Crítica | Sem Piedade

estrelas 2,5

Sem Piedade foi um dos muitos filmes em que o diretor Alberto Lattuada trabalhou o tema da Grande Guerra. Tendo iniciado sua produção cinematográfica em 1942, o diretor praticamente estabeleceu os setores políticos e sociais de sua época como parte das obras que dirigia, expondo os muitos temores da população sobrevivente e os delitos de quem ou quais instituições se aproveitavam disso para obter lucro, sendo exatamente esta a essência de seu sexto longa-metragem, Sem Piedade.

Pela segunda vez, Federico Fellini fazia parte de um projeto de Lattuada atuando como roteirista, tendo o primeiro momento dessa parceria de muitos anos acontecido em 1947, no longa Delito. Aqui, Fellini divide os créditos do enredo com o próprio Lattuada e seu parceiro também de muitos anos, Tullio Pinelli. Nos créditos de abertura, Lattuada agradece a colaboração à direção dada por Federico Fellini, o que indica que o então roteirista já tinha aspirações de comandar um projeto através das câmeras, atuando de forma mais presente nesse projeto de seu amigo.

Sem Piedade, porém, não é um grande filme sobre a sociedade italiana no pós-guerra. É verdade que a maior parte dos elementos de filmes sobre essa realidade se fazem presentes na película, tendo ainda um toque emotivo bastante destacado em seu desenvolvimento, mas talvez seja por esse mesmo motivo que o roteiro deixe de explorar mais profundamente as questões da guerra, ampliando mais a presença do local sobre os cidadãos e diminuindo o tom romântico entre o soldado negro e a mulher branca sem perspectiva de vida.

Embora o filme seja inovador no sentido de trabalhar o relacionamento entre pessoas de etnias e nacionalidades diferentes (um estadunidense que estava lá para “libertar” a Itália e uma italiana “filha” do fascismo), trazendo à discussão o conflito étnico tão tabu nesse momento da história não apenas do cinema, mas do mundo, vejo que o roteiro deu maior importância a esses elementos, problematizando-os mais em detrimento de uma atenção maior ao meio em que acontecia.

Mas a despeito dessa forma narrativa utilizada, a aparência documental e os sintomas de um país e uma cidade que se reconstroem permanecem e ganham sua vez na discussão. A ação é centrada em Livorno, na região da Toscana. Desde muito cedo percebemos a miséria e os escombros da guerra em torno das pessoas. Através das crianças que assediam o casal protagonista, temos contato com a fome e a miséria que assolava parte da população. Através das mulheres, conhecemos não só a “normalidade” da prostituição mediante as péssimas condições de sobrevivência, mas a existência da máfia e como ela comandava a cidade.

Sem Piedade é um filme sobre um relacionamento amoroso em meio ao que sobrou dos ânimos e da cidade após a Segunda Guerra. O final trágico é a tranposição máxima do sentimento geral dos sobreviventes em relação ao evento e ao mundo tenebroso em que tinha de sobreviver, corroborando a frase de abertura do filme: “apenas quando cessa o som da batalha, os homens descobrem o verdadeiro horror da guerra“.

Sem Piedade (Senza Pietà) – Itália, 1949
Direção: Alberto Lattuada
Roteiro: Alberto Lattuada, Federico Fellini, Ettore Maria Margadona, Tullio Pinelli
Elenco: Carla Del Poggio, John Kitzmiller, Pierre Claudé, Giulietta Masina
Duração: 90 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.