Crítica | Sense8 – 2X08: What Family Actually Means

What Family Actually Means sense8 plano critico

estrelas 3

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as outras críticas de Sense8.

Episódios pensados como uma “respiração” para temporadas costumam ser um problema. Na maioria das vezes, o que temos nessas ocasiões é um filler de luxo, tendo apenas nuances básicas de conexão entre os grandes temas do presente ano do show e um ou outro caminho mais sólido para o andamento da história e até mesmo dos personagens. Esse tipo de episódio se torna mais problemático, quando vem depois de uma temporada quase inteiramente forte, este, o caso de What Family Actually Means.

Neste capítulo existem deixas familiares para cada um dos sensates, todos dentro de suas realidades em distintas relações pessoais, desde a solitária Sun até uma irônica e carente Nomi, que vai ao casamento da irmã, faz brinde, é quase presa e, por fim, tomada de uma realização imensa ao ouvir o pai chamando-a de filha. Nesse miolo, temos que aturar o fraquíssimo arco de Kala (há algum tempo pouca coisa de fato interessante vem desse núcleo); o pouco relevante momento de Wolfgang com seu amigo Felix (sua única família, além do cluster) e o desnecessariamente estendido momento de perseguição de Capheus. Eis aqui o elo mais fraco da temporada.

Uma coisa é fazer com que acontecimentos pessoais sejam empurrões narrativos para situações relacionadas à série, ou seja, basicamente a ordem da 1ª Temporada de Sense8. Outra coisa é fazer desses momentos familiares apenas um capricho individual, com poucos blocos que realmente tenham um elemento notável para o show, com exceção, talvez, das cenas de Riley com Diego. Mas mesmo olhando pelo foco familiar, ainda temos um problema. Porque do grupo são mostradas histórias familiares — direta ou indiretamente — em uma nuance bastante íntima do roteiro, lembrando algo que a série já tinha nos dado antes. Porém, quando um dos membros aparece apenas como uma sugestão temática (Sun) ou em uma abordagem completamente fora do tom em relação ao resto do episódio (Riley) ou uma forçosa participação de um dos membros na morte do pai (Will) fica difícil defender a decisão ou até mesmo ver significado maior para tudo o que foi exposto. A decisão para a morte do pai de Will sem Will estar presente (de fato) e aquela “visão” de seu pai, no final, foi um grande erro.

Isso não quer dizer, porém, que cenas emocionantes ou bons momentos estéticos não aconteçam aqui. O arco de Daniela, Lito e Hernando é um caloroso exemplo de união familiar que possui membros com habilidades diferentes, brigam aqui e ali, mas sempre estão ajudando um ao outro. Em parte, a história se beneficia disso, mas é por pouco tempo, porque o que funciona nesse bloco não poderia ser colocado em outros, até pela diferença de formatações familiares, o que torna este episódio um grande samba de estilos e abordagens, no lugar de uma adequação entre mundos, como é o padrão do programa. Até as visitas são negativamente afetadas por isso, vide o momento de Sun e Nomi na igreja ou uma breve aparição de Wolfgang no brinde de Nomi. Tudo parece mal arranjado, um pouco forçado, infelizmente, devido ao foco central em um tema que deveria ter sido mantido como transversal, jamais posto como carro-chefe a esta altura da temporada.

Caindo em um dilema bastante comum, mesmo em grandes séries, What Family Actually Means procura um atalho a fim de falar mais abertamente sobre o “outro lado”, mas acaba interrompendo uma ótima sequência de episódios para pouca coisa. Não quero dizer que as histórias mostradas e os lados estabelecidos sejam “inúteis”, mas em um montante (comparado aos sete episódios anteriores), eles dizem bem menos do que deveriam.

Sense8 – 2X08: What Family Actually Means — EUA, 2017
Showrunner:
 Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Direção: Lana Wachowski
Roteiro: Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Elenco: Doona Bae, Jamie Clayton, Tina Desai , Tuppence Middleton, Toby Onwumere, Max Riemelt, Miguel Ángel Silvestre, Brian J. Smith, Freema Agyeman, Ari Atken, William W. Barbour, Ness Bautista, Marcella BragioThomas Dalby, John S. Demakas, Sandra Fish, Mariano Foulquie, Alfonso Herrera, Eréndira Ibarra
Duração: 56 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.