Crítica | Sense8 – 2X02: Obligate Mutualisms

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estrelas 5,0

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as outras críticas de Sense8.

O primeiro episódio da segunda temporada de Sense8 trouxe, enfim, uma grande vitória dos sensates contra Whispers, com eles descobrindo a identidade de um dos superiores do homem que os persegue há tanto tempo. Seguindo a partir desse gigantesco cliffhanger está Obligate Mutualisms, que nos mostra que uma vitória definitiva ainda é um sonho distante e o que vimos em Who am I? foi só o primeiro passo em direção a ela. Vemos, também, que mesmo sem sua irmã, Lily, Lana está mais do que preparada para dar continuidade ao seriado ao lado de J. Michael Straczynski.

O capítulo tem início com Will Gorski cantando sua vitória para Whispers, enquanto tenta abrir um diálogo com Croome, um dos superiores do antagonista na BPO. Conseguindo, ambos marcam um encontro que ocorreria posteriormente no episódio. Nem tudo vai bem para o grupo, porém, já que Lito precisa lidar com as consequências de sua revelação na sua carreira e Sun mais uma vez é atacada por indivíduos contratados por seu irmão e sua vitória sobre eles acaba acarretando em sua liberdade. Do outro lado, temos Wolfgang estreitando seus laços com um dos mafiosos da cidade, enquanto descobre sobre a existência de mais uma sensate.

É gratificante enxergar como Obligate Mutualisms consegue expandir a mitologia da série logo cedo na temporada. Enquanto o primeiro ano de Sense8 focou mais na aproximação do grupo e a apresentação de cada uma de suas vidas, aqui temos a cumplicidade de todos eles já estabelecida, a tal ponto que, em uma situação de perigo, todos eles intervém a fim de ajudar a pessoa. Vemos isso com clareza na sequência de Sun sendo atacada, que insere uma boa dose de ação, algo que estivera notavelmente ausente no episódio anterior. Mais importante que nos trazer mais uma ótima cena com todos os sensates atuando em conjunto, porém, é a mostra de como todos eles podem sentir a mesma dor.

Lana, desde já, deixa clara sua maturidade como diretora, com planos curtos e claustrofóbicos que praticamente transferem para nós a dor que cada um do grupo sente, a tal ponto que chegamos a acreditar que um deles pode acabar morrendo, com o uso de um plano mais longo e estático de Sun enforcada. Muitas vezes alternamos entre um dos membros do grupo sem a presença de um corte claro, passando a sensação de que todos são, de fato, a mesma pessoa. Mas, é claro, sabemos que a série não vai se tornar Sense7 (acabando com o trocadilho do título) e o resgate vem logo a seguir. Aqui, Wachowski e Straczynski desviam da repetitividade que viria caso ela retornasse à sua cela e garantem a liberdade da personagem, permitindo, portanto, que sua subtrama siga adiante, afinal, não há mais nada a ser trabalhado dentro da prisão, já que sabemos que o grande vilão desse lado da história é o irmão da coreana.

Enquanto esse lado da história traz uma necessária dose de realidade às ameaças de Whispers (que repetidas vezes falara sobre a dor que todos eles podem sentir), o de Bogdanow torna mais palpável o fato de existirem milhares ou dezenas de milhares de outros sensates espalhados pelo mundo, escondidos ou não. Curiosamente, o texto utiliza essa nova personagem como uma espécie de “treinamento” para Wolfgang, que passa a interagir com ela ao mesmo tempo que mantém um diálogo, sem exibir qualquer coisa. Mais uma vez o texto foge da repetição, impedindo que o personagem seja pego em uma situação constrangedora, algo que já aconteceu mais de uma vez na temporada anterior, ao mesmo tempo, a tensão é criada a partir da expectativa que isso pode ocorrer, como uma brincadeira com o espectador.

Já a reunião de Will com Croome traça um dos caminhos a ser seguido nessa temporada e é interessante observar como o indivíduo da BPO não representa nem de perto a mesma ameaça que sentimos em relação a Whispers. Essa organização, portanto, passa a fugir do velho maniqueísmo e é pintada como algo mais que uma instituição “do mal”, trazendo um toque maior de realismo à trama. Mas nada seria assim tão fácil, claro, e a fonte dos sensates na organização é logo assassinada restabelecendo o principal antagonista da série como uma mal constante. Essa visão do futuro é momentaneamente apagada, dando lugar ao segmento Dies Irae do Requiem de Mozart, representando uma possível fúria de Whispers por ter perdido uma batalha (mas não a guerra, ainda). Mais uma vez Wachowski e Straczynski brincam com a expectativa do espectador, garantindo o tom de instabilidade tão comum à série.

Obligate Mutualisms representa a desconstrução da vitória do episódio anterior, mas isso não quer dizer que a trama não seja movimentada. Importantes revelações marcam esse segundo capítulo da segunda temporada, que, desde já, estabelece um ritmo mais frenético que a anterior, sabendo dosar os dramas pessoais com o elemento sci-fi. Descobriremos, nos próximos episódios, o que a morte de Croome irá representar para o grupo, visto que fomos deixados, mais uma vez, com um potente cliffhanger.

Sense8 – 2X02: Obligate Mutualisms — EUA, 2017
Showrunner:
 Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Direção: Lana Wachowski
Roteiro: Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Elenco: Doona Bae, Jamie Clayton, Tina Desai, Tuppence Middleton, Max Riemelt, Miguel Ángel Silvestre, Brian J. Smith, Toby Onwumere, Freema Agyeman, Terrence Mann, Naveen Andrews, Daryl Hannah
Duração: 52 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.