Crítica | Shadowhunters 1X02: The Descent Into Hell Is Easy

estrelas 2,5

A busca pelo Cálice Mortal se segue neste segundo episódio de, Shadowhunters, que estende dois meios textuais básicos para o espectadores. Um deles é marcado pela “descoberta do desconhecido” e é focado em Clary e Simon, que estão chegando agora a este mundo, cada um com permissões e habilidades distintas. O segundo é marcado pelo fortalecimento das forças em jogo, protagonizado pela dianteira de batalhas e tentáculos estratégicos do Ciclo. Completam o capítulo a aparição muito interessante dos Irmãos do Silêncio e uma moeda de troca oferecida ao final que, apesar de ser uma “desculpa pronta” para o encerramento, funcionou bem dada as implicações que isso pode ter no futuro. Não foi o melhor dos cliffhangers, mas funcionou.

Um elemento que imediatamente nos chama a atenção nesse episódio é como os produtores e o diretor Mick Garris tentaram utilizar o ponto técnico mais fraco da série, o CGI, a favor do episódio. Para quem está acostumado com programas de orçamentos pomposos, ver um produto como Shadowhunters parece estranho. É preciso entender, no entanto, que o caráter “segunda classe” desses efeitos pode ser um “charme tosco” da série e o show sobreviver tranquilamente com eles desde que tenha bons roteiros e boas atuações (ambos em falta aqui). Não são maus efeitos que fazem uma série ruim, mas o seu mal e/ou desmedido uso, independente da quantidade de dinheiro investido nisso. Séries como Misfits, Doctor Who (início da Nova Série) e Being Human (UK) são prova disso.

Em The Descent Into Hell Is Easy esse aspecto da produção acaba sendo colocado de forma relativamente satisfatória na trama e outras camadas de trabalho técnico como produção sonora e fotografia fazem bem a sua parte, seguindo a orientação macabra do roteiro. O diretor Mick Garris já esteve envolvido em projetos de terror no passado, como os filmes A Mosca 2 (1989) e Abracadabra (1993), além de ter dirigido um episódio para Witches of East End mais recentemente. Isso faz dele uma escolha acertada para assinar o episódio, que dentro dos dois caminhos narrativos apresentados já no nosso primeiro parágrafo, fixa-se no horror psicológico (especialmente a criação de um medo constante) e na promessa de um estado cada vez pior das coisas. Como um cerco se fechando.

Nesse estado de desesperança, o roteiro até funcionou ao mostrar todos os lados da moeda perdidos. Percebam que ninguém sabe realmente o que fazer, para onde correr ou como conseguir o que querem. Cenas e alguns diálogos exibem claramente uma aposta de fuga, permanência ou outra tentativa de se fortalecer e conseguir objetivos, mas pouco ou nenhum resultado é obtido. A armadilha nisso tudo é que o enredo acaba sendo tremendamente preguiçoso e não consegue se decidir quanto ao tom narrativo. Em alguns momentos, a exposição extremamente didática é claramente para quem não conhece o universo de os Instrumentos Mortais. Já em outros, especialmente na estrutura política e organizacional desse universo, vemos reinar o caos disfarçado de “informações para o futuro”.

Contudo, a história não deixa de nos entreter (exceto pelo número absurdo de más atuações) e acender a curiosidade para as baboseiras místicas que aparecem na tela. É um pouco tolo, mas ao mesmo tempo é divertido e, nesse ponto, o roteiro cumpre uma boa parte de sua função. É pena que falta maior profundidade nos diálogos e tratamento mais maduro para a história.

No fim, o destaque do episódio vai para a ótima inserção de Simon neste novo mundo e, na parte estética, para os figurinos e maquiagem dos Irmãos do Silêncio. Espera-se que nas próximas semanas o terrível e até então inútil bloco em Chernobyl seja definitivamente encerrado ou melhor abordado. E que tudo acabe bem para esta “nova caçada” que ganha espaço na última cena de The Descent Into Hell Is Easy.

No mundanes allowed, just like in the training room, right? Wrong! I’ve seen every horror movie ever made and the funny best friend who gets left behind… dead man.

Shadowhunters 1X02: The Descent Into Hell Is Easy (EUA, 19 de janeiro de 2016)
Direção: Mick Garris
Roteiro: Ed Decter, Hollie Overton
Elenco: Katherine McNamara, Dominic Sherwood, Alberto Rosende, Matthew Daddario, Emeraude Toubia, Isaiah Mustafa, Harry Shum Jr., Alan Van Sprang, Maxim Roy, David Castro, Jon Cor, Shailene Garnett
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.