Crítica | Shadowhunters 1X03: Dead Man’s Party

Shadowhunters_1x03_dead Man's Party

estrelas 1,5

Depois do sequestro de Simon em The Descent Into Hell Is Easy, estava claro que o episódio seguinte seria uma missão de resgate, principalmente porque o roteiro não havia deixado dúvidas sobre uma antiga rivalidade entre vampiros e shadowhunters, agora aparentemente em estado de dormência devido a acordos do passado, mas que já dava sinais de que estava chegando ao fim. Com a quebra desse acordo pelos sugadores de sangue, Clary, Jace, Alec e Isabelle dividem-se em dois times para retirar o mundano do covil dos vampiros. E isso é tudo o que temos em Dead Man’s Party.

Reservar um episódio inteiro para essa missão de resgate foi a prova definitiva de que os showrunners da série estão nivelando pela mais baixa camada possível a inteligência dos espectadores. Simon até aqui foi apenas um elemento cômico, um “olhar externo” para o que estava acontecendo com sua melhor amiga, o que o torna necessário para aliviar a sequência de eventos sombrios retratados nos episódios. Mas o que acontece quando toda a grande onda de eventos em fluxo é interrompida para que o resgate de um alívio cômico aconteça?

Se era intenção fazer o personagem ganhar importância, que isso fosse apresentado de uma forma diferente para o público, não forçando uma situação e colocando um freio em um enredo que precisava urgentemente de mais acontecimentos, mais ação válida e com uma história que a contextualizasse, não apenas a demonstração de brigas randômicas entre forças do bem e do mal em defesa ou busca de alguma coisa. Em três episódios, a sensação que nós temos é que os roteiros estacionaram no degrau de “apresentação de personagens” e de lá não saíram mais. E o pior de tudo é que estão fazendo isso muito mal.

Katherine McNamara definitivamente se mostra uma atriz com extensão dramática de um palmo e isso não contribui em nada para a série, que usa o olhar da personagem como matéria-prima. Os lamentos, imposições e demonstrações de amizade por parte dela parecem afetações grotescas que pioram consideravelmente a cada cena. Dominic Sherwood também não ajuda muito em seu papel de “defensor misterioso” de Clary. O episódio só encontra em Alberto Rosende (Simon) e Emeraude Toubia (Isabelle) boas atuações, dentro daquilo que é esperado para seus personagens. Matthew Daddario (Alec) também faz um trabalho aceitável, mas como o roteiro não lhe dá ações realmente destacáveis, fica difícil afirmar muita coisa além do básico.

A pergunta que o espectador faz é: o que de útil esse episódio trouxe para o andamento da série? A semi-transformação de Simon em um semi-vampiro? Sério? O pai de Clary, as alianças para ver quem está do lado de quem e a busca pelo Mortal Cup são definitivamente mais importantes neste ponto da história do que a criação de uma subtrama sem nenhuma necessidade. A fragilidade do texto, a colocação de um péssimo elemento romântico e a perda da oportunidade de apresentar mais seres/criaturas desse universo — nota-se que uma das melhores cenas do episódio, em configurações como fotografia e direção de arte ocorreram na sequência de Isabelle com Meliorn — certamente são incômodos que afetam qualquer maior identificação do espectador com a série. As coisas não estão melhorando para Shadowhunters. Espera-se, ao menos, que os próximos episódios deixem essas bobagens de lado e realmente desenvolvam a história que precisa ser contada.

Shadowhunters 1X03: Dead Man’s Party  (EUA, 26 de janeiro de 2016)
Direção: Andy Wolk
Roteiro: Marjorie David
Elenco: Katherine McNamara, Dominic Sherwood, Alberto Rosende, Matthew Daddario, Emeraude Toubia, Isaiah Mustafa, Harry Shum Jr., David Castro, Jon Cor, Kaitlyn Leeb
Duração: 43 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.