Crítica | Sense8 – 2X06: I Have No Room in My Heart for Hate

estrelas 4

– Contém spoilers. Leiam, aqui, as outras críticas de Sense8.

Isolated Above, Connected Below foi um episódio bastante otimista de Sense8, trazendo alguns merecidos acontecimentos positivos na vida dos sensates que acompanhamos desde a primeira temporada. Estamos falando, porém, do capítulo que marcou o meio da temporada e, claro, nem tudo continuaria a mil maravilhas por tanto tempo. I Have No Room in My Heart for Hate vem como esse banho de água fria na vida de alguns desses personagens, ainda que tenha sido feito um notável progresso na busca por Whispers.

O choque de realidade vem logo no começo, quando já começa a ser falado sobre um tiroteio em Nova York, que deixou inúmeros mortos e feridos. Esse ponto continua a ser trazido a tona conforme progredimos, como um alerta ao espectador de que há muita história a ser contada antes que o grupo encontre, enfim, a paz que merece. O texto de Lana Wachowski e J. Michael Straczynski sabiamente vai dando pinceladas de informações sobre esse ocorrido, culminando na revelação de que o atirador era, na verdade, Todd, do grupo de Angelica, controlado por Whispers. Além do óbvio silenciamento que ele buscava realizar, isso demonstra como o mundo “normal” é afetado por toda essa guerra da BPO contra os sensates, deixando evidente o perigo que todos correm.

Esse perigo dialoga com a jornada de Riley para Chicago, local que já traz um ar de incerteza por ter sido justamente ali que Angelica passou a trabalhar para a organização, além, é claro, de ela ter morrido na Igreja abandonada naquela cidade. É apenas natural que o local do encontro de Riley com a outra sensorium deveria ser ali, criando um vínculo imediato com o primeiro episódio da série, dando a entender que o local não fora escolhido pela sua “mãe” por acaso. A tensão dessa jornada de Riley é bem marcada pelas “visitas” de Will, sempre preocupado e, dessa vez, sendo colocado em segundo plano, uma necessária inversão, já que ele permanecera como a peça central de toda essa batalha por muito tempo, dando, assim, um espaço maior para a islandesa ser mais ativa, fugindo, pois, da velha tarefa de dar drogas ou remédios para o policial.

Embora tenha muita coisa em jogo em I Have No Room in My Heart for Hate, as subtramas pessoais de outros personagens continuam a ser desenvolvidas. No arco da coreana vemos o policial revelando ser um verdadeiro aliado, através de uma sequência de luta bastante dramática, que é utilizada a fim de trabalhar a relação dos dois. Sentimos uma tensão sexual no ar, que culmina no esperado beijo entre os dois, como se selasse essa aliança, que pode, enfim, movimentar tal subtrama consideravelmente. Chegou a hora de Sun passar a ser mais do que uma fugitiva e agora é chegado o momento de decidir se ela irá atrás do irmão. Nessa cena é importante notarmos como o grupo permanece unido, mesmo que alguns tenham opiniões bastante distintas: Wolfgang opta por um caminho mais agressivo (claro), enquanto que Capheus vai por um lado mais pacífico, que visa se livrar da ira, o que garante o título do episódio. Uma bela demonstração de como indivíduos tão diferentes podem se tornar tão próximos uns dos outros.

Lito, por sua vez, é quem recebe o maior banho de água fria, com as consequências de seu discurso na Parada do Orgulho LGBT de São Paulo já aparecendo desde cedo. É uma sequência triste e tocante ao mesmo tempo. Primeiro porque demonstra a diferença da recepção dele nos dois países, deixando bem claro o quanto o preconceito ainda está enraizado em determinados lugares, segundo porque nos presenteia com um belo trecho do personagem sendo abraçado no elevador, mostrando o quanto esse discurso é necessário para vencer toda essa discriminação que destrói a vida de incontáveis pessoas.

Já Kala continua na mesma situação, em um eterno vai e vem. É claro que a personagem se encontra em uma difícil situação e o seu casamento representa mais do que apenas a união de homem e mulher. Mas, considerando que acompanhamos a exata mesma coisa desde a primeira temporada, podemos afirmar que sua subtrama caiu na repetitividade, com Kala arranjando um motivo para terminar com seu marido, somente para que ele, pouco depois, remedie a situação. Ainda não há como dizer se ela irá, de fato, largá-lo, o que apenas reflete essa imobilidade de seu arco. Capheus, do outro lado, tem sua história movida a todo o vapor, com sua decisão de ingressar na política seguindo em frente.

No fim, somos deixados com uma importante revelação, de que Jonas ainda está vivo, o que pode significar que ele trabalha para a BPO, mas, claro, somente iremos descobrir a verdade posteriormente. Mais importante que isso, a sequência final reflete a fala de Capheus e o próprio título do capítulo, visto que Will pretende assassinar Whispers, mostrando que a frase I Have no Room in My Heart for Hate não se aplica a ele. Depois de um episódio sobre amor, um sobre ódio, mostrando, claro, que a positividade vista anteriormente não duraria para sempre.

Sense8 – 2X06: I Have No Room in My Heart for Hate — EUA, 2017
Showrunner: 
Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Direção:
James McTeigue
Roteiro: 
Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Elenco:
Doona Bae, Jamie Clayton, Tina Desai , Tuppence Middleton, Toby Onwumere, Max Riemelt, Miguel Ángel Silvestre, Brian J. Smith, Freema Agyeman, Terrence Mann, Anupam Kher, Michael X. Sommers, Sylvester McCoy, Sukku Son, Purab Kohli, Eréndira Ibarra
Duração: 
60 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.