Crítica | Serenity – A Luta Pelo Amanhã

serenity a luta pelo amanhã

Serenity (ignorarei o subtítulo patético brasileiro que insistem em colocar) é uma produção cinematográfica dirigida por Joss Whedon em 2005 que funciona como fechamento para sua série de televisão meio faroeste, meio ficção científica Firefly. O que torna Serenity especialmente interessante não é o filme em si, mas sim como ele acabou sendo feito.

Firefly, como muitos sabem, foi uma série de 2002 cancelada prematuramente, com apenas 11 episódios indo ao ar. Apesar da atenção que chamou, a audiência não foi grande o suficiente para justificar o investimento na cara produção. Isso acontece em televisão rotineiramente mas, no caso de Firefly, a situação tomou um vulto impressionante. Os fãs fervorosos se uniram e, em um esforço sem precedentes, conseguiram mostrar que haveria público ao menos para uma produção cinematográfica baseada na amada série de televisão. Há até um documentário sobre isso, intitulado Done the Impossible: The Fans’ Tale of Firefly & Serenity.

Com esse trunfo na manga, Joss Whedon conseguiu fazer com que a Universal comprasse os direitos de adaptação cinematográfica da série da Fox e iniciasse a produção de um longa-metragem. Uma campanha publicitária em três fases foi montada para introduzir o filme a um público que não conhecia a série e o lançamento ocorreu.

Mas deu tudo errado.

O filme custou 39 milhões de dólares à época e sua bilheteria total mundial não chegou a esse valor, o que fez com que a Universal amargasse um enorme prejuízo que, duvido, possa um dia ser compensado com a venda de DVDs e Blu-Rays. O fracasso, tenho para mim, se deu pela mesma razão que a série foi cancelada: os fãs eram e são fervorosos e muito vocais mas, ao mesmo tempo, são em número reduzido demais para criar massa crítica para um investimento dessa monta. Infelizmente, a chance que existia de o filme reiniciar o interesse pela série para que ela fosse renovada não mais existe e Serenity, juntamente com Firefly, ficarão para a história como um grande exemplo do poder dos fãs, para o mal ou para o bem. A única coisa que pode mudar o cenário é se Joss Whedon, usando seu renovado poder em Hollywood, depois do mega sucesso desse ano, Os Vingadores, resolver insistir em uma eventual segunda temporada. No entanto, com seus milhares de projetos junto à Marvel, receio que reviver a série não esteja em seus planos.

Sobre o filme, fica bem difícil falar sobre ele sem contar o que é Firefly. A brilhante série de Joss Whedon conta a história de um grupo de mercenários sob o comando do Capitão Malcolm Reynolds (Nathan Fillion) e suas aventuras fora da lei. Logo no início da série, a tripulação é acrescida de um casal de irmãos, Simon (Sean Maher), um médico e River (Summer Glau), uma garota desmemoriada e bem perturbada.

Como o grande mistério da série é exatamente saber o que foi feito com River, é nisso que Joss Whedon foca sua atenção, começando com o momento, em flashback, de sua libertação por seu irmão, que investiu a fortuna e a carreira para salvá-la das garras do governo tirano. Mas Whedon consegue ir ainda além, nos premiando com uma excelente surpresa sobre a origem dos canibais espaciais chamados Reavers, que mal aparecem na série mas que a permeiam quase que completamente. Não posso falar muito mais sobre isso sob pena de revelar segredos do filme.

A trama é bem construída e consegue, de maneira razoavelmente eficiente, contar uma história sem necessidade de prévio conhecimento da série. No entanto, ver apenas Serenity significa, apesar dos esforços de Whedon, ver um filme através de um vidro turvo. A série amplia os horizontes e deixa muito clara a riqueza de detalhes que cerca a trama. Em determinado momento, por exemplo, Whedon, de maneira chocante e sem cerimônia, decide matar um de seus personagens. Sem ter visto a série, fica mais fácil aceitar o que acontece. Com a série, é um típico momento “esse Whedon só pode estar de brincadeira!” que te obriga a pausar e passar a cena novamente para acreditar.

Momentos como esse e personagens inesquecíveis, ainda que pouco trabalhados no exíguo tempo do filme, tiram Serenity da vala comum das ficções científicas. No entanto, a presente necessidade de conhecimento de toda uma série para seu aproveitamento total e os efeitos especiais muitos simplistas, não muito diferentes do nível necessário para uma série de TV, impedem o filme de ser efetivamente muito bom ou que sobreviva de maneira independente.

Toda a produção foi, na verdade, uma obra feita com carinho especificamente para os fãs algo que, temo, nunca mais  aconteça na história do cinema nas mesmas circunstâncias.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.