Crítica | Shaun: O Carneiro (2015)

estrelas 4

O estúdio Aardman Animations, corresponsável por obras como A Fuga das Galinhas (2000) e Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais (2005) entrega em 2015 a adorável adaptação cinematográfica da excelente série Shaun the Sheep, que mostra a vida de um grupo de ovelhas e outros animais da fazenda convivendo com seu querido (mas às vezes nem tanto) fazendeiro.

Apostando no teor emotivo para dar maior sustentação aos personagens dentro do formato de longa-metragem, os diretores Mark Burton e Richard Starzak conseguiram fazer um trabalho bastante sólido, embora não livre de problemas, e muito engraçado. Há uma enorme proximidade entre a estrutura cômica do longa (e da série na qual é baseado) com os filmes de Buster Keaton e Charles Chaplin, tanto no tipo de comédia física apresentada, o slapstick, quanto no fato de serem [semi]silenciosos. Embora antropomorfizados, os animais aqui não falam e isso dá uma graça adicional à fita e valoriza ainda mais o trabalho do roteiro, que segura-se apenas com onomatopeias e uma excelente edição e mixagem de som.

Daí resulta o alto valor de Shaun: O Carneiro. Além de nos apresentar uma história de amizade, ritmos diferentes de vida no campo e na cidade, inocência versus maldade e humanidade, temos uma intocável realização do stop motion cujos esforços levaram seis anos para se completar e o trabalho de vinte animadores no processo. Ao final, temos personagens com movimentos bem peculiares e uma textura mais rústica dada ao cenário do campo, diferenciado pela fotografia mais escura, embora com filtros mais amenos, para a cidade.

É nesse jogo entre extremos e diferenças de vida que a trama acaba sendo, na minha opinião, muito mais atrativa para o público adulto do que para as crianças. Isso, claro, vendo o produto como um todo  de forma analítica. Todavia, o olhar menos sério para o cotidiano — a sequência do restaurante é perfeita para exemplificar isso — cabe muito bem aos olhos e ao gosto de todos os públicos, divertindo pelo seu absurdo, pelo desenvolvimento surreal das coisas e pelas atrapalhadas tentativas do grupo de ovelhas fazerem a coisa certa: resgatar seu dono, que após um acidente, teve perda temporária de memória.

Talvez essa estadia do fazendeiro na cidade seja a parte menos interessante do filme, porém, apenas o bloco de história do fazendeiro entra nessa classificação. Vemos então o dono das ovelhas integrado à cidade e trabalhando como cabeleireiro, criando um corte-ovino que se torna bastante famoso — a sequência em que ele é hiper divulgado pelas redes sociais é excelente. Por outro lado, toda e qualquer aparição das ovelhas na cidade é primorosa. Mais uma vez a amizade e o comportamento animal vem à tona com o aprisionamento de Shaun, que se perde de seu grupo; o encontro com o seu amigo, um cão pastor da fazenda que tenta o tempo inteiro manter as ovelhas fora de problemas; além da amizade que todos criam com um cão que Shaun conheceu por acaso e que o acompanha até o fim do filme.

Shaun: O Carneiro é diversão garantida. Há vários gêneros cinematográficos bem integrados à narrativa; uma excelente referência a Cabo do Medo, de Martin Scorsese; uma trilha sonora que não cansa os ouvidos e sabe os momentos de silenciar ou adotar ritmos e temas diferentes; além de uma direção precisa e encantadora. Mesmo com um bloco pouco atraente em seu enredo, é impossível o espectador não sair do cinema satisfeito com o filme. E com uma vontade enorme de comprar uma ovelha.

Shaun: O Carneiro (Shaun the Sheep Movie) — EUA, França, 2015
Direção: Mark Burton, Richard Starzak
Roteiro: Mark Burton, Richard Starzak (baseado nos personagens criados por Nick Park)
Elenco (vozes originais de): Justin Fletcher, John Sparkes, Omid Djalili, Richard Webber, Kate Harbour, Tim Hands, Andy Nyman, Simon Greenall, Emma Tate, Jack Paulson, Sean Connolly
Duração: 85 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.