Crítica | Sexta-Feira 13 Parte 3

estrelas 2

Obs: Leia sobre os demais filmes da franquia, aqui.

Quando este terceiro filme da franquia estreou no dia 13 de agosto de 1982, os críticos de cinema mais uma vez torceram o nariz e capricharam na composição de críticas destrutivas que mostrassem o quanto a série era uma pérola da ruindade. Independente disso, a indústria em torno de Jason crescia cada vez mais e se tornaria ainda mais fortalecida com o surgimento da icônica máscara de hóquei, um marco semiótico da história do cinema. A produção recebeu as tais críticas negativas, mas foi outro sucesso de bilheteria.

Marco da chamada Segunda Idade de Ouro do Horror, Jason está, ao lado de Freddy Krueger, como um dos ícones da história deste gênero, assim como Drácula, Frankenstein e o Lobisomem estiveram na metade do século XX. Com uma trilha de corpos que cresce a cada episódio, Jason desta vez estreia em um dia, no mínimo, estranho: se o filme começa na noite posterior aos acontecimentos do segundo, não seria uma Sexta-Feira 13, mas sim um Sábado 14. Este, no entanto, nem é o maior problema do filme, como veremos adiante na análise.

Após o confronto entre os protagonistas (ou a protagonista, afinal, Paul some misteriosamente no final do filme, um dos maiores mistérios da série), Jason segue para uma loja próxima da estrada e descola o seu figurino para a nova matança. Antes de embora, portanto, ele não perde a oportunidade de matar violentamente os donos do estabelecimento. As vítimas desta nova saga são os amigos da final girl Chris (Danna Kimmell) e do seu namorado Richard (Paul Kratka).

Os personagens dessa empreitada investem pesado nas caricaturas do gênero “jovens que merecem morrer”: há o casal que só pensa em sexo, a dupla de usuários de maconha, uma hispânica boazinha e um bobalhão que adora fazer piadas, mas diferente do “palhaço” de Sexta-Feira 13 parte 2, um dos que se livrou das lâminas afiadas de Jason, este aqui exagera na dose e vai morrer feio.

No que tange aos aspectos da linguagem cinematográfica, Sexta-Feira 13 Parte 3 é mais do mesmo. A cenografia que evoca isolamento e medo já se tornou lugar comum neste terceiro episódio. A trilha sonora de Harry Manfredini já esteve melhor. A música da abertura é, no mínimo, desagradável e bizarra. Enquadramentos e movimentação de câmera não fazem parte da preocupação dos envolvidos no filme, haja vista que o foco mesmo é matar da forma mais criativa a cada sequência.

A maquiagem de Allan A. Apone não desaponta, mas fica bem abaixo do esperado, se comparada ao trabalho excepcional de Tom Savini no primeiro filme. O roteiro é o grande vilão. Como aceitar problemas grosseiros de continuidade como a fisionomia de Jason, interpretado pelo competente Richard Brooker? Para uma trama que começa no dia posterior ao segundo filme, os produtores deveriam ter se preocupado mais com estes pequenos detalhes. As mãos, unhas, cabelos, enfim, toda a concepção do personagem se distancia muito e torna tudo muito absurdo.

Convenhamos, essa nem é uma cobrança que plausível para uma narrativa que insiste em pendurar corpos que só caem quando a final girl está por perto, dentre outros absurdos do campo da verossimilhança que não acredito ser viável tocar numa análise para Sexta-Feira 13. A série provou com este terceiro episódio, que o espectador, ao selar o pacto para assistir ao filme, deve deixar de lado algumas questões lógicas e se divertir.

Ao longo dos seus 95 minutos, Jason comete doze assassinatos, um mais criativo que o outro. O suspense é deixado um pouco de lado para a violência mais explícita, tendo em mira que a produção foi filmada numa câmera 3D Arrivision, buscando aproximar os crimes sanguinolentos do público. A apresentação dos personagens é monótona, haja vista que não há grandes perfis psicológicos a ponto de segurar o filme até a boa e divertida matança. Mascarado e cada vez mais enraizado na cultura pop, Jason ia voltar para Sexta-feira 13 Parte 4 – Capítulo Final, o episódio com a melhor sequência final de todos os episódios da série.

Sexta-Feira 13 Parte 3 (Friday the 13th Part 3, Estados Unidos – 1982)
Direção: Steve Miner
Roteiro: Martin Kitrosser e Carol Watson
Elenco: Danna Kimmell, Paul Kratka, Cheri Maugans, Gloria Charles, Terry Ballard, Richard Brooker, Anna Gaybis, Rachel Howard, Terence McCorry, Charlie Messenger, Larry Zerner
Duração: 95 minutos

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.