Crítica | Sense8 – 2X03: Polyphony

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estrelas 4,5

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as outras críticas de Sense8.

É um momento de aprendizado para o cluster de Angelica.

Após os eventos em frente ao quadro A Ronda Noturna (Rembrandt, 1642) que tiraram um possível aliado dos sensates em Obligate Mutualisms, temos uma bem orquestrada cena de fuga do Rijksmuseum, em Amsterdã. Não há muito tempo para pensar ou “curtir” a história no início de Polyphony, porque o roteiro intercala uma série de ações importantes que, aos poucos, se resolvem e nos deixam respirar para, em seguida, darem início a mais algumas fugas ou momentos importantes de aprendizado dos protagonistas.

Como já dito em Who Am I?, este segundo ano do show está mais preocupado em trilhar caminhos narrativos do que focar em dramas pessoais, o que não quer dizer que não tenhamos histórias de vida muito boas acontecendo em paralelo, o que nos faz pensar de uma maneira relativamente diferente sobre a 1ª Temporada. Notem que quanto mais descobrimos sobre as possibilidades científicas, evolutivas, biológicas, químicas e psicológicas por trás dos sensates e algumas novidades sobre seus poderes — ampliadas, em teoria, desde o aparecimento de Lila Facchini, que ensinou alguns truques para Wolfgang; ou por glimpses de Whispers em certo ponto do episódio — mais possibilidades surgem para histórias pessoais, só que agora, dentro de um contexto e propósito maiores. Justiça seja feita, esse elemento já dava sinais de vida nos 3 últimos episódios da Temporada passada.

Essa mudança de perspectiva também veio com leves mudanças na direção, que aqui sai das mãos de Lana Wachowski pela primeira nesta Temporada e vai para as mãos de James McTeigue, que é muitíssimo mais ágil que sua colega, mas em compensação, bem menos elegante. Isso é percebido em poucos momentos do episódio, curiosamente, em cenas que poderiam ter sido encurtadas mas, ainda assim, conseguiriam manter o papel de ponte visual (Sun no telhado, na manhã após a fuga) ou cenas que deveriam ter sido cortadas, pois nada acrescentam de interessante à história, como Wolfgang na balada com Felix (Max Mauff), ainda deslocado nessa Temporada — pasmem: Daniela (Eréndira Ibarra) conseguiu colocação muito mais orgânica até agora, mesmo tendo aparecido apenas brevemente.

Alguns problemas futuros para o grupo podem ter tido origem aqui, como o fato de Bug saber o segredo de Nomi e Capheus se tornar uma espécie de celebridade política em Kibera, sua vila. Aliás, os protestos nos quais Kala e Capheus estão direta ou indiretamente envolvidos servem como a linha social mais pulsante da Temporada, com contextos que já tinham se mostrado importantes no ano de estreia, mas não com a mesma força e reflexões com que estão colocados aqui. Agora não só a situação social, econômica, religiosa, política e cultural da Índia e do Quênia estão em pauta, como também a incapacidade de agir diante de coisas com magnitude nacional. Essa voz inicialmente veio da repórter designada para entrevistar Capheus, mas acabou se tornando parte do discurso curto, consciente e quase lírico do sensate na TV local.

Com uma linha de ação que se alterna entre a falsa sensação de paz e a fuga ou luta em consequência de eventos já em andamento (como notamos nos núcleos de Sun, Nomi e Amanita, esta última, com uma sequência de fuga que começa bem mas termina quase aleatória), o espectador chega bastante animado ao final do episódio, especialmente depois de perceber que Will realmente está de posse de um inibidor — até que acabe, o grupo precisa arranjar um jeito de manter Whispers “no gelo” — e que a visita de Lito ao pai de um antigo amante e também sensate (um dos blocos mais belos de todo o episódio), gerou informações importantes para a investigação do grupo; mas percebem que perderam mais um importante aliado: Jonas.

Sense8 – 2X03: Polyphony — EUA, 2017
Showrunner:
 Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Direção: James McTeigue
Roteiro: Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Elenco: Terrence Mann, Tuppence Middleton, Tuppence Middleton, Toby Onwumere, Max Riemelt, Miguel Ángel Silvestre, Abhiroy Singh, Brian J. Smith, Sukku Son, Trishaan, Sean Burchfield, Freema Agyeman, Terrence Mann, Naveen Andrews, Daryl Hannah, Max Mauff
Duração: 52 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.