Crítica | Sharkado 2: A Segunda Onda

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Quando fiz a crítica de Sharknado, sucesso trash do canal SyFy, despi-me de todo o pudor e escrevi exatamente o que senti: diversão acima de qualquer coisa. Era um filme despudoradamente absurdo, mal feito e idiota, mas adorável do seu jeito esquisito e hilário do começo ao fim, desde as atuações tenebrosas, passando pelo roteiro que macacos com máquinas de escrever fariam melhor até efeitos especiais de TK-85 quebrado. E dei cinco estrelas. Claro, na base da galhofa, exatamente como o filme exigia.

Sentei para assistir ao segundo – com o ótimo subtítulo em inglês The Second One, que foi estragado na tradução para o português – com exatamente o mesmo espírito de quando vi o primeiro: esperando muito besteira para gargalhar no sofá. Mas o Syfy desapontou feio.

Mas como, se o primeiro já era tão ruim? – alguns perguntarão.

Esse é justamente o ponto. O primeiro não era tão ruim. Era uma besteira descerebrada que podia ser apreciado pela trasheira absurda que é. E, no frigir dos ovos, dentro do conceito nonsense, era original, diferente e, sim, atraente.

Sharknado 2 é, apenas, mais do mesmo. Literalmente. Sem tirar nem por.

Talvez, lá no fundo, eu já soubesse disso. Era óbvio que o sucesso do primeiro geraria um fac-símile no segundo dentro da famosa máxima do “para que mexer em time que está ganhando?”, mas acho que nutria alguma esperança que o SyFy quisesse ir um pouco além e brincasse justamente com seu conceito surreal de tornados de tubarões (e só tubarões, pois os outros seres marinhos, aparentemente, são imunes). Mas não é isso que acontece. Sharknado 2 é o primeiro Sharknado só que em Nova York e com menos graça. Apenas isso.

As péssimas atuações de Tara Reid e Ian Ziering continuam e eles são ajudados pelas atuações ainda piores (ou quase) de Vivica A. Fox, Mark McGrath, Kari Wuhrer e Courtney Baxter em um correria pelas ruas, metrô e arranha-céus da Grande Maça enquanto três tornad… digo, sharknados avançam na cidade. E a fita até começa bem, com o casal sobrevivente viajando para Nova York e já sofrendo ataques de tubarões aéreos durante o voo. São momentos realmente memoráveis, mas que logo se dissipam em mais do mesmo em um ritmo claudicante e errático, com momentos engraçados de menos e gritos demais.

No final das contas, Sharknado 2 tem o efeito de deixar o espectador cansado, desapontado e achando que foi ludibriado, tendo comprado sardinha por tubarão. Mas não foi, na verdade. O espectador recebeu exatamente aquilo que merecia por ter coroado Sharknado como uma grande diversão em primeiro lugar e dando coragem à SyFy de investir novamente na mesma coisa.

Uma pena. Mas o mais irritante é que eu sei que assistirei ao já em produção Sharknado 3: Oh Hell No! (outro título sensacional!). Podem me internar…

Sharknado 2: A Segunda Onda (Sharknado 2: The Second One, EUA – 2014)
Direção: Lula Lelé
Roteiro: Patrick
Elenco: Tu-Tu-Barão, Bruce, Tubarão espadachim de Hora de Aventura, Don Lino, Tubarão 4, A Vingança (sim, o 4), o Tubarão que engole Samuel L. Jackson em Do Fundo do Mar, Sharktopus
Duração: Longo demais…

RITTER FAN. . . .Sou um carioca rabugento que não faz questão nem de sol (muito quente) nem de praia (tem areia e água salgada). Prefiro o escurinho do cinema onde, sozinho ou acompanhado da família ou de amigos, me divirto - ou não, depende - por horas a fio.