Crítica | Sense8 – 2X04: Fear Never Fixed Anything

estrelas 4

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as outras críticas de Sense8.

Acontecida como lição para os sensates, a (aparente) morte de Jonas, indicada no final de Polyphony é sentida pelo grupo no início deste episódio, embora não sejam dadas informações sobre qual o verdadeiro objetivo da BPO com tudo aquilo. O que temos, no lugar, é um tipo de “saída da toca” para ambos os lados da moeda. Whispers aparentemente não tem mais nada para esconder, já que assumiu um dos cargos mais altos dentro da BPO, ou pelo menos é isso que ele quer que Will saiba. Já o cluster de Angelica procura se livrar de suas prisões em diversas categorias, com Lito chegando à conclusão de que deve aceitar o convite da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (isso não é dito, mas aludido na cena do bar, com as 8 tequilas); Will e Riley arriscando sair para uma balada a fim de buscar novos sensates; e os outros membros do grupo movendo-se para quebrar suas prisões mais adiante.

Mesmo que o episódio seja menos intenso em ações e sofra um pouco o peso de um roteiro reflexivo, o resultado final é uma bela passagem pelos sentimentos de cada um dos sensates e das pessoas ao seu redor, como Bug; o barman do lugar onde Lito vai; o pai de Kala. Não é novidade para nós esse tipo de linha narrativa, mas é bom ver como a série avança com os destinos dos personagens de maneira coesa, colocando não só os protagonistas, mas também os coadjuvantes na linha de mudança. Algumas faltas, porém, incomodam, como a ausência da mãe de Capheus e do lado criminoso da cidade (ambos supridos no episódio seguinte), que tanta importância tiveram na temporada anterior ou mesmo no Especial de Natal.

Elementos de desconfiança para os quais chamei a atenção em Polyphony já podem ser vistos nesse episódio, acrescidos de mais perigos ou compromissos intensos para o futuro, como Rajan desconversar com Kala sobre as falcatruas nas contas da empresa e controle de qualidade dos laboratórios e Nomi receber de um Anonymous a chave para sua E-Death. Notem que quando não estamos falando de elementos científicos, entramos na seara da tecnologia, lembrando um pouco o final da 1ª Temporada, mas neste ponto da história, já em um sólido desenvolvimento de personagens e ampliação das linhas vilanescas. A BPO também deixa de ser parte de uma maquinação unidimensional (vide Obligate Mutualisms) e ganha tons difusos no meio de uma escala cada vez mais ampla de cores, que nos surpreende aos poucos  que pode gerar inesperados aliados.

O bom de episódios mais reflexivos é a ótima oportunidade para se investir em impasses menores, desenvolver personagens secundários ou apresentar outros personagens e conceitos de maneira breve, uma vez que o nosso foco está disperso. O destaque maior aqui é o Detetive Mun (Sukku Son), que apareceu na ótima sequência de perseguição a Sun no episódio anterior e se revelou alguém do passado da sensate. Aqui o vemos aparecer no templo/casa onde o Mestre de Sun a está escondendo e, indicando saber que a fugitiva está lá, oferece ajuda. Ainda é cedo para definir seu papel na série, mas perece ser algo interessante, tendo ainda o mérito de mais um bom ator ser incluído no elenco de coadjuvantes.

Ainda sobra tempo para uma exposição de preconceito sexual pelos colegas da jornalista Zakia; a primeira chamada de Capheus por membros de um partido político, indicando futuros impasses nessa área; a crítica à tipificação de um ator diante de seu modo de vida, pulsões e escolhas pessoais; e uma discussão sobre políticas sociais entre o pai e o sogro de Kala que foi ao mesmo tempo hilária e provocante. Exceto a desnecessária cena de Wolfgang com Lila (que poderia aparecer “vestida com as mesmas roupas novas do rei” durante toda a série, mas com diálogos que servissem de alguma coisa para o andamento de seu núcleo), Fear Never Fixed Anything serve bem ao seu propósito de mostrar ações de coragem. Em outras palavras, as constantes “saídas do armário” que temos que fazer de tempos em tempos em nossas vidas.

Sense8 – 2X04: Fear Never Fixed Anything — EUA, 2017
Showrunner:
 Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Direção: James McTeigue
Roteiro: Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Elenco: Doona Bae, Jamie Clayton, Tina Desai , Tuppence Middleton, Toby Onwumere, Max Riemelt, Miguel Ángel Silvestre, Brian J. Smith, Freema Agyeman, Terrence Mann, Anupam Kher, Michael X. Sommers, Sylvester McCoy, Sukku Son, Purab Kohli, Eréndira Ibarra
Duração: 52 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.