Crítica | Sense8 – 2X07: All I Want Right Now Is One More Bullet

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estrelas 4,5

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as outras críticas de Sense8.

Pelo ritmo com que as coisas estão indo, a reta final desta segunda temporada de Sense8 terá muitas semelhanças com a 1ª Temporada, no sentido de oferecer ao público caminhos novos apenas no encerramento. O impacto e a estranheza (dizer “negativo” seria muito) deste padrão no show, neste ano, será menor, porque os produtores não sairão assim completamente da caixa e porque parte do “novo modelo” ou novos caminhos trarão caraterísticas já mostradas ao longo dos episódios. Mesmo assim, o desenvolvimento de tramas, fatos e pessoas parece ser apenas uma ideia de núcleo. Muita coisa nova anda surgindo de repente e o medo de tudo parecer abruto e um tanto forçado começa a surgir.

No entanto, ainda estamos em terreno seguro. Neste episódio dirigido por Dan Glass (em seu primeiro trabalho como diretor, mas ele já tem bastante experiência como chefe de efeitos visuais em filmes como Matrix Reloaded e Revolutions, Batman Begins, V de Vingança, A Árvore da Vida e a própria série Sense8), temos mais uma vez um alívio cômico constante vindo pelo Drama Queen de Lito, que embora seja gerado por algo bastante sério, não deixa de ganhar uma dimensão propositalmente caricatural por parte do ator, que é manhoso o bastante para “não suportar” se ver sem os seguidores que o abandonaram ao descobrirem a orientação sexual do ídolo ou a agência que escolheu não mais representá-lo. É bom ver essa nuance na série, porque diminui um pouco a torrente de eventos com os quais estamos lidando desde que os sensates resolveram partir para a briga à luz do dia contra a BPO, em Fear Never Fixed Anything.

Com quê então Jonas não está morto! Que anticlímax desnecessário, não é mesmo? Tudo bem que o luto dos sensates foi “curto demais” ou que a morte não foi exatamente tratada como morte, com a pompa e circunstância para um personagem como ele, mas mesmo assim, ele poderia de fato ter morrido. Essas pegadinhas atrapalham a série e com certeza vão minando o poder de alguns vilões ou situações. É preciso tomar cuidado. Pior de tudo, no entanto, foi o seu retorno “por cima”, como um espião em um “acordo com o diabo”, o que nos faz ficar de olho no personagem. Talvez ele não esteja dizendo tudo. Ou tenha mudado de lado. Vai saber.

Depois das informações dadas pelo 7º Doutor por Sylvester McCoy nos dois episódios anteriores, é como se um cânone bem maior sobre a série tivesse sido construído em pouquíssimo tempo e com explicações bastante orgânicas. Claro que algumas coisas se perdem ou são mal explicadas, mas os roteiros até aqui têm conseguido equilibrar a fuga, a busca e a descoberta de diversas pessoas, seja do cluster de Angelica ou de outros, como o de Lila, que aparece inteiro na luta contra Wolfgang (o Lobo Solitário) na parte final do episódio. O fato de os sensates conseguirem unir forças e agirem como se fosse um corpo só é incrível e ainda bem que Wachowski e Straczynski não caíram na armadilha de querer explicar aquilo. A representação visual é rápida, mas funciona de maneira brilhante.

Aqui eu começo a ter uma certa resistência à demora no amadurecimento de Lito. É claro que isso nos dá belas reflexões, mas não significa que o personagem precise passar pelas mesmas crises diante do mesmo problema. A diferença aqui, ao que tudo indica, é apenas o tempo de “recuperação” do personagem, mas algumas coisas nem deveriam voltar a acontecer. Não digo que ele não deveria chorar ou ficar amuado, porque essas coisas são a essência de Lito. Mas os por quês, a intensidade e a demora dele entender algumas coisas irritam. Em compensação, a conversa aos sussurros entre Hernando e Daniela assistindo A Um Passo da Eternidade é sensacional. Assim como a revelação de que Lito tem grandes habilidades como bartender.

Os problemas de final de temporada se armam, mas o grupo parece cada vez mais preparado para enfrentar seus caçadores, mesmo que às vezes pareça dar passos de caranguejo na direção certa. Um ponto de alerta aqui vai para a popularidade de Capheus e as ameaças (ou o aviso) que lhe é dado sobre se tornar um candidato querido pela sua gente. Também é preciso destacar a armadilha de Lila feita para Wolfgang, terminando em um tiroteio muito bem dirigido, mesmo que o final tenha sofrido nas mãos dos editores Fiona Colbeck e Joseph Jett Sally. A guerra parece ser entre e intra espécies. Nada é fácil para os sensates.

Sense8 – 2X07: All I Want Right Now Is One More Bullet — EUA, 2017
Showrunner:
 Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Direção: Dan Glass
Roteiro: Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Elenco: Doona Bae, Jamie Clayton, Tina Desai , Tuppence Middleton, Toby Onwumere, Max Riemelt, Miguel Ángel Silvestre, Brian J. Smith, Freema Agyeman, Ness Bautista, Mariano Foulquie, Joshua Grothe, Eréndira Ibarra, Terrence Mann, Daphne O’Neal, Naveen Andrews, Michael X. Sommers
Duração: 56 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.