Crítica | Sexta-Feira 13 Parte 7: A Matança Continua

estrelas 3

Obs: Leia sobre os demais filmes da franquia, aqui.

Sexta-Feira 13 Parte 7: A Matança Continua pode não ser o melhor episódio da série, ter uma legião de fãs odiosos, além da bilheteria mediana se comparado aos filmes anteriores, mas uma coisa é certa: é preciso assistir com desprendimento e sem levar nada, uma sequência sequer, a sério. Se visto na base da brincadeira, a sétima parte da franquia é um dos episódios mais involuntariamente divertidos.

Antes do crossover com o astuto Freddy Krueger, Jason precisou enfrentar a ira de Tina Sherpad (Lar Park Lincoln), uma garota com poderes psíquicos que nos faz lembrar Carrie, A Estranha, personagem de Stephen King, imortalizada na adaptação cinematográfica de Brian DePalma. Lançado em 1987, o filme sofreu severas críticas, principalmente por causa do seu final absurdo, analisado detidamente mais adiante.

O filme começa com uma narração que nos apresenta os momentos anteriores da série. Não chega a ser uma abertura bem montada como em Sexta-Feira 13 Parte 4: O Capítulo Final, mas consegue estabelecer uma boa atmosfera. Por sinal, quem narra a abertura é o ator Walt Gorney, intérprete do Crazy Ralph, personagem icônico dos dois primeiros filmes da série.

Após o preâmbulo, a produção nos apresenta aos pais de Tina discutindo. O patriarca da família tem histórico abusivo e agride a mãe. A menina, revoltada, corre para o lago, num local próximo a Crystal Lake e, após um surto, mata seu pai acidentalmente, utilizando-se dos poderes psíquicos capazes de mover objetos, dentre outras possibilidades “destrutivas”.

Mais adiante, o filme corta para o presente, no caso, 1987, tendo em mira o processo de recuperação de Tina, acompanhada da mãe e do psicólogo. Eles decidem estudar o caso da moça in loco. Sendo assim, retornam para as imediações de Crystal Lake, espaço onde Jason está acorrentado desde o final da sexta parte. Além de Tina e seus acompanhantes, a casa vizinha está em festa, pois há jovens comemorando um aniversário de determinado integrante do grupo que será o foco do abate de Jason durante o meio para o final do filme.

Desta vez, não há perda de tempo ao tentar esboçar perfis enfraquecidos de personagens. O centro nervoso do roteiro é a matança. Quanto mais sangue, melhor. Há uma das sequências mais queridas para os fãs da série: a morte no saco de dormir. Segundo Kane Hodder, intérprete de Jason nesta sequencia, este é o assassinato mais criativo da história de Sexta-Feira 13.

O ator, por sinal, se esforça. É quase unanimidade para os fãs e críticos da série. Ele consegue dar identidade ao personagem, a ponto de criar uma espécie de Jason definitivo. O antagonista é eletrocutado, recebe pancadas, tiros e todo tipo de agressão, mas levanta depois das investidas e com o mesmo pique e sede de sangue. O ator agradou tanto que foi convidado para interpretar o antagonista nas partes 8, 9 e 10. Em depoimentos para o especial Jason Forever, Hodder disse que o maior desafio era tentar ser assustador sem uso da voz e do rosto.

Sexta-Feira 13 Parte 7: A Matança Continua sofreu muito com a MPAA, haja vista que o filme foi entregue nove vezes para revisão. Com seis filmes no currículo, os produtores tinham nas mortes extremamente gráficas do roteiro a promessa de inovação, mas, com os cortes, a única novidade apresentada foi o embate com a protagonista dotada de poderes especiais.

O polêmico final é odiado por muitas pessoas, mas se não for levado ao pé da letra, pode até ser interessante. Durante o duelo final, Tina utiliza os seus poderes para ressuscitar o pai, personagem que sai intacto do fundo do lago, acorrenta Jason e o puxa para dentro da água. Se a cena for levada na onda metafórica, essa pode ser uma forma de Tina compensar psicologicamente a sua culpa pela morte do pai e por ter feito o antagonista sair do lago e matar mais de uma dúzia de jovens promíscuos, além da sua mãe e outros inocentes. A cena pode ser apenas uma alucinação da personagem: fica a reflexão, caro leitor, o que acha?

Orçado em U$2,8 milhões, o filme rendeu seis vezes mais o que custou, mas demonstrou que a série estava desgastada, haja vista as numerosas imitações que eram lançadas todo ano, além do enfraquecimento narrativo dos assassinatos em Crystal Lake. Jason, entretanto, voltaria mais vezes. O personagem foi levado para Nova York (Sexta-Feira 13 Parte 8 – Jason Ataca em Nova York), além de fazer uma visitinha ao espaço (Jason X).

Sexta-Feira 13 Parte 7 – A Matança Continua (Friday the 13th Part VII: The New Blood, Estados Unidos – 1987)
Direção: John Carl Buechler
Roteiro: Manuel Fidello, Daryl Haney
Elenco: Kane Hodder, Lar Park Lincoln, Kevin Spirtas, Susan Blu, Terry Kiser, Susan Jennifer Sullivan, Elizabeth Kaitan, Jon Renfield, Heidi Kozak, Diana Barrows, Larry Cox
Duração: 88 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.