Crítica | Seinfeld – 3ª Temporada

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estrelas 4,5

Obs: Leia as críticas das demais temporadas, aqui.

Com a estreia em setembro de 1991, a terceira temporada de Seinfeld é a que enfim estabelece todos os elementos principais da série. Finalmente temos uma temporada completa com 23 episódios, o destaque para Cosmo Kramer e sua saída para o exterior era uma realidade e tinha início a vinda dos coadjuvantes clássicos, como veríamos em The Library. Mais uma vez sob a cunha de Jerry Seinfeld e Larry David, fortalecendo também a posição do roteirista Larry Charles como uma das grandes mentes da série. Aliás, esta foi a primeira temporada que rendeu um Emmy de Melhor Roteiro à equipe, pelo episódio The Fix-Up.

De cara, já temos uma curiosidade interessante no episódio de estreia, The Note. É o único de toda a série que traz uma leve variação no tema musical de Jonathan Wolff, que apostou em um coral feminino para acompanhar suas notas polifônicas. Felizmente, o resultado brega foi rejeitado pelos produtores. Enfim, é já no quinto episódio – The Library – que Larry Charles nos apresenta ao impagável “Library Cop”, o Sr. Bookman (vivido por Philip Baker Hall), que surge para infernizar a vida de Jerry e cobrar um livro perdido há vinte anos. A inteligência do texto de Charles consiste em adequar o clichê discursos do investigador policial para uma situação absolutamente banal, residindo aí o espírito niilista de Seinfeld e sua supervalorização do cotidiano. No mesmo episódio, temos também a única vez na série que temos um flashback dos personagens em seus tempos de colégio (um recurso utilizado com exaustão por praticamente todas as outras sitcoms), tornando-se um divertido e especial momento justamente pela exclusividade. Seinfeld e David apostam apenas uma vez no clichê do “passado brega”, mantendo os olhos para o futuro bizarro.

Este que agora incluiria tramas mais elaboradas, mas ainda pautadas no “nada”. The Subway é o primeiro episódio que traz quatro subtramas, um para cada um dos personagens que se aventuram pelo metrô de Nova York: Jerry conhecendo uma nudista, Kramer apostando em corridas de cavalo, George se envolvendo com uma bela e misteriosa mulher, e Elaine fazendo de tudo para não perder um casamento lésbico (Como esquecer “Odeio homens, mas não sou lésbica”?). A reviravolta envolvendo George ajuda a criar um universo povoado por figuras insanas, o que acontece também no excelente The Limo, onde a clássica troca de papéis coloca Jerry e George como dois líderes de um movimento neo-nazista. E assim como The Chinese Restaurant na segunda temporada, Seinfeld e David apostam novamente em um episódio centrado inteiramente em um cenário/situação, com os protagonistas sofrendo para lembrar onde estacionaram o carro em The Parking Garage.

As inovações também surgem no primeiro episódio em duas partes da série, trazendo a recorrente participação do (agora) ex-jogador de beisebol Keith Hernandez, em The Boyfriend. Não só o texto acerta em cheio no contexto e inversões de papel de uma pseudo relação homoafetiva, já que Hernandez é o novo namorado de Elaine, o que provoca um ciúmes curioso  em Jerry – obcecado pelo jogador. Também temos uma daquelas que é considerada uma das melhores cenas da série, quando George tenta se passar como vendedor de látex no telefone, a fim de trapacear o seguro desemprego, culminando em uma desesperada e frustrada ação quando Kramer atende o tal telefone. É realmente hilário, representando também um excelente uso de comédia física.

Em seu terceiro ano, Seinfeld enfim definiu a estrutura e todos os padrões que só viriam a se fortalecer daqui para frente. A era de ouro da série estava para começar.

Melhor: The Library
Piorzinho:
The Dog

Seinfeld – 3ª Temporada (EUA, 1991-92)
Criadores:
Jerry Seinfeld, Larry David
Direção: Tom Cherones
Roteiro: Jerry Seinfeld, Larry David, Peter Mehlman, Larry Charles
Elenco Principal: Jerry Seinfeld, Jason Alexander, Michael Richards, Julia Louis-Dreyfus, Wayne Knight, Barney Martin, Liz Sheridan, Jerry Stiller, Estelle Harris
Duração: 22 minutos (cada episódio)

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.