Crítica | Selma: Uma Luta Pela Igualdade

estrelas 4Não é segredo para ninguém os augúrios que os negros enfrentaram durante séculos. Primeiro veio a escravidão, depois a segregação e com isso a falta de direitos que os protegesse e guardasse da barbárie humana, da ignorância e do descaso. Possivelmente uma das maiores questões já levantadas e que permanece sem resposta até hoje é: Por que isso aconteceu? Mesmo historicamente não há qualquer explicação que possa vir a ser considerada plausível.

Engana-se quem pensa que a luta retratada no filme de Ava DuVernay terminou. Não. Ela é bem extensa e ao invés de diminuir com as causas ganhas, aumenta exponencialmente com aqueles que ainda precisam dela.

Martin Luther King Jr. – brilhantemente interpretado por David Oyelowo – continuou o caminho iniciado por seu pai na luta pelos direitos civis para os negros americanos. Selma: Uma Luta Pela Igualdade foca mais no ano de 1965 quando Martin lutava avidamente, junto com outros companheiros pressionando o então presidente americano Lyndon B. Johnson a revogar a lei que impedia que os negros tivessem o direito ao voto e com isso serem obrigados a continuar sob o domínio de governantes racistas e tacanhos. Martin decide que é hora de iniciar uma marcha em protesto e começa pela cidade de Selma, no Alabama aonde mais da metade da população é composta por negros. Infelizmente, as primeiras tentativas não saem como o planejado e várias pessoas se machucam ou são presas. O Presidente continua bastante arredio mesmo com todos os pedidos de Martin que não vê outra alternativa a não ser seguir em frente e decide aumentar a marcha levando todos da cidade de Selma até Montgomery. Porém, ao cruzarem a ponte há um enorme contingente policial armado esperando do outro lado e que a mando do então Governador do Alabama George Wallace ataca os protestantes que não carregavam nada mais do que malas e sacolas com comida. A selvageria é televisionada e agora o mundo tem conhecimento da causa, pressionando ainda mais o Presidente como também o próprio Martin que teme que mais vidas se percam antes que eles consigam sair vitoriosos.

DuVernay soube retratar muito bem o acontecido da época, mas peca na objetividade a que se propõe o longa. Bastante reflexivo, há diálogos extensos e intensos, como também outras informações que são pertinentes a história como o encontro entre J. Edgar Hoover e o Presidente que concorda em grampear todas as conversas de Luther King Jr. por considerá-lo uma ameaça iminente a nação. As passagens do filme são pontuadas por pequenos memorandos que podemos deduzir terem sidos gravados pela central de inteligência americana.

No entanto, faltou um certo equilíbrio entre os momentos de contemplação e organização de ideias e a ação em si, deixando o filme mais lento do que deveria ser, mas, não menos emocionante.

Em um filme com muitos personagens, cada qual com um personagem de peso na trama, mesmo que não seja necessariamente o principal fica difícil apontar algum destaque que não o conjunto da obra. Todos atuaram em um nível igual de dedicação e compromisso e foram bem sucedidos ao passar o drama vivido. E apesar de gostar muito da Oprah, fica aqui a dúvida da razão da sua participação no filme, além da monetária, tendo em vista que sua personagem não merecia mais destaque do que os outros.

Selma: Uma Luta Pela Igualdade transmite uma mensagem linda e que continua ecoando até os dias de hoje. Infelizmente, é uma luta constante, pois, de nada adianta os governantes assinarem e decretarem leis se o povo continua com os muros intelectuais erguidos.

Bem como discursou Martin Luther King Jr.: Não existe tempo certo para fazer o que é o certo.

Selma: Uma Luta Pela Igualdade (Selma, EUA – 2014)
Direção: Ava DuVernay
Roteiro: Paul Webb
Elenco: David Oyelowo, Carmen Ejogo, Jim France, Trinity Simone, Mikeria Howard, Jordan Christina Rice, Ebony Billups, Nadej K Bailey, Elijah Oliver, Oprah Winfrey, Clay Chappell, Tom Wilkinson, Giovanni Ribisi, Havilland Stillwell, André Holland, Ruben Santiago-Hudson, Colman Domingo, Omar J. Dorsey, Tessa Thompson, Common, Tim Roth, Wendell Pierce, Stephan James, Keith Stanfield, Stan Houston
Duração: 128 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.