, Mike Tyson
Duração: 102 min.

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.