Crítica | Shadowhunters 1X12 e 13: Malec / Morning Star

morning star shadowhunters

estrelas 2,5

Spoilers!

Enfim, o fim da 1ª Temporada de Shadowhunters, com direito a alguns toques de jornada épica para “caçar o mal”, inversão de papeis heroicos; encontros, reencontros, desencontros e o fim (frágil) de um ciclo iniciado em The Mortal Cup.

Toda a confusão e separações ocorridas no miolo da temporada ganharam, nesta reta final, um pequeno espaço para respirar antes de voltarem ao seu lugar anterior e, como já mencionei antes, estabelecerem um espaço mais ou menos sólido para o fechamento do ‘ciclo do Cálice Mortal’, que chega ao fim com o desencantamento de Jocelyn e a forçada (?) parceria de Jace com o infame pai. Nessa linha de acontecimentos, vemos as relações pessoais entre os personagens se tornarem mais fortes e levemente mais complexas porque o mundo dos Caçadores de Sobras, Vampiros, Lobisomens, Demônios e diversas outras criaturas está agora oficialmente nas “batalhas de preparação” para uma grande guerra, o que faz sentido para a temporada, mesmo que não tenha sido escolhido um bom momento como “ponto final” desta fase.

No todo, Shadowhunters não teve um admirável primeiro ano de vida. A temporada sofreu uma sequência interminável e intragável de episódios (e atuações) que diziam exatamente a mesma coisa: Valentine é mau e todos estamos em perigo. Foi só a partir de Of Men and Angels que presenciamos uma razoável (e pontualmente boa) aplicação dos conceitos mais sombrios tratados nos livros ou, se não quiserem trazer esta comparação à tona, à própria proposta da série. Claro que este parâmetro inicial não abandona o programa, mas ele enfraquece do episódio 6 em diante, com o fortalecimento da luta entre as partes e o renovo dos objetivos, tornando os capítulos um pouco mais fáceis de serem assistidos.

Nesta dupla de episódios finais, especialmente em Malec, o espectador vê que muitas coisas anteriormente sem sentido ganham significado e servem como mola textual para mini-tragédias, mas isso não justifica que enigmas mal colocados no início da temporada atrapalhem a narrativa, impeçam um melhor desenvolvimento de personagens e, no fim, sejam apenas um “por quê” das coisas. De pseudo-interligações e justificativas de enredo deste porte já temos o bastante em American Horror Story, não é precisamos de mais.

Mas mesmo atropelando alguns bons ingredientes de coerência e do cânone desse universo (mesmo na série), os dois episódios finais desta 1ª Temporada conseguiram ao menos deixar claros os objetivos centrais do segundo ano e problematizar algumas relações a fim de que sejam melhor cozinhadas. A mais importante e esperada delas se oficializou em Malec, um episódio que acima de tudo trouxe rápidos questionamentos sobre aceitação de diferenças, visão crítica de si mesmo e os tabus sobre diversidade sexual, pontos importantes como assuntos transversais do programa e que permitiram aos roteiristas mostrar um pouco mais sobre a personalidade de Alec e Magnus, bem como alguns valores retrógrados e engessados da sociedade dos Shadowhunters e, por outro lado, da postura de algumas pessoas que rodeiam os dois pombinhos. O crédito vai tanto para a forma despretensiosa como isso foi feito como também pelo não abandono da trama central para que o evento pudesse ganhar vida.

Curioso é que no episódio seguinte, Morning Star, o desfecho da temporada, esse abandono de alguns elementos importantes aparece e tenta ser maquiado pelo roteirista Peter Binswanger através de uma intriga de grande porte envolvendo Valentine e separando alguns caminhos do lado dos mocinhos. A ausência de explicações (mesmo parciais) importantes e a total falta de novidade em relação ao que vemos a partir daí (além de uma direção no piloto automático de J. Miles Dale) tornou o final um ponto de interrogação que deve levar os mais curiosos ou fãs mais animados da série para a próxima temporada, mas mesmo esses, devem confessar que o tema “Valentine quer o Cálice para criar um novo Exército de Shadowhunters” não foi a melhor coisa para servir de ponto final deste primeiro ano da série.

Era de se esperar, ao cabo, um drama que seguisse os caminhos interessantes de Malec, mas a reafirmação de uma vilania que serviu de filler para metade da temporada foi uma escolha preguiçosa e infeliz de Ed Decter como showrunner, que terá de mover mundos e fundos de criatividade para não permitir que a segunda temporada caia no mesmo buraco.

Shadowhunters 1X12 e13: Malec / Morning Star (EUA, 2016)
Direção: James Marshall / J. Miles Dale
Roteiro: Michael Reisz / Peter Binswanger
Elenco: Katherine McNamara, Dominic Sherwood, Alberto Rosende, Matthew Daddario, Emeraude Toubia, Isaiah Mustafa, Harry Shum Jr., Alan Van Sprang, Maxim Roy, David Castro, Jon Cor, Stephanie Bennett, Kaitlyn Leeb, Nicola Correia-Damude, Paulino Nunes
Duração: 42 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.