Crítica | Shadowhunters 1X05: Moo Shu to Go

estrelas 2,5

Spoilers!

Por pouco, mas bem pouco mesmo, a minha avaliação para este episódio não estacionou em 3 estrelas. Em outras palavras, o “regular” que esses 2,5 representam para o episódio é um “forte regular” vindo de um episódio que surpreendentemente começa bem (e para padrões da série devo até dizer “muito bem” — juro que não tem nenhum demônio me forçando a dizer isso) mas que aos poucos acaba ficando para trás na luta contra o julgamento por baixo da inteligência do espectador e novamente a reafirmação de espaços e personagens apenas para fazer número, mas que nada de importante trazem para o andamento do episódio e da série.

Uma pergunta deve ser feita: quem resiste a um bom drama familiar? A resposta: ninguém. É parte de nós como seres sociáveis e marcados pela ação da nossa família dar grande atenção para intricadas histórias entre pais e filhos ou de irmãos — em qualquer nível — que se comprometem, se separam, se acusam ou se tratam de maneiras peculiares. Não é necessário nem haver um drama para que isso aconteça, mas quanto mais dificuldades houverem nessas relações, mais interessante fica a abordagem, se ela faz sentido para a obra em que aparece. E convenhamos, que ótima entrada de Maryse Lightwood (interpretada de forma impecável por Nicola Correia-Damude) na série. É a partir dela que um bem vindo senso de urgência é injetado no episódio e até a aparição do pior bloco da trama, o de Valentine, as coisas só funcionam bem na tela devido as ações vindas de sua intervenção. Estava faltando mesmo uma mãe para colocar ordem na casa.

O que mais agrada nesse episódio é que o roteirista Angel Dean Lopez conseguiu fazer com que elementos dos capítulos passados aparecessem de forma rápida e relevante aqui — a inquietação de Alec, com vergonha de Jace pelo que foi mostrado pelo demônio em Raising Hell é o ponto que melhor passa pela “prova de fogo” — e dá andamento a histórias deixadas de lado no passado, contando aí com ótima montagem e direção simples e segura, assinada por Kelly Makin.

Vejam o que um bom roteirista consegue fazer se algum espaço é aberto para ele. Simon de repente voltou a ter o seu papel de destaque como alívio cômico, mas agora com uma característica diferente, já com uma nova visão e boa atuação no desenrolar da trama; Clary esteve o menos insuportável possível; Luke enfim teve algum uso na série; a relação entre seres e criaturas do submundo se mostra interessante e quase explosiva, nos dando a real impressão de que o tempo está se esgotando e o Cálice deve ser encontrado logo. Até Magnus, apesar da pequena participação, tem sua importância para manter a fluidez da história com uma cena colocada organicamente no enredo, diferente do bloco de Valentine e em parte do longo bloco dos Lobisomens após sequestrarem Clary e Simon.

Não fosse o esquete de Chernobyl, estaríamos diante do primeiro episódio realmente bom de Shadowhunters. É até espantoso ver o quanto algumas cenas pequenas conseguem derrubar um trabalho ao menos razoável feito em outras partes de uma obra. E o impacto nesse caso não é dessas cenas isoladas ou suficientes para si mas o que elas colocam (ou dão a entender que colocam) em movimento, puxando uma série de eventos para o seu núcleo de qualidade questionável e estrango, por tabela, esses dramas paralelos. Continuam incomodando aqui a repetição daquele único take que já a 5 episódios é jogado na tela para localizar o cenário — completamente inútil — de Chernobyl. Para piorar a situação, esse bloco ainda traz um tropeço do roteirista que tão bem escreveu para os outros blocos — que ironia! –, fazendo com que Valentine apareça recrutando um Exército sem o mínimo de critério dramático, sem um caminho sólido de ação, sem buscar empatia ou significado algum do espectador. Este tem sido, disparado, o pior momento dos episódios desde a segunda semana do show.

Diversas forças em movimento por um único objetivo. Enfim, a temporada ganha um pontapé para a ação e mostra pontos positivos, alguns bons diálogos e interessante arranjo para que a saga ganhe peso. Pode ser um pouco precipitado, mas as expectativas para Of Men and Angels começam a ficar altas. Quem diria, não é mesmo?

Reviradas de olhos no episódio: 6

Shadowhunters 1X05: Moo Shu to Go (EUA, 9 de fevereiro de 2016)
Direção: Kelly Makin
Roteiro: Angel Dean Lopez
Elenco: Katherine McNamara, Dominic Sherwood, Alberto Rosende, Matthew Daddario, Emeraude Toubia, Isaiah Mustafa, Harry Shum Jr., Alan Van Sprang, Jon Cor, Jade Hassouné, Joel Labelle
Duração: 43 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.