Crítica | Shadowhunters 1X07: Major Arcana

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estrelas 2,5

Ao que parece, a aventura mais madura e mais interessante vista Of Men and Angels foi apenas um surto de algo notável nesta primeira temporada de Shadowhunters. Tudo bem, eu já esperava por isso. Mas, mesmo este episódio 7 sendo, no sentido original da palavra, medíocre, ele ao menos conseguiu ter uma cadeia de eventos legais de se assistir, a despeito de momentos como Clary parar uma fuga para dizer obrigado para Jace e reconhecer o quanto ele estava sendo legal com ela. Sim, porque isso é exatamente o que a gente faz: “olha, tem um monte de demônios perseguindo a gente e eu estou com o objeto mais valioso do mundo comigo agora, mas… espera… pausa, aqui… Jace, eu quero agradecer a você por tudo o que você tem feito“. Sim, sim, parece verídico.

O roteirista Peter Binswanger tinha uma tarefa difícil aqui, que era, a pedido de Ed Decter, o Showrunner, desenvolver o drama do vampirismo de Simon e praticamente finalizar a inicial corrida para encontrar o Cálice. Por um lado, é preciso admitir que a entrada do valioso objeto em cena veio em boa hora e foi cercada de interessantes incursões de Luke, Jace e Clary na história. Embora a caçada ainda não tivesse se esgotado totalmente, ela já estava cansativa e precisava de um novo fôlego. A escolha por colocar o Cálice em cena deu a oportunidade da série trazer Valentine de volta como um vilão de verdade, não aquele Victor “PotterLuciferFrankenstein residente em Chernobyl. Mais uma vez, há aqui a abertura para bons caminhos dentro da fantasia e que eu, talvez por já ter sido decepcionado demais por bons rumos abandonados em Shadowhunters, não creio que serão aproveitados nos episódios finais da temporada.

O fato é que, mesmo aos tropeços, desde Moo Shu to Go há um certo amadurecimento da proposta geral do show, que acaba dividindo espaço com diálogos terríveis e infantilidades descabidas em meio a tanta coisa macabra e séria acontecendo. Mas mesmo assim, a série parece estar se aproximando timidamente do caráter sombrio que deveria ter, embora ainda pareça perdida, talvez por não se decidir se adota esse rumo mais sério e violento que teria uma real luta entre diversas criaturas do submundo ou se mescla essa proposta com melosidades amenas. Fica fácil perceber que o show ainda não se decidiu a respeito e a horda de sentimentos mistos — com picos de ira — que isso causa no púbico é cada vez maior.

A escolha de uma narrativa paralela aqui em Major Arcana não se saiu exatamente mal, mas desperdiçou boas chances de algo com mais profundidade pelo caminho. E de novo subutilizou Magnus, que sempre pode trazer coisas interessantes, principalmente agora, que temos o início de seu romance com Alec. E por falar nele, é fato que já está irritando com essa negação toda de que sempre foi apaixonado por Jace e agora está caindo na teia de Magnus. Pelo menos para Isabelle ele deveria ser mais aberto, já que isso faz sentido dentro da estrutura da temporada.

Pelo menos neste episódio Simon ganhou um bom espaço para expor seu desespero pelo fato de estar se tornando um vampiro, mesmo que tenha atitudes estranhas no final. Eu ainda acho que ele deveria ter exposto isso mais cedo, mas toda a relação com esse drama tem força e gera um pequeno suspense, já que nunca se sabe como vai se relacionar com o time de Shadowhunters, uma vez que a série não segue exatamente os mesmos passos do livro. O final parece que foi definitivo, mas algo pode acontecer e impedir a transformação definitiva em progresso. É o que veremos em Bad Blood.

Com o Cálice em cena, Shadowhunters ganha um outro nível e a temporada claramente vai dar uma guinada de tom. Se essa guinada vai vir com a adoção de uma linha mais dramática ou seguirá como um frapê de emoções ainda não sabemos, mas é certo que isso deverá decidir a renovação ou não da série. Vamos esperar para ver.

Shadowhunters 1X07: Major Arcana (EUA, 2016)
Direção: J. Miles Dale
Roteiro: Peter Binswanger
Elenco: Katherine McNamara, Dominic Sherwood, Alberto Rosende, Matthew Daddario, Emeraude Toubia, Isaiah Mustafa, Harry Shum Jr., Shailene Garnett, Lisa Marcos, Kaitlyn Leeb, Christina Cox, Holly Deveaux, Michael Cram, Joel Labelle
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.