Crítica | Sherlock 3X02: The Sign of Three

estrelas 5

Pessoalmente considero os capítulos do meio de Sherlock os mais fracos, é claro que eles não carregam o peso de um season première ou finale, começando já com uma desvantagem. Não se enganem, acredito que The Hounds of Baskerville e The Blind Banker dois episódios excepcionais, mas ainda assim levemente inferiores aos outros. Com isso em mente, assisti The Sign of Three esperando um resultado parecido aos outros dois das temporadas anteriores.

Após um episódio focado na volta de Sherlock, as reações e consequências disso, recebemos, com The Sign of Three, um capítulo centrado no detetive tendo que lidar com o casamento de Watson. Desde os primeiros minutos já fica claro a preocupação de Holmes tendo que preparar um discurso, por ter sido escolhido como padrinho. A cena de abertura ilustra muito bem a preocupação (e o drama) de Sherlock, através de um humor que já previsível, mas ainda assim não perde sua força.

A trama se constrói com um aumento da tensão de Holmes que culmina com o tão esperado discurso. A tensão chega ao seu cúme, afinal, o sociopata altamente funcional (como ele próprio se descreve) deve falar frente à uma multidão. A partir daí o episódio se torna diferente de qualquer outro da série – funcionando quase que inteiramente na base de flashbacks de situações ou casos passados que o detetive colocou em palavras para os convidados do casamento. A tensão citada anteriormente vai e vem, dando lugar ao humor e ao drama em diversos momentos. O que poderia muito bem se tornar um monótono discurso acaba nos prendendo do início ao fim.

O que não falta nesse segundo episódio é a comédia. Em geral ela está ligada no jeito como Sherlock lida com simples fatos – como a despedida de solteiro de Watson, na qual ambos se embebedam e tem de resolver um caso nesse estado. O resultado é mais uma coisa que ainda não vimos na série, uma ótima adição a essa terceira temporada.

Minhas únicas ressalvas em relação a este capítulo estão em alguns momentos nos quais as transições pareciam uma festa de efeitos que acabavam tirando o foco da cena. Também há um pequeno detalhe no roteiro: a convergência dos casos contados por Sherlock em seu discurso em um só caso atual. Isso acabou soando como uma coincidência um pouco difícil de acreditar – por que, dentre centenas, ele escolheria logo aqueles para contar? A única desculpa seria uma parte de seu subconsciente atentando para o que estava prestes a acontecer.

Os casos apresentados, contudo, são altamente criativos não só em seu desenrolar, como na maneira como são contados. Em destaque coloco a muito bem construída investigação via bate-papo pela internet, na qual o detetive é colocado em uma sala frente a frente com seus contatos, mesmo nunca tendo os visto alguma vez na vida. A cena ainda insere dentro da sala todos aqueles que interagem com Holmes enquanto ele conversa e o comportamento de cada um ilustra as ações do chat.

Um detalhe nesse episódio também chama a atenção, não sendo necessariamente um defeito. O foco no desconforto do detetive acaba deixando Watson em segundo plano. De fato, em poucos momentos da trama ele aparece em destaque – em alguns flashbacks somente. Mais uma vez isso não é um defeito, é o que o episódio pedia e assim constrói efetivamente até o dramático encerramento.

Provando-me estar enganado, The Sign of Three demonstra ser do mesmo nível do capítulo anterior, oferecendo um narrativa única dentro da série. A construção da trama e seu encerramento sugere que a parte final da terceira temporada será ainda mais dramática, além de criar a tensão: haverá alguma mudança entre os dois amigos devido ao casamento de Watson? Com todos esses elementos em mente, vemos que Sherlock é uma série que demonstra a cada minuto que não é “mais do mesmo”, inovando em todo o momento oportuno.

Sherlock 3X02: The Sign of Three (UK, 2014)
Showrunner: Steven Moffat, Mark Gatiss
Roteiro: Mark Gatiss, Steve Thompson, Steven Moffat, Sir Arthur Conan Doyle (baseado em seus livros)
Elenco: Benedict Cumberbatch, Martin Freeman, Jonathan Aris, Rupert Graves, Mark Gatiss, Louise Brealey, Una Stubbs, Amanda Abbington.
Duração: 86 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.