Crítica | Se Beber, Não Case!

estrelas 4,5

Comédia tem tudo a ver com pontos de vista, principalmente o humor negro. Se alguém leva um tropeço gigantesco em um restaurante, derramando toda sua comida pelo chão, a reação imediata pode dividir-se entre o espanto e, claro, o riso. É uma filosofia muito adequada ao caso de Se Beber, Não Case!, hit surpresa de Todd Phillips que faturou um Globo de Ouro e rendeu uma trilogia dado seu imenso sucesso de público e crítica. Ambos merecidos, sem dúvida alguma.

Escrito por Jon Lucas e Scott Moore, o longa começa com a chegada do casamento de Doug (Justin Bartha). Para a ocasião, ele viaja para Las Vegas com seus amigos Phil (Bradley Cooper), Stu (Ed Helms) e o cunhado Alan (Zach Galifianakis) para uma despedida de solteiro lendária. O que deveria ser uma noitada de diversão se transforma em um pesadelo quando, na manhã seguinte, todos acordam sem memória sobre a noite anterior, além do fato de Doug ter desaparecido.

Olhando para essa premissa, Se Beber, Não Case! poderia muito bem ser um suspense na linha de Amnésia, e aí voltamos ao que falamos no primeiro parágrafo: pontos de vista. É uma situação extremamente assustadora a que o trio de protagonistas enfrenta, mas graças ao hilário roteiro de Moore e Lucas e a direção certeira de Todd Phillips, temos uma das comédias mais divertidas da década passada. Lembro-me de assistir pela primeira vez e ficar chocado com o fato de, logo após os personagens brindarem os shots no telhado do Caesar’s Palace, vermos toda a noitada acelerada em um time lapse. Sem ter visto nenhum trailer, esperava que o filme fosse se concentrar nos eventos da noitada, mas fui positivamente surpreendido ao ver que esse seria um filme sobre as consequências.

Ambientar os eventos na manhã seguinte à grande noite e trazer seus personagens encontrando uma série de evidências bizarras é a fórmula do sucesso, e ela funciona pelo elemento surpresa. Desde o tigre preso no banheiro, um bebê no armário e um chinês pelado pulando do porta-malas do carro, o roteiro não se cansa de trazer momentos de impressionar e fazer rir no processo. O entrosamento entre os três protagonistas é outro ponto alto, com Bradley Cooper se destacando como o “cérebro” da equipe, Ed Helms divertindo como o histérico Stu e Zach Galifianakis roubando a cena com a excentricidade de seu barbudo Alan e as ações um tanto… Duvidosas que faz ao longo da projeção – a cena do “na mesa não, Carlos” permanece engraçadíssima de tão errada e politicamente incorreta.

A resolução da história também demonstra inteligência por parte dos roteiristas, que vinham espalhando as pistas durante toda a narrativa, apenas para que tivéssemos uma solução que surpreende pela simplicidade. A condução de Todd Phillips também merece aplausos, já que revela-se um diretor muito preocupado com o visual, entregando lindas tomadas que capturam a vida noturna de Las Vegas e o perigo dos desertos de Nevada; chegando até mesmo a homenagear Cassino com um close up dos óculos do divertido Sr. Chow (vivido com insanidade por Ken Jeong).

Sabiamente utilizando os créditos finais para oferecer uma de suas melhores piadas, Se Beber, Não Case! é uma comédia que impressiona pela engenhosidade e a construção de sua ótima trama, contando com o auxílio de uma direção acertada e um elenco protagonista absolutamente entrosado.

Se Beber, Não Case! (The Hangover, EUA – 2009)

Direção: Todd Phillips
Roteiro: Jon Lucas e Scott Moore
Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Mike Epps, Heather Graham, Sasha Barrese, Jeffrey Tambor, Ken Jeong, Rob Riggle
Duração: 100 min

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.