Crítica | Sherlock 3X01: The Empty Hearse

estrelas 5

Sem a menor sombra de dúvidas, o maior cliffhanger deixado no fim da segunda temporada de Sherlock foi como o detetive sobreviveu sua queda do topo do prédio. É claro que mil teorias surgiram automaticamente por parte dos fãs, mas ainda assim fica a incerteza. Ciente desse fato, Mark Gatiss elabora um episódio inteiramente trabalhado em cima dessa dúvida e, obviamente, da própria volta de Holmes e as consequências disso.

O episódio já inicia nos mostrando o que ocorreu na famosa cena de Reichembach Fall. Vemos Sherlock fugindo de sua morte através da utilização de uma corda e uma certa habilidade de rapel pelas paredes do prédio. Ao mesmo tempo que Watson é derrubado e posteriormente desacordado por um homem em uma bicicleta. Tudo parece um pouco difícil demais de acreditar, até que descobrimos que todo esse desenrolar é fruto da imaginação de Anderson, que acredita que o detetive ainda está vivo (como vimos no mini-episódio Many Happy Returns). Continuamos sem saber como Sherlock sobreviveu.

Se você assistiu o minisode exibido em Dezembro, então certamente você irá lembrar dos diversos casos sendo resolvidos por Sherlock, cada um deles cada vez mais perto de Londres. Através de uma ótima cena entre Mycroft e seu irmão, descobrimos o intuito da resolução de tais casos e, ao mesmo tempo, o motivo da volta de Holmes: uma rede terrorista planeja um ataque na capital inglesa e Mycroft necessita da ajuda do irmão para impedir que isso ocorra. Não é de nenhuma surpresa que Sherlock aceita o caso.

A partir daí, a trama progride em torno da relação entre o detetive e seu antigo companheiro, que deve simplesmente engolir que seu amigo o enganou, fazendo-o acreditar que esteve morto durante dois anos. Esse lado da história do episódio se estabelece bastante organicamente, causando diversas risadas (Sherlock não poupa esforços para fazer uma volta totalmente inesperada). É claro que a falta que um amigo sentiu do outro é trabalhada perfeitamente durante todo o episódio – chega a ser transparente (por mais que ele tente esconder) a ansiedade de Holmes de ter seu companheiro ao seu lado, o mesmo vale para Watson.

O caso do ataque terrorista permanece em segundo plano durante todo o episódio, até a chegada do clímax. De fato ele não é o foco dessa trama e funciona como uma espécie de introdução, mesmo que ele tenha sido resolvido no fim. A resolução foi nada menos que genial e inesperada (principalmente para Watson).

Dentro de um ótimo episódio, contudo, surgiram dois pequenos problemas que não se encaixaram muito bem com a trama. O primeiro é uma cena na qual Sherlock toma a motocicleta de dois londrinos, fugindo, assim, do personagem. O segundo é a cena na qual Sherlock conversa com Anderson em seu apartamento – não irei entrar em detalhes para não dar nenhum spoiler, mas tal sequência ficou perdida dentro da história e dos fatos que se desenrolavam e, em ultima instância, não fez o menor sentido. Felizmente, tais problemas não prejudicam em nada o triunfal retorno de Sherlock, que conta, como de costume, com ótimas atuações de todo o elenco principal. A relação entre Holmes e Watson está mais palpável do que nunca e o detetive voltou com um animo sem igual, graças a reunião dos dois comparsas.

A fotografia e montagem voltam mais aguçadas do que nunca. Além dos ótimos enquadramentos, com closes precisos, a montagem está mais criativa do que nunca, realizando divertidas transições que melhoram ainda mais a qualidade da obra.

The Empty Hearse mantém o nível estabelecido pelas temporadas anteriores da série britânica e oferece um episódio que, ao mesmo tempo mantém o espirito de Sherlock e ainda assim se diferencia de todos os outros exibidos. Ele é marcado pela mudança de tom entre o drama e uma aguçada comédia (em geral pela animação do detetive) e, é claro, a dose de suspense habitual – floreada pela familiar e querida trilha sonora que já conhecemos. The game is on!

Sherlock 3×01: The Empty Hearse (UK, 2014)
Showrunner: Steven Moffat, Mark Gatiss
Roteiro: Mark Gatiss, Sir Arthur Conan Doyle (baseado em seus livros)
Elenco: Benedict Cumberbatch, Martin Freeman, Jonathan Aris, Rupert Graves, Mark Gatiss, Louise Brealey, Una Stubbs.
Duração: 87 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.