Crítica | Short Trips 5X01: Flywheel Revolution + Bônus

estrelas 4,5

Equipe: 1º Doutor (Susan, Ian e Barbara são os companions deste momento, mas, nesta aventura, eles estão perdidos; ou melhor, o Doutor está perdido deles).
Espaço: Ferro-velho de um planeta não nomeado (possivelmente Terra)
Tempo: Futuro distante
Linha do Tempo do Doutor: Flywheel Revolution ocorre entre os arcos The Reign of Terror e Planet of the Giants (TV). No universo da Big Finish, a aventura ocorre entre os áudios Domain of the Voord e The Wanderer.

O medo, a desinformação e a ignorância estão realmente entre as coisas mais perigosas para o homem. Ou para robôs inteligentes (o que é uma doce ironia). É a partir desta premissa que Dale Smith escreve o sensacional roteiro de Flywheel Revolution, o episódio que marca o retorno das Short Trips à Big Finish, depois de um hiato de 3 anos e 5 meses.

Após o lançamento do Volume 4 da série, em agosto de 2011, a produtora deixou de produzir as pequenas histórias para se dedicar a projetos maiores. Houve um rumor de que novos episódios seriam produzidos em 2013, mas com o advento do aniversário de 50 anos de Doctor Who e a produção da minissérie Destiny of the Doctor, além do especialíssimo The Light at the End, os planos ficaram para o ano seguinte. Em 2 de setembro de 2014, Peter Purves gravou Flywheel Revolution nos estúdios da Big Finish e o lançamento do áudio, apenas para download, aconteceu em janeiro de 2015.

peterpurves-monthlyshorttrips_large

Peter Purves [Set., 2014]

A estrutura desta 5ª Temporada permanece exatamente a mesma que a dos Volumes 1, 2, 3 e 4. Há um narrador, que também interpreta os papéis principais da história e, em alguns casos, vozes adicionais de criaturas ou “figurantes”. No presente conto, Peter Purves interpreta apenas o 1º Doutor, além de fazer a narração, já que não existem companions em cena. O roteiro não deixa claro como aconteceu, mas o Time Lord está sozinho e perdido neste ferro-velho, procurando por Susan, Ian e Barbara.

A história transcorre de uma maneira adorável, bem humorada e cativante. O Doutor é visto como um monstro, pelos robôs do ferro-velho, e é uma espécie de lenda entre eles. O local é um depósito de robôs antigos que foram colocados ali para “explorar” o local, mas têm permissão apenas para irem até os limites de uma imensa parede que os separa de um outro lugar (reflexos de The Tunnel Under the World e Simulacron 3 são claros). Não é preciso pensar muito para chegar à conclusão de como o caminho para a tal “revolução” do título acontece; no entanto, não existe invasão, revolta, nem nada do tipo. A “revolução” é mais um caminho para a liberdade ou para o desconhecido do que qualquer outra coisa.

Flywheel Revolution é um triunfante retorno das Short Trips, um dos formatos mais legais dentre os áudios da Big Finish. Ver o 1º Doutor contracenar com um robô que acredita que ele é um monstro é uma premissa sensacional e ganha ainda mais pontos porque a história é contada do ponto de vista do robô Frankie, a quem o espectador rapidamente se afeiçoa (impossível não se lembrar do “titã” Vilgreth de Last of the Titans). A direção ágil de Lisa Bowerman e os ótimos efeitos da pós-produção, além de uma irreparável modulação de voz robótica (a BF às vezes pisa na bola no quesito de vozes para robôs ou criaturas estranhas, o que jamais acontece aqui) fazem deste conto um excelente cartão de boas-vindas para a 5ª Temporada das ST. Vamos torcer para que os outros episódios sigam pelo mesmo caminho e, se tiverem que mudar, que seja para melhor.

Short Trips 5X01: Flywheel Revolution (Reino Unido, janeiro, 2015)
Direção: Lisa Bowerman
Roteiro: Dale Smith
Elenco: Peter Purves
Duração: 32 min.

***

BÔNUS

The Lair of Zarbi Supremo é um conto de David Whitaker, levando o 1º Doutor novamente ao planeta Vortis, lugar que gerou um dos piores arcos de toda a história de Doctor Who: The Web Planet. O Doutor retorna ao planeta e vê um grupo de humanos sequestrados pelos Zarbis. Aguns Menoptera protegidos em seus robôs (?) também estão lá. A maior parte da aventura coloca o Doutor ao lado de Gordon Hamilton, o garoto filho do comandante da nave “Solar Queen”, arrancada de sua exploração no Sistema Solar para galáxias de distância, até Vortis, pela engenharia das formigas do mal, os Zarbi. O princípio é até interessante mas, assim como na TV, a coisa vai ficando pior à medida que a história avança. Um conto bem ruinzinho. [Roteiro: Peter Anghelides. 2/5]

The Last Days coloca o 1º Doutor e Susan separados de Ian e Barbara durante semanas, no primeiro ano do Cerco de Massada (73 a 74 d.C.), atual Israel. Os gallifreyanos são capturados e ficam no campo dos romanos, enquanto Ian e Barbara, do lado dos judeus, sendo que a historiadora passa a maior parte do tempo se recuperando, enquanto Ian se engaja em ajudar os judeus a vencerem seus inimigos. Barbara se recupera nos dias finais do cerco. Ela sabe o que acontece na História (vitória dos romanos), mas Ian se recusa a aceitar e quer mudar a História. Eleazar, o líder dos judeus, percebe que não pode vencer os romanos e se recusa a ser capturado, assim como seus soldados, então propõe que todos tirem suas próprias vidas. Ian aprende a lição de que mexer com a História é perigoso (Barbara já tinha aprendido isso em Os Astecas), então falsifica a morte de Barbara e se junta aos outros soldados, no momento de escolha para quem mataria quem. Ian é escolhido para segurar a espada enquanto os soldados se empalam nela (imaginem isso!). Eleazar diz que sabe que Barbara não está morta, e que forjou a escolha para que Ian não morresse; uma prova de amizade tocante. Eleazar se mata, os Romanos entram em Massada, e o Doutor tenta convencer Flavius Silva de que Ian e Barbara são seus espiões. [Roteiro: Even Pritchard. 4/5]

There are Fairies at the Bottom of the Garden é mais um exemplar da série “as aparências enganam”, em Doctor Who. O 1º Doutor e Dodo chegam a um “planeta doente”, na visão de Dodo, uma vasta caverna orgânica decadente, com mau cheiro, apodrecendo. Ela não entende por quê o Doutor insiste em dizer que há beleza ali, especialmente quando ela é atacada por uma criatura sem cabeça, emitindo um gemido ou uma espécie de canto de desespero. Ela segue a criatura até um lugar feito e cristal, com fadas dançando. Dodo acredita que sabe o que está acontecendo até o Doutor chegar e esmagar o cristal, matando as fadas. Ela fica furiosa. O Doutor desmaterializa a TARDIS e a leva para o alto, a fim de mostrar a Dodo onde eles estavam: um pétala gigantesca, uma espécie de flor-continente, que estava infectada por uma praga de fadas de cristal. [Roteiro: Sam Lester. 3,5/5]

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.