Crítica | Se Beber, Não Case! Parte III

estrelas 2

Eu não realmente não queria estar falando sobre a terceira parte da franquia Se Beber, Não Case. Sucesso estrondoso em 2009, o primeiro filme era uma comédia original e inteligente; um filme misterioso e pervertido como poucos lançados nos últimos anos. Vítima de seu próprio lucro astronômico, a franquia ganhou um remake uma continuação em 2011 e agora este Se Beber, Não Case! Parte III que abandona a fórmula tradicional, gerando um irônico paradoxo: se agrada por não se repetir, dispensa qualquer semelhança temática com os anteriores.

Como você já deve ter ouvido por aí, a trama não traz casamentos ou ressacas como ponto de partida. Dessa vez, o “Bando de Lobos” formado por Alan, Doug, Phill e Stu (os sempre bem entrosados Zach Galifianakis, Justin Bartha, Bradley Cooper e Ed Helms) sendo ameaçado pelo mafioso Marshall (John Goodman), uma inesperada figura do passado que pressiona o grupo para encontrar o sr. Chow (Ken Jeong) para que este possa vingar-se deste após perder seu ouro. A busca os levará para a cidade de Tijuana, no México, e novamente a Las Vegas.

Minha grande ressalva com o segundo filme da trilogia é a repetição de eventos e situações, que carecem do elemento de surpresa que o original tinha de sobra. Com este capítulo final, surpreende a estrutura e tom escolhidos pelo diretor Todd Phillips (que também assina o roteiro ao lado de Craig Mazin), que parece mais a de um longa de ação do que comédia. Uma decisão curiosa, mas que funciona com improvável eficiência graças aos constantes experimentos visuais de Phillips, vide a câmera colada ao torso de Alan durante uma perseguição a pé ou as luzes piscantes que o diretor de fotografia Lawrence Sher fornece a uma cena mais intensa; alcançando um efeito similar ao de Alien, O Oitavo Passageiro.

É até aceitável que um professor, um dentista e um maluco se saiam tão bem ao escalar terraços e protagonizar perseguições de carros – fugindo completamente do espírito original – , já que o filme é incrivelmente sem graça. Lembrando apenas que humor é algo muito pessoal, então mesmo que a imagem de um adulto barbudo se desfazendo em lágrimas como um bebê não provoque reação em mim (a não ser o desgosto em parte dos roteiristas, que transformaram a excentricidade do personagem em uma irritante infantilidade), não duvido de que haverão muitas risadas durante a sessão – houve, na minha. O que funciona comigo são piadas menores – e pouco frequentes – como o plano-detalhe que ressalta o nervosismo de Stu ao trazer sua camisa encharcada de suor ou sua reação heroica ao ser, enfim, reconhecido como um médico.

Contando com descartáveis momentos sentimentais (que trazem de volta o mesmo bebê do primeiro filme), Se Beber, Não Case! Parte III não apresenta nem a inteligência nem o humor do original, mas ganha pontos por não se limitar a uma mera repetição de piadas e pelo cuidado estético de seu diretor.

Oferece uma conclusão competente, ainda que a história jamais precisasse se estender além daquela gloriosa despedida de solteiro em Las Vegas…

Se Beber, Não Case! Parte III (The Hangover Part III, EUA – 2013)

Direção: Todd Phillips
Roteiro: Todd Phillips, Craig Mazin
Elenco: Zach Galifianakis, Bradley Cooper, Ed Helms, John Goodman, Justin Bartha, Heather Graham, Melissa McCarthy
Duração: 100 min

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.